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São João del-Rei: Obras na Avenida Luiz Giarola inacabadas. Veja como ficou!

Históricos de desastres e obras inacabadas compõe a história do lugar.

21/08/2020 17h09 Atualizada há 8 meses
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Por: João P. Sacramento
Descaso com obras na Av. Luiz Giarola, na Colônia. Foto: João P. Sacramento/ Mais Vertentes
Descaso com obras na Av. Luiz Giarola, na Colônia. Foto: João P. Sacramento/ Mais Vertentes

O tempo fechou e quem mora no bairro Colônia do Marçal, em São João del-Rei, já fica tenso. Isso porque o período de chuvas é sempre acompanhado de grande alagamentos e transtornos para os moradores, comerciantes e quem depende das vias públicas para chegar ao trabalho.

De abril a julho deste ano, a prefeitura de São João del-Rei investiu o valor de R$ 380.079,43, em algo que eles chamaram de “Serviço de drenagem pluvial”, que consiste no alargamento das passarelas de acesso às casas do trecho onde passa um canal que deveria escoar a água das chuvas. Segundo a placa fixada no local, a obra deveria estar concluída no dia 6 de julho de 2020, mas um mês depois, a situação do local é de abandono e sujeira. 

Em entrevista para o portal Mais Vertentes, o comerciante Raimundo Augusto, que é dono de uma padaria de frente para o local da obra, disse que “aqui, quando chove pouco, não têm tanto problema, mas quando a chuva é mais torrencial, mais forte, às vezes nem é tanta água, mas traz lama dos loteamentos nas Águas (Bairro)”. O mesmo problema é relembrado pela estudante Lívia Ferreira, moradora do bairro Solar da Serra, que usa a Avenida Luis Giarola como acesso para outros bairros. Segundo Lívia, a questão dos alagamento é revoltante “há anos ocorre obstrução para entrada e saída do bairro Solar da Serra, impossibilitando o acesso de qualquer morador, ao qual me enquadro”. 

Em outro trecho, Raimundo comenta sobre a obra realizada pela prefeitura: “Aqui têm a parte que a prefeitura fez aqui do alargamento desse ‘poço’ e abriram mais as ‘pontezinhas’ que têm acesso às casas. Depois que eles fizeram esse trabalho, ainda não choveu pra gente ver a prova se ficou bom”. As “pontezinhas” citadas pelo comerciante, são os acessos às residências que estão localizadas às margens do canal de escoamento. A moradora do bairro Solar da Serra também diz que só saberá, se a obra funcionou, após o período de chuva e completou: “De antemão dá para perceber que foi apenas instalação de manilhas, por um preço exorbitante pago pelos contribuintes”.

Ainda sobre a obra realizada, Raimundo observa que “esse trabalho deles está pela metade, porque a parte lateral desse ‘poço’ é tudo aterro, tipo barranco”, e alerta: “caso descer uma enxurrada aqui, vai desbarrancar”. O comerciante, que está há sete anos no local, teme pelas condições da via: “Vai desbarrancar e vai tirar pedaço da própria rua. É arriscado essa rua ‘ficar’ até interditada”. Lívia, que acredita que o bairro está abandonado pela prefeitura, diz que é necessário um parecer técnico, mas acredita que algumas coisas podem ser feitas para amenizar os estragos da chuva: “Talvez retirada das terras alocadas, passarela que atenda aos pedestres com um canal para que as águas da chuva transcorreram sem alagamentos”, e complementa com outras necessidades do local, como “colocação de lixeiras e bueiros”.

Sobre a obra no canal da Avenida Luis Giarola, que ocorreu de abril à julho deste ano, o Portal Mais Vertentes entrou em contato com a Engenheira-Chefe da Prefeitura de São João del-Rei, Gláucia Cantelmo, mas a mesma não se pronunciou até o fechamento desta edição. O Mais Vertentes está aberto para uma declaração da engenheira sobre a finalização da obra e o estado que o local se encontra.

Obras anteriores que não funcionaram

Em 14 de agosto de 2019, a página oficial da Prefeitura de São João del-Rei no Facebook, postou um vídeo com o título “Informações da Prefeitura Municipal ADM. 2017/2020. Desassoreamento da Linha de Drenagem - Rua Luiz Giarola”. No vídeo, conduzido por Tovar Luiz, acompanhado do Engenheiro Ambiental Bernardo Máximo, e da Secretária do Meio Ambiente, Elvira Morethson, e que ostenta muitos maquinários, já é apontado que a obra é uma reivindicação antiga da comunidade do bairro Colônia do Marçal, que sofre com os períodos chuvosos.

“A prefeitura tem se importado muito com essa questão das inundações no período das chuvas”, diz o Engenheiro Ambiental, para justificar o desassoreamento da linha de drenagem do local. “Vai ter o posicionamento de arandelas que comportem o fluxo de água que desce de toda essa microdrenagem da região”, continua Bernardo, que ainda diz que isso amenizaria 60% do problema com as inundações. O engenheiro ainda pontua a existência de um projeto que reduziria 100% do problema na Avenida.

A Secretária do Meio Ambiente inicia sua fala dizendo que a obra em questão “é a menina dos olhos” do prefeito Nivaldo de Andrade, e reforça que o prefeito já estava em Brasília buscando recursos para um segundo projeto “pra gente deixar isso aqui 100% resolvido”, disse Elvira. “Esperamos acabar em 30 dias e vamos pra Brasília buscar verbas”, conclui a Secretária do Meio Ambiente.

Um “cisco” bem grande na Menina do Olhos do prefeito.

O significado da expressão “Menina dos Olhos” é designado a algo, ou alguém, que seja favorito. Pode ser usado para um projeto ao qual se atribui prioridade, como foi o caso da Secretária do Meio Ambiente, ao se referir à importância que o prefeito estava dando, nas palavras dela, para a obra de desassoreamento. Mas não demorou muito para que a “Menina dos Olhos” do prefeito começasse a apresentar problemas.

No dia 13 de fevereiro deste ano, o portal Mais Vertentes publicou uma matéria, que expõs os estragos da chuva em toda a cidade de São João del-Rei, incluindo o bairro Colonia do Marçal. Em um trecho, a notícia expõe a realidade vivida há anos pelos moradores de São João del-Rei: “As fortes chuvas que vêm ocorrendo em toda a região sudeste, especialmente em Minas Gerais, além de um fenômeno pré-anunciado de grandes mudanças climáticas, também expõem, cada vez mais, o mau planejamento territorial e urbano”, e continua, “ Falta de aviso não foi! As avenidas Leite de Castro, no bairro das Fábricas, e Luís Giarola, na Colônia do Marçal, há anos sofrem com o problema de alagamento. A pouca e até ausência de captação de águas pluviais imperam na cidade que adotou a política do trator e do asfalto. A Luís Giarola, só para relembrar, foi asfaltada três vezes em 2019, após sucessivas destruições causadas pelas chuvas”.

A obra de desassoreamento que ocorreu 6 meses antes e que prometia amenizar os alagamentos em 60%, não cumpriu o que prometeu e jogou no chão essa história de “Menina dos Olhos”, pois o prefeito sumiu e nem se deu o trabalho de visitar o local. Imagens do dia dessa inundação são surreais. O comerciante, Raimundo Augusto, relembra desses dias:” Eu estava aqui, entrou água dentro do meu comércio”. 

Só na próxima Administração

Sobre o serviço oferecido pela prefeitura aos moradores e comerciantes da área, Raimundo, abertamente declarado apoiador do prefeito Nivaldo Andrade, faz suas queixas: “Longe de política, eu não quero fazer campanha, mas eu sou Nivaldo, mas infelizmente, do meu ponto de vista, esse negócio aqui não ficou legal ainda”, e garante estar aberto ao diálogo com o atual prefeito: “ele pode até conversar pessoalmente comigo, que eu tô aqui”, afirma.

Quando questionado sobre o mal uso da verba pública, Raimundo Augusto diz que um serviço mal executado “pode trazer até prejuízo e danificar até algumas casas, alguns muros que estão na beira desse ‘poço’”. O comerciante alega que sente falta que as autoridades visitem o local e ouça as reclamações da comunidade. Ainda menciona um ocorrido com o seu vizinho: “Aqui mesmo de frente, o rapaz fez um muro afastado, porque o da frente tombou, porque ele tava apoiado no barranco, a água passou, amoleceu embaixo, cai mesmo”.

“É um problema que a gente pensou que essa obra ia melhorar, mas, pra mim, acho que não melhorou nem 30%”, disse o comerciante, abalado com a situação do local. Raimundo comenta da atuação da Vigilância Sanitária no local pós-chuva: “Entope o esgoto, mistura com a enxurrada e passa na frente do meu comércio, com um cheiro horrível. Depois a Vigilância Sanitária, vem aqui dá um ‘corretivo’ na gente”, e arremata: “A rua é poeira, é lama, é barro, é esgoto, é cachorro solto na rua, e a gente enfrenta tudo isso aqui”.

Talvez a “Menina dos Olhos” do prefeito Nivaldo de Andrade, deva ser seus eleitores. “Tenho essa esperança de um dia melhorar, mas, infelizmente, até agora, não estou vendo essa luz no fundo do túnel, não.”, encerra Raimundo, com olhar perdido.

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