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MC HRODRIC: a nova face do rap são-joanense

Cantor Rodrigo Amaro promete revolucionar o cenário do rap com um mix de rock, rap e música erudita

22/08/2020 12h12 Atualizada há 2 meses
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Por: João P. Sacramento
MC HRODRIC. Foto: Divulgação
MC HRODRIC. Foto: Divulgação

Nascido em Varginha, o músico e ex-bailarino, Rodrigo Amaro, de 29 anos, assume uma nova faceta, a de Rapper. Formando do curso de História, pela UFSJ, o artista resolveu expor essa sua outra paixão: a música. Com letras recheadas de críticas sociais e políticas, o mais novo rapper, que mora em São João del-Rei há cinco anos, pretende revolucionar o cenário musical.

Rodrigo estuda música desde os 17 e, com referências como Marilyn Manson e Thirty Second To Mars, sempre gostou de rock, onde pretendia seguir carreira. Dentro do Conservatório de Varginha, Rodrigo foi conhecendo outros gêneros. E foi estudando piano, que ele teve contato com a música erudita.

“O Rap participou da minha vida porque eu sou uma pessoa que vim de uma origem humilde”, comenta Rodrigo, em entrevista ao portal Mais Vertentes. No mundo do Rap, Rodrigo têm como inspiração o rapper estadunidense Tech N9ne. “Eu tenho três vertentes: o rock, a música erudita e o rap. E o Tech N9ne é o responsável por mesclar esses estilos”, comenta. Estreando nos palcos do Rap, o músico pretende trazer outros estilos, “sampleando” suas ecléticas referências musicais.

 

MC HRODRIC em estúdio. Foto: acervo pessoal

Com o nome artístico de MC HRODRIC, Rodrigo lançou, em junho deste ano, a música “Pet Shop”, carregada de críticas à polarização política pela qual o Brasil vem passando nos últimos anos. Com o refrão “Estou aqui e vou dizer o que você não quer ouvir / Lula ou Bolsonaro, não estou nem aí / Se te incomoda sinto muito, mas eu vou te falar / Não votei em Pet Shop pra político estimar”, o rapper faz críticas severas aos apoiadores dos dois políticos. “De um lado você tem o Lula, que é representado como o Pai dos Pobres, o protetor dos direitos humanos e, principalmente, o Lula é visto como vítima de perseguição política”, comenta Rodrigo sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Do outro lado, têm a outra figura política que é o Bolsonaro, que é visto como o Salvador da Pátria, que é capaz de resolver todos os problemas do Brasil, principalmente, a criminalidade e a corrupção”, afirma o rapper sobre o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Segundo Rodrigo, sua crítica vem da discussão que foi criada entre esses dois personagens e que inviabiliza uma conversa racional sobre “os verdadeiros problemas do país”, diz o músico. “A gente têm uma discussão que é permeada de ódio, insensata, desequilibrada e que desvia, por exemplo, a atenção de questões que deveriam ser discutidas, entre os militantes, que é ‘Qual é o papel do Estado no combate das desigualdades sociais?’”, completa Rodrigo, que diz que esses assuntos foram esquecidos.

A música Pet Shop, que vai ganhar um videoclipe em breve, trouxe dor de cabeça para o cantor. Durante a entrevista, Rodrigo citou que os integrantes do videoclipe “não queriam revelar suas identidades, justamente por causa do conteúdo político”. O clipe, que foi gravado durante a quarentena e que respeitou todas as normas de segurança, traz como referências visuais dois clássicos de mundos diferentes: O Pinóquio e a saga Star Wars.

Mesclar referências diversas parece ser o DNA que Rodrigo quer trazer para sua carreira. O músico explica como vai utilizar dois elementos tão distintos, em clipe com cunho de crítica política: “O Star Wars, existe uma disputa na galáxia, pelo poder, onde existe o lado do bem e o lado do mal. O lado negativo é conhecido como lado negro da Força e têm como objetivo derrubar a república e construir um império. E o império consegue se impor através da força e dos ‘StormTroopers’, que são os soldados do Império.”, explica. Com o objetivo de preservar a identidade dos integrantes, Rodrigo decidiu caracterizar os participantes. Neste sentido, os apoiadores do Bolsonaro seriam os Stormtroopers, que “fazem uso da força pra se manter no poder” e os apoiadores do Lula virão fantasiados de Pinóquio, pois, segundo o artista, “representam as marionetes do Lula Livre (movimento)”. Como ex-bailarino, o clipe do Rodrigo não poderia faltar uma coreografia. Segundo ele, a coreografia é uma “adaptação conceitual” das histórias reais de suas referências, colocando “gestos característicos das personagens e elementos visuais”.

Assista ao teaser do videoclip Pet Shop

Próximos lançamentos de MC HRODRIC

O cantor Rodrigo Amaro também é bailarino e lutador de Taekwondo.
Foto: Divulgação

Rodrigo, têm previsão de lançar novas músicas nos próximos meses: “Uma música em setembro, uma em outubro, outra em novembro e, em dezembro, eu devo lançar umas três ou quatro”, compartilha o cantor. Todo esse repertório será o conteúdo de uma live em dezembro, para lançar o álbum. A live vai contar com convidados como o Mineiro 13, com quem Rodrigo têm parceria em uma faixa.

Parece que nomes são bastante especiais para o rapper. Seu álbum trará o título de “Outra Face”, pois, “sua iniciação no rap é uma novidade” para o público e para os conhecidos. Então o “Outra Face”, vem pra pontuar uma nova fase artística e ideológica. O álbum contará com críticas sócio-políticas e às realidades sociais pouco favorecidas. Já seu nome artístico, têm origem em sua “face” de historiador, por faz menção ao rei visigodo Rodric, que deu origem ao nome Rodrigo.

Sobre seu álbum, Rodrigo diz que espera “que as pessoas ouçam a minha música e se identifique com elas”, e “são músicas que trazem reflexões”. E adianta que a faixa de setembro fala sobre coronavírus, seguindo as temáticas atuais.

 

Crowdfunding: o financiamento através dos fãs

Em tempos de quarentena, onde não há tantos shows e as aglomerações, antes desejadas pelos fãs, agora estão proibidas, o incentivo e o patrocínio aos artistas diminuiu muito. O consumo de arte e entretenimento também mudou neste período de isolamento. O boom das lives parece que é uma realidade que veio pra ficar e está sendo bem aproveitado pelos artistas menores. Para Rodrigo, as lives são muito importantes, “porque, em contexto de pandemia, onde as pessoas não podem frequentar o show, ir pra bares ou qualquer outro tipo de entretenimento, as lives acabam substituindo a relação e o contato do artista com o público dele presencial. Além de ser uma medida de precaução.”

Outra forma muito utilizada pelos artista iniciantes, são os chamados Crowdfunding. O termo, em inglês, quer dizer “financiamento feito por um mutirão”, se traduzido ao pé da letra. Mas pode ser chamado de financiamento coletivo, ou a famosa “vaquinha online”.

O Financiamento Coletivo acontece quando um grupo de pessoas se identifica com o seu projeto e decidem contribuir financeiramente para que ele possa sair do papel, seguindo o fundamento da economia colaborativa. Na maioria dos casos, não existe uma quantia fechada e o apoiador colabora com o valor que pode. Geralmente é uma contribuição em troca de uma gratificação. As recompensas podem variar entre um agradecimento nas redes sociais, um CD autografado, uma camiseta exclusiva, ou até ingresso para futuros shows.

Rodrigo, que está fazendo finaciamento coletivo, até agora já alcançou 55% do valor que ele precisa, e concorda que o financiamento é um incentivo a novos artistas, e complementa: “para uma pessoa que não tem condições, essa é uma das formas de você conseguir o recurso pra alcançar seu objetivo”.

MC HRODRIC: Facebook - Instagram - YouTube

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Mari P

Pensando na importância do financiamento coletivo, especificamente no âmbito artístico, a rapper são-joanense, Mari P, a Rapper que canta a negritude da periferia de SJDR, afirmar que “ele fortaleceu grandemente o trabalho das/dos artistas, exatamente por possibilitar que recursos importantes para a maior profissionalização dos mesmos cheguem a elas/eles.” Mari P, que canta hiphop, também está com uma vaquinha online para financiar 2 de seus projetos. Para ela “o financiamento coletivo acaba se constituindo como uma construção coletiva, sendo que a participação dessas pessoas que ofereceram seus recursos, mesmo sendo na esfera financeira, acaba por possibilitar maior implicação das mesmas com a temática trazida na arte financiada”. A rapper ainda acrescenta que “ essa forma de aquisição de recursos possibilita maior valorização das/dos artistas e de suas produções, além de favorecer maior alcance da mensagem transmitida”.

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