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Geral Fake News

É falso: Hospitais não recebem dinheiro por mortes de Covid-19

O boato surgiu no Facebook e se espalhou pelo Brasil

03/09/2020 12h25 Atualizada há 3 semanas
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Por: João P. Sacramento
Fake News: hospitais não ganham por mortes. Foto: Internet
Fake News: hospitais não ganham por mortes. Foto: Internet

A Comprova desmentiu, em junho, após investigação, uma notícia falsa (fake news) que dizia que os hospitais e prefeituras receberiam uma enorme quantia em dinheiro por cada morte registrada de Covid-19.

A Agência Comprova é uma iniciativa sem fins lucrativos, que reúne jornalistas de 28 diferentes veículos de comunicação brasileiros para descobrir e investigar informações enganosas, inventadas e deliberadamente falsas sobre políticas públicas compartilhadas nas redes sociais ou por aplicativos de mensagens.

De acordo com a Comprova, as afirmações feitas em um vídeo, postado no Facebook pelo médico Édison Carmo, de Minas Gerais, dizendo que hospitais recebem R$ 18 mil para cada registro de óbito pelo novo coronavírus, é falsa. 

No vídeo, que foi apagado das redes sociais, um homem não identificado mostra uma declaração de óbito de um morador do interior do Rio Grande do Sul. No documento, consta que ele tinha suspeita de covid-19. O autor do vídeo diz, mais de uma vez, que conversou com "o médico" que assinou a declaração e que ele teria confirmado que a informação foi incluída apenas para que o hospital pudesse receber o valor. Na postagem, Carmo insinuou que isso estaria por trás do elevado número de óbitos no país. "Entendem agora o altíssimo número de mortes por covid-19?", questionou.

Em outro caso, o deputado estadual, Silvio Fávero (PSL), usou a tribuna da Assembleia Legislativa (ALMT), no dia 29 de junho, para mentir à população. Fávero disse que as Prefeituras Municipais recebem R$ 19 mil por cada morte por covid-19 registrada. O parlamentar também reclamou de não haver distribuição do kit covid, um conjunto de remédios, à população como prevenção.

“Eu vou fazer um detalhezinho aqui pra toda a população mato-grossense e do Brasil. Você sabe quanto ganha a Prefeitura a cada morte? Dezenove mil reais! Cada morte! Dezenove mil reais! Ninguém morre mais de nada, acabou! Câncer... tudo, acabou tudo, ninguém morre. Não existe mais doença no Brasil. A única doença do Brasil hoje é a covid”, disse o parlamentar. Fávero ainda chegou a afirmar que se forem realizadas autópsias nas vítimas do novo coronavírus haveria problema, porque, para ele, tudo é mentira.

Vale ressaltar que o Uol já havia publicado a matéria que negava esse repasse de verba por causa de mortes causadas pelo novo coronavírus no dia 24 de junho, confira aqui.

A vítima em questão, do vídeo divulgado por Édison Carmo,  sequer foi atendida em um hospital e, sim, em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), e tudo indica que o autor do vídeo não teve qualquer contato com a profissional que assinou a declaração de óbito - uma médica mulher. A inclusão da suspeita no documento é feita para atender a uma recomendação de órgãos de saúde.

Para o Comprova, falso “é todo o conteúdo inventado ou que tenha sofrido edições para mudar o seu significado original e divulgado de modo deliberado para espalhar uma mentira”. No caso do vídeo, o autor usou uma declaração de óbito verdadeira para criar uma narrativa falsa.

As informações não são verdadeiras porque a definição dos valores destinados pelo Ministério da Saúde para ações de enfrentamento à pandemia não toma como base o número de pacientes infectados ou mortos. 

O Ministério da Saúde negou esse repasse de dinheiro para as instituições e encaminhou uma nota à Comprova: “O Ministério da Saúde informa que não repassa verba para registro por morte. A pasta realiza o repasse de recursos para ações e serviços públicos de saúde. Esta verba é usada por secretarias estaduais e municipais de saúde para custeio de serviços, aquisição de insumos básicos para o funcionamento dos postos de saúde e de hospitais, por exemplo, além de proporcionar equipamentos e recursos humanos a estados e municípios no atendimento à população atendida pelo Sistema Único de Saúde”, diz a nota do Ministério da Saúde.

Vale reforçar que a pandemia de covid-19 está no centro do debate político brasileiro. De um lado estão estados e municípios, que lidam diariamente com problemas causados pela doença, como hospitais lotados e falta de equipamento. Do outro lado, apoiadores do presidente e demais grupos de direita minimizam o impacto do novo coronavírus no país, alinhados com o discurso de Bolsonaro, que já chamou a covid-19 de "gripezinha" e afirmou que o Brasil não ia sofrer com os efeitos dela. 

Até o dia de ontem (2), o Brasil já registrou 4.002.006 casos de Covid-19. O país também registrou, em número de mortes: 123.899 óbitos. Isso é sofrer, para o Presidente?

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