Quinta, 22 de Outubro de 2020 03:21
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Geral Censura

Portal Mais Vertentes sob censura

Diversos jornalistas, entidades e órgãos de representação repudiam o ato

30/09/2020 16h53
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Por: Adriano Vianini
(Foto: Eric Drooker)
(Foto: Eric Drooker)

Mais Vertentes foi alvo na última segunda-feira (28), de uma inaceitável censura, o que a Constituição explicitamente repudia. 

O Juiz da 2ª Vara Cível da Comarca de São João del-Rei, Pedro Parcekian, a pedido do autor Raphael Bevilacqua Campelo Pereira, proibiu o Mais Vertentes de exibir a coluna social Aí, que loucura!, que menciona "Após diversas festas em bairro nobre, casal “famoso” testa positivo para Covid-19". O Juiz pede ainda segredo de justiça no processo e multa de até R$ 100 mil reais caso o portal não retire a matéria do ar em 24 horas.

Colunistas sociais trabalham "caçando" notas sobre artistas, celebridades, milionários, figuras excêntricas, autoridades e outras pessoas.

Contudo, a coluna social divulgada na última quinta-feira (24), também faz um alerta sobre a disseminação da Covid-19 em festas realizadas pelas “figuras excêntricas” da cidade e que, em nosso ponto de vista, é mais grave por causar danos à saúde da população que “transtornos à vida profissional” dos personagens insinuados na nota - que em nenhum momento foram citados os autores ou divulgadas falsas informações.

O portal Mais Vertentes acatou a liminar judicial e retirou a matéria do site e das redes sociais às 23h59 da última segunda-feira (28). Também está recorrendo à decisão do Juiz.

Notas de repúdio e apoio ao Mais Vertentes

Diversos jornalistas, órgãos de imprensa, sindicatos e representantes da sociedade civil se manifestaram em repúdio à censura sofrida pelo portal Mais Vertentes e em favor à imprensa livre. Nossos sinceros agradecimentos"

AMMASDEL-REI

Janaine Ferreira (candidata à prefeitura de SJDR pelo PSTU)

Portal Dores de Campos

Portal Lagoa Dourada

Portal Notícias Gerais

Revista Mana

SINDMETAL

Sind-UTE

 

Editorial (nota de repúdio)

A elite São-Joanense não sabe conviver com a imprensa livre

Conformada por uma imprensa chapa-branca - aquela que vive do dinheiro do governo/políticos, transferido via publicidade ou benefícios fiscais, ou cargos públicos, e que produz jornalismo marrom, que privilegia uma determinada visão dos fatos, aquela sustentada pelo seu patrocinador/político - a elite São-Joanense acostumou-se com informações cujo principal objetivo é beneficiar a ela própria.

De colunas sociais do antigo jornal impresso e no melhor estilo “viagem de férias da filha da Sra. Xis na Disney”“Casamento dos sonhos dos filhos dos Doutores (sempre em caixa alta para valorizar) X e Y”, à “Lua de Mel em Paris”, a sociedade São-Joanense odeia crítica. Sabe por que? Ela mesma não sustenta a imagem que vende!

O jornalismo que sai dessa sociedade obviamente não é livre. Cabe ao jornalismo, com responsabilidade argumentativa e liberdade de expressão, fiscalizar o poder e prestar informações e opiniões relevantes para o público, segundo os direitos e necessidades da comunidade. 

Conforme cita o grande jornalista Eugênio Bucci, em Sobre Ética e Imprensa (2000), “falar em imprensa livre é falar numa prática de comunicação social historicamente forjada pela modernidade que organiza o espaço público, o Estado e o mercado, segundo o primado dos direitos do cidadão.”

Jornais de todas as linhas (impresso, rádio/tv e internet) devem existir porque os cidadãos têm o direito à informação (garantido em todo o mundo democrático, sobretudo desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, que estabelece, no artigo 19, o direito à liberdade de opinião e expressão, que inclui a liberdade de “procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras” e garantido também no Brasil pela Constituição Federal, artigo 5º – XIV). Sem que esse direito seja atendido, ressalta Bucci, “a democracia não funciona, uma vez que o debate público pelo qual se formam as opiniões entre os cidadãos se torna um debate viciado”.

Quando o poder age no sentido de subtrair ao cidadão a informação que lhe é devida, está corroendo as bases do exercício do jornalismo ético, que é o bom jornalismo, e corrompendo a sociedade. Só os tirânicos percebem a imprensa livre como ameaça, como era o caso de Adolf Hitler. O líder nazista, em Mein Kampf (1932), teve a pachorra de defender a mordaça dirigida às ações jornalísticas.

O ódio e a fúria dos mandões contra a imprensa, expressa em Cale a boca, jornalista! (2008), de Fernando Jorge, provêm de um “Estado aristoplutocrático”. O neologismo criado por Jorge visa a denunciar o seguinte sistema político que tenta inviabilizar o jornalismo investigativo de qualidade.

Desde a época do Império até os dias atuais, silenciar jornalistas se revela como um dos aspectos mais violentos cometidos pelo Estado aristoplutocrático. Em São João del-Rei não é diferente, especialmente quando trata-se da uma "elite" autoritária, que inviabiliza qualquer regime democrático, seu desejo de tudo ser na base do “aqui quem manda sou eu”, “sabe com quem está falando", "eu demito e admito quem eu quiser”, que não admite qualquer contestação a suas ideias, a seus modos de vida, privilégios, interesses e poder. 

Portal Mais Vertentes, há quase dois anos na plataforma web, é um site jornalístico online cuja a missão é orientar os cidadãos de São João del-Rei e região do Campo das Vertentes com um jornalismo sério, independente e investigativo que visa promover bens noticiosos de utilidade pública. Com isso, nosso objetivo vai além de informar: consiste em investigar, comparar, alertar, prevenir e explicar. E por que não entreter?

No ar desde 2018, o portal é produzido por jornalistas sérios, comprometidos por uma cidade melhor, sem patrocínio ou apoio político e que vem ganhando, a cada dia, mais audiência e credibilidade. 

O portal Mais Vertentes nesses dois anos já divulgou mais denúncias e informações relevantes do que muitos jornais locais produziram em décadas!

Porém, para a pequena "elite São-Joanense",somos uma ameaça ao status quo que eles por séculos sustentam. E, com isso, quando não o faz abruptamente, monopoliza os meios de comunicação seja através do seu aparelho administrativo de censura, seja da máquina de financiamento político, pelo cancelamento de concessões ou medidas protecionistas, ou ainda, pelo famoso "jeitinho" com os amigos "do clubinho".

Lamento meus caros, mas não vamos nos calar!

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