Quinta, 26 de Novembro de 2020 14:28
32 999532355
Polícia Ao resgate

Ritápolis: Padre tenta recuperar imagens sacras furtadas há 22 anos

Com a ajuda do Ministério Público, o padre Adriano Tércio espera resgatar as imagens de São Sebastião e São Manuel, furtadas do Santuário Diocesano Santa Rita de Cássia

21/10/2020 15h50 Atualizada há 1 mês
210
Por: João P. Sacramento
Foto: Divulgação / Arquivo
Foto: Divulgação / Arquivo

Em Ritápolis começa uma ação para resgatar duas imagens sacras do século 18 furtadas há 22 anos do Santuário Diocesano Santa Rita de Cássia. À frente, está o pároco, reitor Adriano Tércio Melo de Oliveira, que entrou com uma representação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) na esperança de trazer de volta as imagens de São Sebastião e São Manuel.

"Por que essas imagens ainda não voltaram para Ritápolis?", é o que pergunta o padre Adriano, que tem pela frente não apenas uma questão judicial, mas também um misterioso quebra-cabeça faltando peças. 

 Segundo ele, tudo começou em 27 de março de 1998, quando foram levados diversos objetos de devoção da igreja, entre eles a padroeira Santa Rita e São José. Em operação da Polícia Civil de Minas Gerais, as duas imagens foram encontradas em Campinas (SP), mas as de São Sebastião e São Manuel não voltaram ao altar. No livro de tombo da paróquia, padre Adriano encontrou registrado que ambas ficaram em Campinas, "porque a compradora das mesmas se encontrava viajando".

Imagens roubadas em Ritápolis. Foto: Divulgação

Padre Adriano está disposto a trazer de volta as imagens do santuário, vinculado à Diocese de São João del-Rei. O religioso conta uma história conhecida na cidade, antigamente chamada Santa Rita do Rio Abaixo: a imagem de São Sebastião teria pertencido à capela dedicada ao santo, na qual fora batizado o herói da Inconfidência Mineira (1788-1789) Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, nascido na Fazenda do Pombal. 

A iniciativa do pároco reitor de Ritápolis vem dando resultado e já teve resposta no MPMG. O promotor de Justiça da comarca de São João del-Rei, Antônio Pedro da Silva Melo, informou que ajuizou ação para investigação do caso, requisitando às delegacias de Ritápolis e de Campinas os inquéritos da época sobre o furto do acervo e a operação de apreensão na cidade paulista. 

O promotor citou exemplos positivos de retorno de imagens desaparecidas de templos centenários, como a de Nossa Senhora do Rosário, de Prados, também no Campo das Vertentes, do portal da igreja do Matozinhos, em São João del-Rei, e dos chamados anjos de Santa Luzia, do Santuário Arquidiocesano de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que, há 17 anos, foram retirados de um leilão no Rio de Janeiro (RJ) e ficaram como símbolo da história do resgate de peças sacras no país.

Inventário da Paróquia. Foto: Arquivo

A história foi relatada na época

O Padre mostra o livro de inventário da paróquia, no qual o padre Crispiniano, em 1860, registrou a existência das duas imagens barrocas desaparecidas com altura de "quatro palmos". No livro de inventário do Santuário Arquidiocesano Santa Rita de Cássia, padre Adriano, há dois anos pároco reitor, encontrou a descrição minuciosa do furto das imagens de Ritápolis.

"Numa sexta-feira, dia 27 de março de mil novecentos e noventa e oito, a imagem de nossa padroeira, Santa Rita de Cássia, foi furtada por ladrões inescrupulosos, deixando um vazio não só no trono da mesma, mas um vazio muito maior no coração dos devotos dessa venerada imagem. Junto com essa imagem, levaram também as imagens de São José, São Sebastião e São Manuel".

Após prisão da quadrilha responsável pelo furto, as peças foram levadas para São João del-Rei, passaram por perícia e retornaram a Ritápolis em 10 de maio de 1998, Dia das Mães, conforme anotado no livro da paróquia. E há o registro de que "as imagens de São Sebastião e São Manuel ficaram em Campinas, porque a compradora das mesmas encontrava-se viajando".

Minas procura

Conforme o último levantamento do Ministério Público de Minas Gerais, por meio da Coordenadoria das Promotorias de Justiça do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC), que tem como titular a promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira, há, do patrimônio mineiro, 742 peças desaparecidas e 539 judicializadas. Em 17 anos da campanha, foram apreendidas 419, incluindo imagens, castiçais, sinos, partes de altares e outros bens.

Quem tiver informações sobre peças desaparecidas e quiser fazer denúncias pode acionar o Ministério Público de Minas Gerais pelo e-mail: [email protected] e pelo telefone (31) 3250-4620. 

Para obter ou dar informações, basta acessar o site www.iphan.gov.br e verificar o banco de dados de peças desaparecidas. Denúncias anônimas podem ser feitas pelos telefones (61) 2024-6342, 2024-6355 e 2024-6370, do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (Depam) e pelo e-mail [email protected]. Ou através do Iepha-MG pelo site www.iepha.mg.gov.br ou pelo telefone (31) 3235-2812 ou 3235-2813.

Com informações: Jornal Estado de Minas

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ritápolis - MG

Ritápolis - Minas Gerais

Sobre o município
Notícias de Ritápolis - MG
São João del Rei - MG
Atualizado às 14h12 - Fonte: Climatempo
24°
Muitas nuvens

Mín. 15° Máx. 24°

24° Sensação
18.9 km/h Vento
49.2% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (27/11)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 14° Máx. 27°

Sol com algumas nuvens
Sábado (28/11)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 14° Máx. 25°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.
Ele1 - Criar site de notícias