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Entre a responsabilidade e o populismo

Por Helvécio Reis, professor e colunista do Botando os Pingos nos is, do Mais Vertentes!

18/11/2020 16h50 Atualizada há 2 meses
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Por: Adriano Vianini
Helvécio Reis: Novo colunista do Mais Vertentes. Coluna de política, economia e outras coisas mais!
Helvécio Reis: Novo colunista do Mais Vertentes. Coluna de política, economia e outras coisas mais!

Um artigo do Mais Vertentes motivou-me a escrever este artigo. Uma expressão sobre mim no texto expõe uma conclusão parcial dos fatos. Não faço parte da turma que pariu o meu sucessor, persistente e dependente ele que é da porta da Prefeitura desde sua primeira eleição. Ao contrário, todas as forças políticas da cidade se juntaram na minha época e se juntam ainda hoje para promovê-lo, porque sabem que, dividida a oposição, mais fácil fica o caminho para meu sucessor. 

Passei quatro anos arrumando a Prefeitura que herdei com dívidas, vícios e infinitos problemas. Alguém minimamente inteligente compreende isso. Poderiam me dizer que eu sabia disso quando me candidatei, e eu poderia responder que imaginava, mas ruim para o que recebi era otimismo demais. Durante os quatro anos fiz o papel de dona de casa: arrumei a casa.

Veio a crise econômica de fins de 2014 e com ela os desgastes político e ético que meu partido (PT) à época sofreu, com consequências até hoje. 

Em 2016, metade dos prefeitos que poderiam tentar a reeleição desistiu da candidatura e, entre os que tentaram a reeleição, 47% deles obtiveram êxito no pleito. É um dos índices mais baixos dos últimos 50 anos. Em 2012 e 2008, a aprovação de candidatos à reeleição foi de 63%, com um número bem menor de desistentes. Em 2018, irrompeu na política a onda a favor do novo, e já sabemos no que deu isso. Em 2020, os dados das eleições ainda não foram tabulados, mas estima-se que o número de prefeitos reeleitos seja maior. A população, pelo visto, preferiu escolher a experiência a arriscar com o desconhecido, talvez preocupada com a pandemia. Neste ano, a desistência de prefeitos que poderiam tentar a reeleição foi de 23%.

2016 foi de fato um ano atípico. No final da primeira metade do meu mandato (2014), o município de São João del-Rei passou a enfrentar uma queda significativa de receitas. Era preciso escolher entre a responsabilidade e o populismo. Evidentemente, não me permiti outra coisa: para muitos, péssima decisão. Alguns conselheiros me diziam para fazer isso ou aquilo, porque teria voto. Ao contrário, preferi fazer o dever de casa: minha responsabilidade falava mais alto e meu desejo pela segunda candidatura já tinha se esfriado. Posso reconhecer erros, mas não me arrependo de ter administrado para colocar a casa em ordem a fim de entregá-la ao meu sucessor bem, significativamente bem melhor do que a recebi. E tenho convicção de que a cidade colhe frutos disso até hoje.

Eu decidi não concorrer em 2016 e tomei essa decisão para preservar minha família.

Cheguei a ouvir que, se deixei a Prefeitura arrumada para meu sucessor, bem-feito para mim. Cheguei a ser indagado se tinha deixado dinheiro em caixa; quando disse que deixei cerca de R$ 4 milhões, fui repreendido. A política brasileira é, feliz ou infelizmente, assim. Mas não concordo com essa lógica. A decepção em relação à política que capitula crescentemente os brasileiros de todos os lugares tem a ver com essa lógica. Entretanto, se por um lado se quer mudança, por outro nossa ansiedade por resultados imediatos alimenta a mesma lógica. Independentemente de quão necessários e da qualidade desses resultados, essa lógica incentiva o populismo, o político responsável passa a ter “vergonha” de ser assim e mais decepcionados com a política ficaremos. 

 

Helvécio Reis é professor, ex-reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ - 2004 a 2012) e ex-prefeito (2013 a 2016). Escreverá quinzenalmente para a coluna Botando os Pingos nos is, do Mais Vertentes!

 

 

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