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Opinião Os Pingos nos Is

Tudo está como deveria estar, por Helvécio Reis

Se você fica estarrecido com o que ouviu no áudio recente [entre Nivaldo e Mara], saiba que não é novidade alguma na política o que se passou ali.

10/12/2020 15h52 Atualizada há 5 meses
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Por: Adriano Vianini
Imagem: David G. Ferreira
Imagem: David G. Ferreira

A gravação que se tornou pública sobre “negócios” do prefeito reeleito com uma futura vereadora eleita não vai dar em nada. Algum barulho, e só! Inconformismo? Talvez! Na próxima semana, o assunto será outro. 

Em 2018, na eleição para presidente da República, o povo, com os nervos à flor da pele, votaram pensando em renovação na política. Era a “nova” política que emergia, fazendo contraponto à “velha” política do “toma-lá-dá-cá”, do clientelismo, do fisiologismo. 

Partidos desconhecidos cresceram. É o caso do Novo e do PSL. Partidos velhos trocaram de nome, tudo pelo voto do brasileiro: o termômetro político tinha captado a ira do eleitor brasileiro contra os velhos políticos e as raposas da política. O PEN virou Patriota; o PPS virou Cidadania; o PTN virou Podemos; o PMDB tirou o P da sigla e passou a denominar-se MDB. Políticos pouco conhecidos ganharam projeção, dentre os quais o próprio presidente Jair Bolsonaro, até então deputado do baixo clero da Câmara dos Deputados. Políticos novos cresceram no embalo do “troca todo mundo”. Muitos desses fizeram campanhas dizendo ao povo que não eram políticos, o que pareceu música aos ouvidos irritados do povo com a “velha” política.

Com o tempo, foi-se percebendo que o novo não era tão novo: era na verdade uma velha senhora usando a máscara de menino. Bolsonaro fez alianças com o Centrão no Congresso, o que irritou seus eleitores. E vê-se cada vez o Centrão ganhando espaços. Bolsonaro, a bem da verdade, até que tentou fazer política sem fazer alianças com o Congresso. Perdeu em muitas votações. Foi obrigado, por causa da política, a fazer muitas concessões, meio que “mordendo a própria língua”. O Centrão e os deputados que votavam com o Governo Federal ganharam cargos no executivo, tinham suas emendas liberadas desde que votassem favoravelmente em projetos de interesse do governo. Alguém acha que chegam recursos nas bases eleitorais dos parlamentares por quê? Para se votar, por exemplo, na reforma da Previdência, os deputados que foram a favor tiveram suas gordas emendas liberadas pelo governo federal, na época. Há quem diga que recursos de combate à pandemia foram liberados com a condição de o deputado da base beneficiada conseguir reverter as medidas de isolamento social que o prefeito adotava.

Alguns parlamentares conseguem sobreviver sem esse “toma-lá-dá-cá”, até porque, e ainda bem, há muitos eleitores críticos que analisam o desempenho do parlamentar por outras variáveis, como lisura, projetos apresentados, frequência no plenário. Há muitos eleitores que preferem ver seus direitos defendidos pelo parlamentar a ficarem à mercê de “negócios”, de favores do executivo: cargos, grana para projetos de interesse do parlamentar, recursos para obras em áreas da base eleitoral do parlamentar, cirurgias, privilégios, e por aí vai.

Em São João del-Rei, não é diferente, senão a vereadora Lívia Guimarães não teria sido a mais bem votada entre os candidatos à Câmara. Fazer política séria exige sacrifícios do político. Mas, infelizmente, muitos dos que ficam chocados com o que veem e ouvem de seus representantes políticos, não fazem esforço algum para a mudança, mesmo que expressem desejá-la. 

Se você fica estarrecido com o que ouviu no áudio recente, saiba que não é novidade alguma na política o que se passou ali. Se prefeito, governador ou presidente não fizerem “política” com o Legislativo, rapidamente aparecerão comissões parlamentares de inquérito (CPIs), e até processos de impeachment para tentar convencê-lo de uma “aproximação”. 

Se você já imaginava, mas está envergonhado, não é renegando a política que vai consertar isso. É preciso lembrar que somos governados por políticos e pela política. Para mudar, comece votando nas eleições. Em 2020, 33% dos eleitores não compareceram às urnas, e estes, por mais que estivessem revoltados e propagassem sua insatisfação na abstenção, no voto nulo e no voto em branco, serão igualmente governados pelos políticos eleitos, goste deles ou não. E sabe o que vai acontecer com essa sua manifestação de insatisfação? Nada, desculpe.

Em 2020, numa espécie de penitência, os eleitores preferiram os políticos da “velha” política a arriscar com o “novo”: os partidos que mais elegeram candidatos a prefeito formam o Centrão: PP, PSD, PL, PTB, PSC, SD, PSL, Avante, PROS. 40% dos prefeitos eleitos nas últimas eleições são filiados a um desses partidos. 

Como Tomasi di Lampedusa disse: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”. 

Helvécio Reis
Helvécio Reis é professor, ex-reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ - 2004 a 2012) e ex-prefeito (2013 a 2016). Escreverá semanalmente ou quinzenalmente para a coluna Botando os Pingos nos is, do Mais Vertentes!
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