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Opinião Pingos nos Is

Quero a vacina a que tenho direito, independentemente da língua dela

Por Helvécio Reis, professor

22/12/2020 19h32 Atualizada há 1 mês
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Por: Adriano Vianini
Margaret Keenan, de 90 anos, foi a primeira a receber a vacina contra Covid-19 - Pool / Getty Images
Margaret Keenan, de 90 anos, foi a primeira a receber a vacina contra Covid-19 - Pool / Getty Images

Parece que estamos recomeçando o mês de março, quando tudo começou. Um vírus tinha feito centenas de mortos em pouco mais de um mês na China. Em meados de março o estresse tomou conta do Brasil. Tudo fechou. O caos estava desenhado no horizonte. Fiquei me lembrando de alguns filmes, até então de ficção. 

Nenhum dos mortos da Covid-19 retornará, como nos filmes de zumbis. Para que se nós, os ainda vivos, viramos zumbis de nós mesmos?

Achava-se que no início de abril tudo voltaria ao normal: já estamos na segunda onda, ou terceira?, ainda mais grave do que a primeira, consequência do libera geral. A área de saúde está pedindo socorro, pressentindo o colapso do sistema. Eu simplesmente não acredito nos números publicados. Depois que o Ministério da Saúde tentou alterar a estatística passei a não acreditar mais. Há muita subnotificação e muitos falsos negativos. 

Como expressou Ricúpero, o político só quer saber de capitalizar coisas boas. Correm e negam as coisas ruins, muitas vezes fazem-se de mudos e surdos nessa hora. Por outro lado, são competentes em encontrar um bode expiatório em suas desculpas. De fato, nós somos os culpados por agirem assim.

Nesses 10 meses de pandemia, acompanhou-se o fracasso de políticas públicas brasileiras tradicionais, o negacionismo deslavado contra a ciência, os boicotes a iniciativas que diferem dos planos do executivo. Se pode dificultar, para que facilitar, não é mesmo? Cloroquinas, ivermectina, ozônio, azitromicina... Um sem número de produtos “milagrosos” apareceu. Nenhum deles provou cientificamente sua eficácia no tratamento da Covid-19. Ah, e não posso deixar de lembrar: o vírus chinês é uma invenção comunista para acabar com o mundo ocidental. O mundo, exceto a China, vai virar uma Venezuela!

O Brasil tem o SUS, objeto de desejo do mundo inteiro. Por que não dar um tiro no próprio pé de uma vez, fazendo-se campanha contra ele no momento que mais se precisa dele? Infelizmente, os recursos que financiam o SUS são insuficientes, e, claro, muitas vezes mal gasto. Mas aqui no Brasil é assim: ao invés de se investir na poda do que está errado, prefere-se derrubar a árvore inteira. Se não fosse o SUS, e essa estrutura será fundamental para a vacinação, muito mais brasileiros já teriam partido para o outro lado do mundo.

O presidente da República decidiu seguir a linha do colega Trump: negar a doença, impor tratamentos duvidosos, desrespeitar as normas sanitárias e, agora, negar e desqualificar a vacina. A reeleição do nosso será pauta para 2022, mas o nosso presidente custou a perceber que seu colega do Norte perdeu a reeleição. Perdeu, entre outras razões devido ao seu comportamento errático no enfrentamento à pandemia.

Governos deverão responder, judicialmente se necessário for, por terem sido maus exemplos para a população. Muitas pessoas estão morrendo, e poderiam ter sido salvas, se políticas públicas sérias, consistentes, que unissem todo o Brasil de forma coerente, tivessem sido praticadas desde o início. 

O vírus está sendo “superdimensionado”. Estamos vivendo uma “pequena crise”. A questão do coronavírus é muito mais uma “fantasia”: “não é isso tudo que a grande mídia propaga pelo mundo todo”. Não podemos entrar numa “neurose” para justificar toda essa “histeria”. “Depois da facada não vai ser uma gripezinha”, ou isso será no máximo um “resfriadinho” no meu “histórico de atleta”. Em 2019 “o H1N1 matou 800 pessoas no Brasil; não se pretende alcançar esse número com a Covid-19”. Mais de 180.000 brasileiros já perderam suas vidas para a Covid-19; no mundo, mais de 1,6 milhão. Também, pudera, não enfrentamos o vírus como “homens”, mas como “moleques” ou “maricas”. E para não deixar mais essa pérola de fora: “estamos vivendo o finalzinho da pandemia”. Em São João del-Rei, nesses finalzinho de pandemia, foram registrados 1.741 casos (último dia do registro 22/12).

A doença é séria. O vírus é uma roleta russa. Entretanto, os relatos que se encontram nas redes dão conta de que a angústia e a tirania da espera fazem sofrer mais do que a própria doença. Que venha a vacinação! Ainda bem que o STF tenha decidido em favor da população, permitindo que Estados e Municípios possam comprar as vacinas de qualquer língua, desde que tenha aprovação em algum órgão internacional, caso a Anvisa omita-se aqui dentro, e podem promover suas próprias campanhas de vacinação, sem a centralidade de Brasília.

São João del-Rei já comprou? Neste Natal, vou pedir para todos os brasileiros: quero a nossa vacina!

 

Helvécio Reis, professor

Helvécio Reis é professor, ex-reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ - 2004 a 2012) e ex-prefeito (2013 a 2016). Escreverá semanalmente ou quinzenalmente para a coluna Botando os Pingos nos is, do Mais Vertentes!

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