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Economia Minas Consciente

Minas Consciente: Sem consenso, prefeitos da macrorregião Centro-Sul aguardam deliberação do Comitê Extraordinário Covid-19 sobre funcionamento do comércio

Gestores questionam o critério sanitário do programa Minas Consciente em abrir exceções na Onda Vermelha. Em SJDR, Nivaldo peita Ministério Público e pede reunião com os prefeitos da microrregião para evitar que “comerciantes continuem a tentar pular o muro de sua casa”, em Tiradentes

22/12/2020 21h45 Atualizada há 6 meses
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Por: Thais Marques
Comerciantes se reúnem no Teatro Municipal de São João del-Rei para participar da reunião da macrorregião Centro-Sul junto ao prefeito de SJDR Nivaldo de Andrade. Foto: Divulgação
Comerciantes se reúnem no Teatro Municipal de São João del-Rei para participar da reunião da macrorregião Centro-Sul junto ao prefeito de SJDR Nivaldo de Andrade. Foto: Divulgação

Em reunião nesta tarde de terça-feira (22), para a apresentação do cenário epidemiológico e assistencial da macrorregião Centro-Sul, prefeitos de diversas cidades explanaram a situação de seus municípios e cobraram atitudes do governo estadual em relação às exceções dentro da Onda Vermelha, do programa Minas Consciente. 

Durante três horas de reunião, vários prefeitos e representantes públicos discutiram e encaminharam deliberações ao Comitê Extraordinário Covid-19 do estado. O Mais Vertentes acompanhou a reunião e alguns gestores relataram incoerência do programa ao permitir, na fase mais restritiva, o funcionamento do comércio varejista, por exemplo, e restringir bares, restaurantes e salões de beleza. Outros responsabilizaram a realização das eleições como um dos motivos para o aumento dos casos, defenderam que o comércio não pode ser “crucificado”, e relataram a falta de diálogo do governo do estado com os municípios, que acatam o que é decidido “de cima para baixo”.

O prefeito de São João del-Rei, Nivaldo de Andrade (PSL), reafirmou o que disse durante a reunião com os empresários do município, no início da manhã desta terça-feira, de que “por ele, abriria tudo”. Nivaldo ainda acrescentou que o aumento de casos de coronavírus são em decorrência “dos jovens frequentando os bailes”. “Esse aumento da Covid não foi bar, não foi restaurante e nem foi salão de beleza e academia. O aumento veio através da liberação dos bailes com 400 pessoas. Os jovens iam para os bailes, voltavam e passavam para seus pais e avós, não foi o comércio. Por isso que a nossa reivindicação é de abrir”, afirma Nivaldo. 

Segundo o prefeito de SJDR, os comerciantes ficaram oito meses sem “ganhar um real”, e que fizeram dívidas quando foram reabrir seus estabelecimentos. “Em SJDR a situação é pior, porque todos os municípios da região que tava tudo aberto, quando adoece, quem paga o pato é a prefeitura de SJDR”, diz. 

Mais uma vez, Nivaldo afirmou que os municípios vizinhos “não contribuem em nada com SJDR”. “Eu que tenho que viajar para comprar respirador para atender na UPA”, afirma.

Sobre a reunião que aconteceu na prefeitura municipal com os empresários, no início da manhã, Nivaldo diz que eles estão desesperados e “com razão”, pois os salários dos promotores, professoras, prefeitos e todos os funcionários públicos estão garantidos. “O nosso, dia primeiro tá lá e que se dane se vai abrir o comércio. Que se dane, o nosso vai cair dia 30, nós não estamos devendo nada. Por isso que nós, os prefeitos, procuradores e promotores, nós devemos trabalhar para que o comércio abra, mas com segurança. Com segurança não vai ter problema nenhum”, disse.

“O problema é os bailes que tão acontecendo nas fazendas, nos sítios, na represa com mais de 500 pessoas. Aí aciona a polícia e quando chega lá todo mundo vai embora. Eu estou acompanhando o Minas Consciente, mas se tiver uma votação entre os prefeitos, eu vou votar e vou assinar para abrir o comércio”, defende Nivaldo durante a reunião.

A prefeita de Santa Cruz de Minas, Sinara Campos (sem partido), com mais coerência, disse que as exceções da Onda Vermelha do programa Minas Consciente têm gerado “todos esses problemas”, e que a decisão é uma “hipocrisia”. 

“Eu acho que quando o Minas Consciente abre uma exceção para Onda Vermelha, coloca em descrédito a própria Onda Vermelha. Ou é um lockdown ou se abre tudo. O que fizeram com a Onda Vermelha, disfarçada de Amarela e que o povo tá chamando de Laranja, realmente é isso, é uma hipocrisia. É uma hipocrisia sanitariamente, política e econômica o que está acontecendo, e nós, municípios, estamos à mercê disso e os comerciantes também”, afirma a prefeita.

Sinara deixou registrada em sua fala que Nivaldo foi o único prefeito que permitiu bailes dentre as 51 cidades que compõem a macrorregião. “O senhor que me perdoe. As nossas decisões aqui, umas elas tocam na outra. Então a decisão que tomamos, mesmo que Santa Cruz seja um município pequeno, ela respinga em Tiradentes, ela respinga em SJDR”, defende.

A prefeita diz que diante da situação, é “nítido que os comerciantes não concordam com as exceções do programa”. "Qual é o critério sanitário para que o restaurante não possa funcionar, mas a Casa Lotérica continua com a fila cheia? Qual é o princípio da isonomia dentro da questão dos CNAE (códigos de Classificação Nacional de Atividades Econômicas) para que isso aconteça? Os transportes públicos estão lotados!”

Sinara fala que o Ministério Público sempre foi parceiro, desde o início do Minas Consciente, e que não se esquivou de suas responsabilidades, ajudou os municípios e que neste momento os prefeitos precisam ser mais “práticos”. “Nesse momento devemos ter pé no chão e ser menos hipócrita, me perdoem. Me perdoa o Estado. Qual é a praticidade do fato: nós não temos como controlar as ações e nós não temos fiscalização nos municípios. O Minas Consciente só orienta e a gente tem que se virar para se adaptar, mas nós chegamos num momento em que na questão sanitária foi dada uma exceção por conta da economia. Então que essa exceção seja de fato justa", justifica.

“Eu não tenho dúvida que depois do Natal nós vamos fechar tudo, que em janeiro vai mandar fechar tudo, não tenho dúvida nenhuma. Só que não é justo os restaurantes neste momento pagarem por esse segmento, não é nada justo isso acontecer. Ou a gente se adapta à realidade ou nós vamos viver de hipocrisia tentando ganhar tempo”, afirma Sinara.

Nos encaminhamentos da reunião, Nivaldo de Andrade convidou a prefeita Sinara Campos e os demais prefeitos da microrregião de SJDR para outra reunião na Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes (Amver), pois as deliberações da reunião foram “complexas”. “O MP segue a linha deles, que é de continuar fechado, o médico com a linha dele, que vida vale mais, mas os prefeitos devem fazer uma reunião, para ver a decisão que vai tomar. Senão os comerciantes vão passar o Natal na nossa casa, subindo muro igualzinho foi lá em casa, eles querendo pular muro, que não aguenta mais, invadindo a prefeitura que nem hoje. Temos que nos reunir assim: vamos fechar ou vamos abrir? Eu sou a favor de abrir, mas vamos fazer uma reunião só com os prefeitos pra ver que decisão nós vamos tomar”, disse Nivaldo.

 

Os questionamentos de todos os participantes da reunião serão encaminhados para o Comitê Extraordinário Covid-19 e nem eles, muito menos nós, sabemos quando terão retorno. 

 

O Mais Vertentes seguirá acompanhando as decisões e em breve trará novas informações.

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