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Cidades Artigo

Desenvolvimento em Campo das Vertentes

Enquanto cidades da região das Vertentes avançam e se desenvolvem, São João del-Rei continua em seu ostracismo

24/04/2019 18h26
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Por: Adriano Vianini
Foto: reprodução
Foto: reprodução

Nascido e criado em Sã João del-Rei até os 18 anos, assim como outros jovens são-joanenses que almejam um futuro melhor, parti para a cidade grande em busca de mais conhecimentos, trabalho e, claro, independência. E se passaram 23 anos. A cidade de São Paulo, deixo toda a minha gratidão por me tornar quem sou hoje, mas como diz o velho ditado popular “o bom filho a casa torna”, cá estou eu de volta a São João del Rei, por ironia do destino – e que ironia – há um ano e meio.

Neste meio tempo, enquanto estive fora, sempre vinha a cidade visitar parentes e amigos, de forma esporádica, entre feriados e outros. Minha readaptação na cidade até que foi fácil - ao contrário do que pensei -,  e não tive grandes dificuldades, exceto por alguns fatores que me chamaram a atenção:

Pude observar, neste retorno, o desenvolvimento econômico, social e, em poucos casos, político, de algumas cidades da região das Vertentes. Cidades como Barbacena e Lavras, talvez pela proximidade com as BRs 040 e 381, tiveram um significativo salto de crescimento econômico. Cidades mais históricas como Resende Costa, Prados, Tiradentes e até Santa Cruz de Minas (que era um bairro de SJDR), conseguiram achar seu nicho de mercado. Porém, para minha surpresa, em SJDR nada mudou. E nada mesmo! Saí e retornei com os mesmos governantes, os mesmos comerciantes, o mesmo “clubinho” da tradicional família mineira. Enfim, tudo igual na terra dos Neves – que por sinal não estão nem aí com o país e muito menos com essa minúscula cidade.

Outro fator que me chamou a atenção foi a ausência de bons serviços e, principalmente, do bom atendimento. Nem pensei em comparar com São Paulo, claro, mas por se tratar de cidades que historicamente atraem centenas de turistas. Me impressionei com o péssimo atendimento em grande parte do comércio (lojas, restaurantes e até pousadas), especialmente na cidade de  São João del-Rei. Há exceções, raríssimas por sinal! 

​E essa percepção não é só minha, turistas e visitantes se incomodam com o atendimento por aqui. Diversos amigos de várias partes do país, sempre me pediram dicas e roteiros ao visitarem a região. Eu, como um bom anfitrião, mineiro e orgulhoso por ser são-joanense, mais parecia um guia turístico da região do Campo das Vertentes. Porém, os retornos sempre eram os mesmos: adoravam as cidades, mas o atendimento, especialmente do comércio, deixavam a desejar... 

O mesmo aconteceu quando retomei alguns contatos e apresentei meus serviços como jornalista e publicitário. Cidades economicamente mais desenvolvidas a receptividade foi imediata. Porém, na minha cidade natal, com duas universidades, sendo uma pública e considerada uma das melhores do país, foi o oposto. Salvo, é claro, algumas exceções do público acadêmico de mentalidade mais aberta e inovadora.

Deixei as observações de lado e, como todo jornalista, fui para os fatos e dados. Ao analisar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado de Minas Gerais, São João del-Rei ocupa a 28a posição do ranking; Barbacena a 5a, e Lavras a 19a. Apesar do índice classificar a cidade de SJDR com IDH relativamente alto (entre 0,700 e 0,799), o que mais contribuiu para o crescimento desse índice é a Longevidade da população e a Educação. Porém, não é preciso de estatísticas para saber que a grande parcela da população são-joanense está acima dos 40 anos. 

Ao analisar o PIB (Produto Interno Bruto) da região do Campos das Vertentes, segundo o IBGE, algumas cidades já ultrapassaram o PIB de R$ 1 bilhão, são elas Barbacena (1,5 bi), Lavras, (1,4 bi), Conselheiro Lafaiete e Pedro Leopoldo (1,0 bi) cada. Ao extrairmos o PIB per capita (produto interno bruto dividido pelo número de habitantes), encontramos uma grande disparidade: São João del Rei possui o 3o maior PIB per capita por habitante da região, de R$ 20,4 mil. Isso explica um estudo publicado pelo professor e economista Aluizio Barros, que destaca a cidade, em 2015, como a segunda maior poupança por habitante de Minas Gerais, uma media de R$ 6,6 mil por pessoa. O contrassenso se dá que em 2016, segundo o IBGE, o salário médio mensal dos habitantes da cidade era de 2,3 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 24,2%, e domicílios cuja renda é de até meio salário mínimo por pessoa era de 31,6% da população.

Na educação, percebe-se também uma queda acentuada de jovens que não estudam e, menos ainda, terminam o ensino fundamental e médio. Segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), em 2015, eram 2.541 jovens inscritos no ensino fundamental, e em 2017 caiu para 1.959. O Ensino médio também caiu de 2.451 para 1.959 inscritos. Sem contar os que não terminam o ensino médio que tornou-se um grande desafio do país.

Outra pesquisa relevante realizada por pesquisadores do Departamento de Ciências Econômicas – DCECO, da UFSJ, “Panorama Geral das Condições de Vida na Mesorregião do Campo das Vertentes: Uma Análise de Estatística Multivariada de Componentes Principais”, também com base no IDH, demonstra significativas melhorias da qualidade de vida com o desenvolvimento de alguns municípios, porém em relação à vulnerabilidade, observa-se que o desenvolvimento, por si só, não proporcionou melhoria das condições de vida de seus habitantes. 

Em termos de segurança pública, Lavras que já foi apontada como uma das cidades mais violentas do país, agora figura entre as 10 cidades menos violentas do Brasil, como mostra o “Atlas da violência 2018 – Políticas públicas e retratos dos municípios brasileiros”, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Só perde, em Minas Gerais, para Varginha, e depois para cidades do interior de SP e SC.

Ainda no aspecto econômico, observando e analisando a dinâmica dos municípios mais históricos, é notável o crescimento de algumas cidades que encontraram seus mercados, como são os casos de Resende Costa com o artesanato têxtil; Prados e Bichinho no artesanato, móveis e artes; Santa Cruz de Minas com os móveis rústicos, de demolição e artesanal; Tiradentes no turismo e grandes eventos; Nazareno com a indústria leiteira; e São Tiago com a tradicional fabricação de biscoitos. 

Portanto, afirmar que a região do Campo das Vertentes é promissora nas áreas de turismo é apropriado. Mas dizer que São João del-Rei é potência em turismo cultural já é falacioso. O maior evento cultural da cidade, o Festival de Inverno da UFSJ, mingua a cada ano, com a falta de patrocínio que deveria vir dos próprios empresários locais, e da pertinácia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que não permite mais demonstrações artísticas com público no centro histórico (exceto Carnaval, claro!). Com isso, a cidade vem perdendo espaço para cidades vizinhas, especialmente Tiradentes, com eventos de referências nacional e internacional. E o turismo por aqui se restringe, na maioria das vezes, à estação de trem e à igreja de São Francisco, pois o dinheiro circula mesmo nas outras cidades.

No contexto social, todas as cidades do Campo das Vertentes ainda estão longe da igualdade social, como mostra o Gini da renda domiciliar per capita. Neste cenário, percebe-se alguns avanços no desenvolvimento econômico da região, porém a renda ainda está concentrada nas mãos de poucos, e a grande parcela da população economicamente ativa ganha em média até um salário mínimo. Na saúde, mesmo com boas escolas de medicina na região, e volumosos consultórios médicos, especialmente em São João del-Rei e Barbacena, a população ainda pena por escasso atendimento de emergência, atendimento pouco humanizado, falta de leitos, falta de médicos, longo tempo de espera, diagnósticos equivocados e, principalmente, dependência da capital para casos mais graves. A cidade de São João del-Rei, conseguiu inaugurar em 2018, seu primeiro Centro de Tratamento Oncológico, graças a uma grande mobilização realizada pela Santa Casa da Misericórdia .

Como percebemos, ainda há muito a avançar em todos os municípios do Campo das Vertentes. Isso exige das administrações municipais uma implementação rápida e urgente a fim de melhorar esses dados e, principalmente, trazer benefícios tangíveis para a população. Com persistência e coragem, resolvi trazer minha agência de comunicação, a AVmais Comunicação e Marketing, para a região, com base em São João del-Rei. Como cidadão, morador, jornalista e publicitário me sinto no dever de ajudar a cidade e toda a região do Campo das Vertentes a se desenvolverem. Para fomentar e ampliar esse pensamento crítico, criamos a revista Mais Vertentes, primeira publicação 100% digital – disponível em todas as plataformas e redes sociais – e direcionada à população da mesorregião. Buscaremos, por meio dessa publicação, enaltecer e valorizar a cultura local, o turismo, a gastronomia, os costumes, a nossa gente e, principalmente, combater esse status quoinstalado há tantos anos e, principalmente, ajudar a promover o desenvolvimento sustentável da região, nos aspectos econômico, social e ambiental.  #campodasvertentes #vertentes #desenvolvimento #cidades #artigo #opinião

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Sobre Adriano Vianini
Reflexões sobre o cotidiano.
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