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Opinião Pós-verdade

SOS E.E. João dos Santos. A pós-verdade!

Na era da desinformação, a arte de manipular multidões tem surtido efeitos em campanhas políticas por aqui e lá fora! Técnicas para mentir e controlar as opniões se aperfeiçoam na era da pós-verdade

29/04/2019 às 18h37
Por: Adriano Vianini
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Foto: reprodução
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Hoje em dia, tudo é verificável, portanto não é fácil sustentar uma mentira. Mesmo que as fontes não sejam as mais confiáveis, no jornalismo sério há diversas outras técnicas para se checar as informações passadas, mesmo que demore um pouco mais para conseguí-las, pois, afinal, ainda somos uma mídia incipiente na região das Vertentes.

 

Na era da pós-verdade, “a mentira dever ter uma alta porcentagem de verdade para ser mais factível. E terá ainda maior eficácia a mentira composta totalmente por uma verdade. Parece uma contradição, mas não é”, disse o professor Álex Grijelmo, autor de A Informação do Silêncio. Além disso, após divulgar uma informação, caso não repercuta bem, basta desprestigiar e atacar quem a contradiz - no caso a imprensa ou quem divulgou. As pessoas, consequentemente, escolhem fontes mais próximas (amigos, vizinhos, família, amigos de amigos e até fontes manipuladoras) que creditam ser "verdadeiras" e compartilham a informação até que a mesma pareça ou se torna a famosa "fake news".

Vamos analisar como isso pode acontecer no caso da E. E. João do Santos, tradicional na cidade de São João del-Rei.

A pós-mentira

No início de fevereiro, nossa revista eletrônica, divulgou em primeira mão o que a Escola Estadual João dos Santos, tradicional na cidade de São João del-Rei, foi interditada por risco de incêndio e desabamento. Veja aqui.

 

Claro que isso gerou uma comoção na cidade e até no estado, especialmente entre os pais dos alunos que até o momento não haviam sido informados pela direção da escola.

Foi um circo: diversas reuniões foram realizadas pela Superintendência Regional de Ensino, a diretora da escola, bombeiros, Iphan, representante dos pais dos alunos, vereadores, jornalistas e até deputados estiveram na escola para entender, verificar riscos e buscar alternativas para a famosa “reforma e restauração” do prédio centenário.

 

Foi dito, na ocasião, exaustivamente, e divulgado por diversas mídias regionais, como a nossa, "que já havia um projeto de reforma e restauração, de 2017, avaliado em R$ 1,3 milhão, que chegou a ser aprovado pela Secretaria Estadual de Ensino, em Belo Horizonte. Porém, até o momento, essa verba nunca chegou na escola, segundo a diretora da escola e a Superintendente Regional de Ensino, que alegaram a crise econômica do Estado de Minas Gerais inviabilizou o repasse de verbas". Veja aqui.

A então "liberação da verba" para reforma e restauração da escola também foi utilizada, na época, em discursos políticos pela cidade como conquista ou "apoio de deputados".

 A imprensa regional, na maioria das vezes, deixa de apurar um fato e só divulga o que a fonte "tem ou quer dizer". Já o jornalista que ousou divulgar a verdade foi "acusado" de divulgar "fake news".

 

A pós-verdade

Para o professor Álex Grijelmo "a mentira sempre é arriscada, e requer formas muito potentes para sustentar-se. Por isso as técnicas de silêncio costumam ser mais eficazes: emite-se uma parte comprovável da mensagem, mas se omite outra igualmente verdadeira”.

 

A revista Mais Vertentes apurou os discursos inflados de alguns representantes e fomos atrás de dois órgãos primordiais na elaboração, aprovação e execução do projeto de reforma e restauração das escolas públicas do estado de Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Educação e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais, o DEER-MG.

Segundo a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, "está em fase de elaboração pelo Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DEER-MG) um projeto de restauração do prédio da Escola Estadual João dos Santos, no município de São João Del Rei. Apenas após a aprovação do projeto será possível estipular o valor total da obra”, informou a assessoria de comunicação em 26 de fevereiro.

 

Já o DEER-MG informou em 15 de abril que concluiu apenas uma etapa do projeto (34%) dos serviços previstos com o encaminhamento do anteprojeto para as devidas aprovações. "Iniciou a execução do projeto (documento) de restauração do prédio da Escola Estadual João dos Santos e o mesmo foi paralisado pelo governo anterior. Cerca de 34% do projeto encontra-se executado (documentação) e o valor contratual é de R$ 180,2 mil, a preços iniciais".

O DEER-MG informou também que "o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já deu parecer favorável, restando apenas aprovação em órgão municipal responsável, mas que até o momento isto não ocorreu. Em abril de 2018, no governo anterior, o contrato para a realização do projeto de restauração foi paralisado com cerca de 34% dos serviços previstos executados pelo DEER-MG (anteprojeto). No momento o DEER-MG está analisando a situação de todas as obras e projetos sob a sua responsabilidade, que não foram concluídas pelos governos anteriores. Após finalizar esse levantamento, serão avaliadas as possibilidades de retomar as intervenções, priorizando as demandas mais urgentes à população", conclui.

Resumindo: até o momento não existe projeto de restauração arquitetônica de toda a edificação da Escola Estadual João dos Santos no valor de R$ 1,3 milhão aprovado pela Secretaria Estadual de Ensino. O DEER-MG só executou 34% do projeto e, portanto, não se tem uma previsão para que tudo se conclua e tenha liberação dos recursos pelo estado de Minas Gerais.

A Informação do Silêncio

Procurados novamente pela Mais Vertentes, a Superintende Regional de Ensino, Adriana Leitão, e os deputados Reginaldo Lopes (PT) e Cristiano Silveira (PT) optaram pelo silêncio e não se manifestaram.

Já a diretora da escola, Neyde Diniz Lima, afirmou desconhecer nossas apurações e que “até onde tinha a informação, o projeto havia sido aprovado e só faltava a liberação dos recursos”.

Por se tratar de um patrimônio municipal - e não federal -, segundo o Iphan, a Prefeitura Municipal de São João del-Rei pretende arcar com parte das obras emergenciais, mas ainda depende de ofícios e autorização da Superintendência Regional de Educação.

 

A pergunta que fica é: a quem interessa a mentira?

 

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