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Saúde Denúncia

São João del-Rei: Fura-filas da vacinação, prática que Minas promete coibir

Apesar do Secretário de Saúde de SJDR informar não ter recebido quantidade suficiente da CoronaVac para todos os públicos prioritários, há denúncias de que profissionais que não estão na linha de frente da Covid-19 terem recebido a vacina.

25/01/2021 12h35 Atualizada há 4 semanas
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Por: Adriano Vianini
Hospital N. S. das Mercês em São João del-Rei. Foto: reprodução
Hospital N. S. das Mercês em São João del-Rei. Foto: reprodução
A vacina contra a COVID-19 nem bem começou a ser aplicada nos brasileiros e o processo de imunização já foi suspenso em duas cidades, devido a denúncias de quebra na ordem de prioridade das pessoas que deveriam receber a substância. Em Manaus/AM e em Tupã, interior de São Paulo, houve “furada” de fila e pessoas que não pertencem aos primeiros grupos definidos no Plano Nacional de Imunização foram vacinados. Em 12 estados, inclusive Minas Gerais, e no Distrito Federal, “fura-filas” foram denunciados. Na maioria dos casos, os acusados de tomar o lugar dos prioritários são políticos ou parentes próximos de médicos e secretários de saúde.

Em São João del-Rei, apesar da falta de transparência da Secretaria Municipal de Saúde e de algumas casas de saúde, dezenas de denúncias foram encaminhadas por leitores ao portal Mais Vertentes. Todas elas incluem fotos que foram divulgadas nas redes sociais de médicos e parentes próximos, além de trabalhadores das casas de saúde que, teoricamente, não estão na linha de frente do combate ao Covid-19.
 
Vale ressaltar que o próprio Secretário Municipal de Saúde de São João del-Rei, José Marcos de Andrade, informou na última semana que o primeiro lote da vacina CoronaVac não daria para imunizar todos os profissionais de saúde do município, e que a cidade iria seguir à risca o Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde. O Secretário disse ainda que está avaliando a legalidade em divulgar a lista de vacinados.
 
Entre as denúncias recebidas pelo Mais Vertentes, estão profissionais da Santa Casa de Misericórdia como médicos, nutricionista e profissional de manutenção predial, que não estão na linha de frente da Covid-19, mas já teriam recebido a primeira dose da vacina. E ainda do Hospital N. S. das Mercês que também há fotos de que dois médicos da área de cirurgia plástica e uma funcionária da área administrativa também foram vacinados sem estarem na linha de frente da Covid-19. Estes, segundo denúncias, são parentes do diretor executivo do Hospital de Nossa Senhora da Mercês, Ricardo Rocha Camarano.
 
Há denúncias também de falta de vacina para profissionais da saúde nas cidades de São Tiago, Tiradentes e Santa Cruz de Minas.
 
Polêmica nas redes sociais
 
Cartão de Vacinação do funcionário do Hospital das Mercês
que foi divulgado e criticado nas redes sociais.
Foto: redes sociais
Após postar na sua rede social o cartão de vacina com a CoronaVac com uma mensagem de esperança, o auxiliar eletricista, Judson Gonçalves, de SJDR, recebeu uma enxurrada de críticas nas redes sociais. "Você é da área da saúde? Está na linha de frente da Covid-19? Não parece, pois na sua rede diz que você é autônomo e faz manutenção elétrica!", exclamou uma internauta.
 
Em contato com Judson, ele disse ao Mais Vertentes que está sendo alvo de críticas infundadas e por algo que as pessoas desconhecem. "Avisa para todos que quando eles estiverem internados, principalmente na área Covid-19, e precisarem desentupir um vaso, trocar uma lâmpada, trocar oxigênio e respiradores vai ser eu quem os médicos vão chamar. Estarei pronto para atender qualquer vida", ressaltou Judson.
 
Ele confirmou que trabalha no Hospital N. S. das Mercês e que, assim como outros profissionais, também foi contemplado com a vacina. Porém, segundo ele, "eu não pedi e muito menos fiz algo ilegal. Amo muito minha família, tenho um filho de um ano, e se pudesse daria minha vacina para eles não para mim", disse.
 
Ainda no Hospital N.S. das Mercês também há denúncias de parentes do diretor, Ricardo Camarano, terem recebido a vacina, entre eles, dois médicos cirurgiões plásticos e a irmã que atua no departamento pessoal da entidade. Todos, segundo fontes, não atuam na linha de frente com a Covid-19.
 
A assessoria de imprensa do Hospital N.S. das Mercês, informou que "a população não entendeu muito bem quando informamos que os profissionais da linha de frente seriam priorizados, mas que todos os colaboradores seriam vacinados", ressaltou. A assessoria nos garantiu um posicionamento do diretor executivo, mas ainda sem retorno.
 
Com a quantidade de vacinas que ficou em São João del-Rei (2.122 pessoas), parece que será possível vacinar a todos os públicos prioritários com a primeira remessa - diferente do que foi dito pelo Secretário de Saúde do município. O portal Mais Vertentes também esteve em contato com o Albergue Santo Antônio, a APAC e Casa do Albergado de São João del-Rei/MG.
 
Uma fonte do Albergue Santo Antônio disse ter recebido na última semana 76 doses, para vacina 76 pessoas, e que só foi possível aplicar a primeira dose nos 60 internos e alguns funcionários, ficando de fora outros profissionais da saúde, cuidadores e as irmãs Carmelitas. Felizmente, na tarde desta segunda-feira (25), a entidade confirmou ao Mais Vertentes o recebimento de mais vacinas e que dará para imunizar a todos.
 
A Apec e Casa do Albergado ainda não retornou nossa solicitação.
 
Albergue Santo Antônio, em SJDR, recebeu as doses restantes
nesta segunda-feira (25) e, com isso, conseguirá vacinar a todos 
os internos e profissionais da saúde.
Foto: redes sociais
 
 
 
 
 
Cidades vizinhas
 
Em São Tiago, profissionais do Samu disseram que não receberam a vacina, pois a quantidade recebida no município foi insuficiente. O prefeito de São Tiago, Alexandre Nonato Almeida Vivas (Patriota), confirmou a situação. Porém, ele e a Secretária de Saúde, Cristina Lourenço, informaram que "foi priorizado o pessoal da linha de frente, sendo o primeiro a ser vacinado". Segundo eles, "como o número de doses foi pequeno (apenas 39 doses para mesma quantidade de pessoas), não pude ser estendido a mais profissionais". Cristina disse ainda que "sabendo que a sequência seria depois asilos ou albergados e, depois, os demais profissionais. Tudo conforme orientação do PNI", disse a secretária. Ela completou ainda que "estamos aguardando mais doses ao município para que possamos fazer as distribuições e aplicações nos profissionais que ficaram de fora nesta primeira etapa". 
 
Relação de profissionais da saúde vacinados
com a CoronaVac em Tiradentes/MG.
Fonte: Secretaria de Saúde de Tiradentes
Já em Tiradentes, a Secretária de Saúde, Jania Costa, também confirmou que o número de doses da primeira remessa da CoronaVac ainda não foi o suficiente para vacinar a todos os profissionais da saúde e albergados. O município só recebeu 32 doses, sendo que 30, segundo a secretária, "foram utilizadas nos profissionais da linha de frente do Covid-19, e duas ampolas vieram com problemas na dosagem e que, por isso, terão que ser devolvidas". Jania também disponibilizou a lista dos profissionais vacinados no município (abaixo).
 
Santa Cruz de Minas divulgou nas redes sociais que recebeu 16 doses da vacina CoronaVac, e como determinação do Governo Estadual, "está seguindo estes critérios. Nossa cidade recebeu, a princípio, apenas as doses dos profissionais que irão estar na linha de frente na vacinação da população, sendo nove técnicos de enfermagem, três médicos, três enfermeiras e um estagiário da ala Covid-19", informou.
 
O portal Mais Vertentes tentou contato com a Santa Casa de Misericórdia, mas como sempre sem sucesso. 
 
Canal de denúncia e punição
 
No último sábado, o desrespeito à ordem prioritária da vacinação contra a COVID-19 entrou na mira da Controladoria-Geral (CGE) de Minas Gerais e do Ministério Público do Estado (MPMG). Ambas as instituições abriram canais para denúncia dos adeptos da conduta antiética. Segundo a CGE-MG, servidores e dirigentes estaduais que burlam a ordem determinada na campanha de imunização cometem falta grave, passível de responsabilização administrativa, infração prevista no Inciso 4° do artigo 217 do Estatuto dos Funcionários Públicos e Civis. A pena prevista é de 90 dias de suspensão. As denúncias podem ser feitas on-line, na página da Ouvidoria-Geral do Estado. (www.ouvidoriageral.mg.gov.br).
 
As mesmas irregularidades, além de casos envolvendo políticos, gestores públicos e empresários, também podem ser comunicadas à ouvidoria do MPMG. De acordo com o órgão, furar a fila da vacina também gera consequências na esfera penal, pois configura os crimes de prevaricação (uso de cargo público para favorecimento pessoal), improbidade administrativa e dano coletivo. O site da instituição é www.mpmg.mp.br. 
 
As penalidades previstas na legislação incluem prisão de até um ano, suspensão de direitos políticos por até 10 anos, multa, proibição de contratar como poder público, entre outras. As queixas podem ser registradas na internet ou pelo telefone 127. O controlador-geral do Estado, Rodrigo Fontenelle, afirmou que vai reprimir de forma dura os casos de burla às prioridades na vacinação.“Furar a fila da vacinação é inadmissível. Se você desrespeita a ordem prioritária, impede a imunização de quem arrisca sua vida na linha de frente”, afirmou.
 
Outras cidades de Minas
 
Em Montes Claros, no Norte de Minas, o prefeito Humberto Souto (Cidadania) passou na frente dos enfileirados para a imunização e recebeu a vacina em casa. Embora tenha a idade avançada, de 86 anos, ele não é profissional de saúde da linha de frente do combate à COVID-19, não tem nenhuma deficiência, nem reside em asilo ou terras indígenas – requisitos estabelecidos pelo governo de Minas para ter acesso prioritário à vacina.
 
A justificativa de se vacinar primeiro para “incentivar a população” foi usada também por outros políticos brasileiros. O argumento foi usado em Pombal-PB pelo prefeito Verissinho Abmael (MDB), primeiro a ser vacinado na cidade. Ele é médico, mas não há confirmação de que esteja atuando ativamente no combate à pandemia. Reginaldo Martins Prado (PSD), prefeito de Candiba-BA e Dona Aline (PDT), prefeita de Belém-PB, também “cortaram a fita” da vacinação em suas cidades, sob o pretexto de “encorajar” a população.
 
Em Uberaba, no Triângulo mineiro, após denúncia de médico, que preferiu não se identificar, a Secretaria Municipal de Saúde descobrir quais são os profissionais da área da Saúde, que não são da linha de frente do combate ao vírus, mas estariam furando fila da vacinação. De acordo a denúncia, uma médica que atua fora da linha de frente de combate diário da doença teria sido vacinada e ainda postado uma foto nas redes sociais. Além desse caso, teria ocorrido imunização de alguns profissionais que estavam afastados das funções há meses, de acordo com informações da coluna Falando sério, do Grupo JM de Comunicação.
 
Prioritários
 
Os trabalhadores da saúde foram o primeiro grupo prioritário para a vacinação na seguinte ordem: equipes de vacinação, de instituições de longa permanência, envolvidos diretamente na atenção a casos suspeitos e confirmados da doença; seguidos de pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência, residentes em residências inclusivas; população indígena que vive em terras indígenas na primeira fase da vacinação.
 
 
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