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Política Damae

São João del-Rei: “Nós não vamos fazer milagre”, diz diretor-geral do Damae sobre falta de água no município

Jorge Hannas, que também é vice-prefeito da cidade, culpa a população pela falta de água e manutenção do Damae: “Vem desperdiçando água com calçada e lavando muro”. Também pede mais dinheiro para investimentos e parceria público privada

10/02/2021 17h52 Atualizada há 2 semanas
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Por: João P. Sacramento
Jorge Hannas, diretor-geral do Damae, em plenária da Câmara Municipal de São João del-Rei. Foto> Reprodução / Redes Sociais
Jorge Hannas, diretor-geral do Damae, em plenária da Câmara Municipal de São João del-Rei. Foto> Reprodução / Redes Sociais

A cidade de São João del-Rei há semanas vem sofrendo com a falta de água e uma falha no sistema de abastecimento oferecido pelo Damae. Na tarde de ontem (09), o diretor-geral do Damae, e vice-prefeito, Jorge Hannas, participou da sessão da Câmara Municipal de São João del-Rei, para responder, novamente, às perguntas dos vereadores.

Durante sua apresentação, Jorge Hannas, outra vez, citou um projeto que visa a troca das redes de água em São João del-Rei, em pontos críticos, obsoletos e em avançado estado de corrosão, além do sistema de distribuição de toda a cidade. Segundo ele, o projeto ainda seguirá para aprovação dos vereadores.

“Esse é o nosso objetivo principal”, aponta Hannas, que, dando continuidade a sua fala, apontou também que é um investimento alto e “o município não pode arcar com esse tipo de investimento”. Por isso, o diretor propõe como alternativa uma Iniciativa Público Privada (IPP), para solucionar esse problema, e que, segundo ele, esse investimento seja favorável à população de SJDR, o responsável sugere, mais uma vez, que seja solicitado um empréstimo junto à Caixa Econômica Federal.

Após apresentar suas propostas, Jorge Hannas se mostrou disponível a ouvir ideias dos vereadores ou de outras pessoas que solucionem esse problema. Ele chegou a dizer que, se houver, estará disponível para conversar com um “Papa do Saneamento”, porém, que está à frente do Damae há 20 anos, e que não enxerga outra alternativa, senão às apresentadas por ele. 

Falta d'água

Sobre a questão da falha na distribuição, e consequente falta de água, Hannas informou que houve uma obstrução em uma caixa, vindo a danificar os canos e impossibilitando a distribuição de água. Segundo Hannas, após cinco dias, esse problema, que aconteceu no Bonfim, já havia sido resolvido. 

Hannas também citou bombas queimadas em algumas regiões da cidade. No caso da bomba das “Betas”, Hannas informou que a nova bomba já foi adquirida, em São Paulo, há 22 dias, mas a empresa pediu 30 dias para a instalação. “Acredito que em 10, 12 dias, nosso sistemas estará restabelecido", disse Hannas. O mesmo foi dito sobre a bomba queimada no distrito do Caburu. Segundo ele, a situação foi “precariamente” restaurada, mas não operam na capacidade total pois “os poços artesianos estão secando”.

Outra bomba queimada, segundo Hannas, foi a “do Ribeirão”, responsável por abastecer os bairros de São Geraldo, Araçá, Bela Vista, Dom Bosco e adjacências. Para esse caso, a bomba já foi adquirida, já se encontra na cidade, e Hannas garantiu o retorno da produção de água a partir de hoje (10). “Casas mais do alto vão demorar mais para receber essa água”, explicou o responsável pelo Damae.

Hidrômetro

O vereador Edmar da Farmácia (PSDB), em plenária, questionou o diretor-geral sobre a questão dos hidrômetros da cidade.  Sobre a hidrometração, Hannas afirma que “com ou sem  projeto ou parceria, a hidrometração tem que acontecer, como forma de educar a população com o respeito e consumo de água”. 

Ainda de acordo com o responsável do Damae, a intenção é hidrometrar o que ele chama de “Centrão de SJDR”, que envolve várias partes da cidade. E ainda afirmou aos vereadores, mesmo sem apresentar provas, que o Centro gasta mais água que os bairros periféricos, por isso que a hidrometração começará pelo Centro. "Quem consome água é a região central! População dos bairros consomem pouco", disse.

Desperdício

Jorge Hannas, ainda na Câmara, citou que os moradores de São João del-Rei “vem desperdiçando água com hortas e calçadas'', e concluiu com uma metáfora: “Achando que água é igual palito de picolé no verão, que se encontra toda hora”, justificou. 

“Em São João del-Rei, eles não conhecem vassoura”, iniciou a fala do responsável, ao relatar que, ao sair na chuva, encontrou uma moradora “lavando o muro”. Hannas acredita que a hidrometração pode, como dito anteriormente, educar a população com relação ao consumo de água. “Mas isso só vai acontecer se pesar no bolso”, finalizou Jorge Hannas

Inadimplência

Outro fator citado pelo responsável pelo Damae foi a inadimplência da população com a autarquia de distribuição e tratamento de água e esgoto. De acordo com Hannas, a inadimplência é de 43%, e que, em alguns casos, já serão resolvidos na Justiça. 

Em paralelo a isso, Hannas afirmou que há a oferta do Damae de parcelamento da conta em até 45 vezes, e que há um projeto do Executivo, que ainda não foi enviado para a Câmara, que visa a redução, ou até a retirada,  de multa e juros.

Aumento por decreto

Ao ser questionado sobre o aumento na tarifa de água em 12%, Hannas disse que isso cabe à Câmara. Porém, foi rebatido pelos vereadores que informaram que o aumento foi feito sob decreto do prefeito, Nivaldo de Andrade (PSL), sem consultar a casa. Hannas então sugeriu que os vereadores conversassem com o prefeito, pois, de acordo com ele, o prefeito apenas o comunicou do aumento e que ele acreditava que o projeto havia passado pela Câmara.

Hannas respondeu garantindo que, se partisse dele, o mesmo “gostaria de diminuir" o valor das contas, mas que isso não se aplica por questão dos insumos que o Damae depende para funcionar, como a conta alta com energia, por exemplo.

Planejamento e Gestão

Vereador Higor Sandim em vídeo

O vereador Igor Sandim (PODE) questionou Jorge Hannas sobre o planejamento e a gestão do Damae. Hannas garante que o problema é antigo e que “poderia ter sido resolvido em outra administração”, porém, ele garante que “eles estão enfrentando a onça''.

“Nós não temos medo de falar o que pode e o que não pode ser feito, mas, infelizmente, eu não posso fazer mágica, e obrigar o cidadão a pagar a sua água”, responde o diretor do Damae, que garante que têm planejamento, mas, por causa da inadimplência, “falta dinheiro”.

“Nós não vamos fazer milagre”, disse Hannas, que disse que a solução não cabe ao diretor-geral do Damae ou ao prefeito, e jogou a responsabilidade da melhora do Damae na Câmara de vereadores. Segundo ele, se a decisão dependesse dele, a solução já teria sido tomada “há mais de 20 anos”.

Vale ressaltar que Jorge Hannas atua no Damae há mais de 20 anos. Segundo ele, o almoxarifado do Damae conta apenas com 4 bombas reservas, destinadas para emergências, sendo que São João del-Rei conta, atualmente, com mais de 20 mil bombas, que podem vir a falhar ao mesmo tempo.

O Caminhão-pipa

Carro pipa estacionado às 19 horas. 
Foto: Vídeo divulgado pro Igor Sandim / Redes Sociais

Hannas garantiu que o caminhão pipa trabalha 24 horas por dia, mas em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador Igor Sandim e outro são-joanense desmentiram o fato e mostraram o caminhão estacionado no pátio do Damae, na mesma noite da reunião da Câmara. O vídeo foi feito às 19hs e o vereador garante que metade da cidade está sem água e o caminhão guardado. “Isso é falta de planejamento”, afirma o vereador no vídeo.

Mas parece que não foi só o vereador que estava de olho no caminhão-pipa. Ainda na tarde de ontem, um morador também registrou o caminhão parado durante o dia. “Quatro e meia da tarde, nós sem água nenhuma na rua e os caminhões parados”, afirma o morador. 

“Você acha que essa administração está esquentando a cabeça com alguma coisa de levar água pros pobres que estão com as contas em dia?”, questiona o morador que chega a chamar a cidade de “Terra de Zé Ninguém”.

 

A culpa da oposição

O vereador Fabiano Pinto (DEM), afirmou, na introdução de sua pergunta a Jorge Hannas, que a oposição é culpada de o prefeito não ter resolvido a falta de água. Segundo ele, “o prefeito não consegue resolver por que os vereadores não gostam dele”, e completou dizendo que os vereadores não querem que o prefeito se torne “o salvador da pátria”.

Em contrapartida, já no final da sessão, o presidente da Casa e vereador, Stefânio Pires (PSL), qua integra a bancada de Base do prefeito, disse que “ninguém legisla aqui em benefício próprio, todos querem o melhor para São João del-Rei, independente do bloco”, referindo-se a oposição e a base.

Atendimento ao consumidor

Outro ponto levantado pelo vereador Claudinho da Farmácia (PSDB) é sobre o sistema de telefonia oferecido à população, e que é ineficiente a tal ponto que chega, de acordo com o vereador, a sobrecarregar seus colegas de casa.

Hannas afirma que há um problema, mas que ele pretende resolver colocando 30 ramais de reclamação para a população. “Serão 30 que poderão falar concomitantemente com o atendente”, afirma, mas não entregou o prazo de que esses 30 canais estejam ativos. 

A participação do diretor-geral do Damae só demonstrou a precariedade da prestação de serviço na cidade. Ainda é notável a ineficiência da gestão de Hannas no Damae, já que o diretor está a 20 anos, com toda a cidade sem água e ele falou que “não faz milagre”.

Assista a sessão da Câmara Municipal aqui.

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