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Não há vacina que chegue para falta de gestão e fura filas!

Sem critérios, São João del-Rei deixa de vacinar as principais vítimas fatais da pandemia e prioriza cirurgiões plásticos, secretárias de consultórios médicos a instrutores de pilates

19/02/2021 15h17 Atualizada há 1 semana
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Por: Adriano Vianini
Dona Maria do Neca, Rainha do Bloco da Saúde PSF, foi uma das poucas idosas a receber as primeiras doses em São João del-Rei. SMS mudou novamente as prioridades na vacinação. Foto: Juliana Castro
Dona Maria do Neca, Rainha do Bloco da Saúde PSF, foi uma das poucas idosas a receber as primeiras doses em São João del-Rei. SMS mudou novamente as prioridades na vacinação. Foto: Juliana Castro

Já sabemos que não temos vacinas para todos. Não temos, sequer, nessa primeira fase, vacinas para os grupos prioritários do Programa Nacional de Imunizações (PNI), como os profissionais de saúde, idosos com 60 anos ou mais ou àqueles que moram em asilos, indígenas e comunidades ribeirinhas. E todos deverão tomar duas doses da vacina. Ou seja, segundo especialistas serão necessários, em média, 30 milhões de doses. 

Todos os estados estão seguindo o PNI, que estabeleceu entre as prioridades "profissionais da saúde", sem definir quais setores integram o grupo ou a prioridade de cada setor. Essa discussão, inclusive, foi parar no STF, onde o Ministro Ricardo Lewandowski decidiu que o governo federal deveria apresentar a ordem dos grupos prioritários a serem vacinados em suas respectivas fases.

Enquanto ficamos nas mãos dos nossos ausentes governantes, vamos nos revoltando com a tamanha cara de pau dos fura filas da vacinação contra a Covid-19 por todo o Brasil.

Como bem disse o médico cancerologista, Dr. Drauzio Varella, em recente artigo publicado na Folha de S. Paulo, "a vacinação contra o coronavírus virou uma bagunça no Brasil. Tem cabimento vacinar terapeutas e personal trainers antes dos mais velhos, que representam 70% dos mortos?”

Também não precisa ser especialista em saúde pública para perceber essa bagunça que, consequentemente, abriu margem para que, na ponta da linha, cada cidade estabelecesse quem pode ser considerado um profissional da saúde, mesmo que eles trabalhem bem longe de um hospital. 

Como já diz o ditado popular “Farinha pouca, meu pirão primeiro”, os fura filas não são os principais culpados. Como não há uma coordenação geral e, tampouco, fiscalização, ficamos à mercê das Secretarias Municipais de Saúde que, assim como em grande parte do Brasil, aqui em São João Del-Rei também não deixa de mostrar o nefasto jeitinho brasileiro e da inversão de valores que estamos vivendo.

Em São João del-Rei, por exemplo, o Censo do IBGE de 2010 já mostrava que mais de 13% da população do município era de idosos acima de 65 anos, sendo as mulheres na grande maioria (7,9%). E, como sabemos, a proporção da pirâmide etária de idosos e mulheres quase que dobrou na última década.

Se olharmos o boletim epidemiológico emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de SJDR na data de ontem (18), o município tinha 3.091 casos de Covid-19 confirmados, sendo a grande maioria dos infectados (1.692) do sexo feminino e, principalmente, a terceira maior fatia dos infectados é de idosos com 60 anos ou mais (534). Dos óbitos registrados até o momento, como já sabemos, 93% são de idosos.

Portanto, por que não começamos a vacinar nossos idosos evitando futuras internações, lotação de leitos de UTIs e até óbitos? 

É conveniente vacinar cirurgiões plásticos, auxiliares administrativos, secretárias de consultório médico particular, terapeutas, responsáveis por manutenção predial e seguranças sendo que não estão na linha de frente com pacientes com a Covid-19, antes dos mais velhos, que representam mais de 90% dos mortos aqui no município? É justo proteger essa gente antes dos trabalhadores de farmácias, supermercados, postos de gasolina, professores, policiais e de outras categorias mais expostas ao vírus?

Claro que todos os profissionais da saúde são importantes para não retransmitirem ainda mais o vírus (com exceções, claro, de alguns já denunciados por esse portal). Porém, como ressaltou Dr. Drauzio, "profissionais formados em psicologia, biologia, veterinária, educação física, além de trabalhadores da área da saúde que nem sequer chegam perto dos doentes com Covid, são vacinados antes das mulheres e homens com mais de 80 anos. Enquanto nos entretemos com as imagens dos telejornais que mostram senhoras e senhores de 90 anos, infantilizados pelo repórter que lhes pergunta se estão felizes com a vacina, passa a boiada dos mais jovens que furam a fila.

Mas a resposta é simples: Com a "justificativa" de estar seguindo o PNI, São João del-Rei continua no promíscuo relacionamento entre algumas áreas da saúde e o governo municipal que há tempos parecem dar as cartas na região. Chegamos à tamanha imoralidade e ilegalidade de ter a Secretária de Governo e Chefe de Gabinete da Prefeitura Municipal de São João del-Rei também prestando serviços e dando expediente em uma das principais casas de saúde de SJDR. 

Por isso, reafirmo, que os fura filas não estão só! São acobertados por apadrinhamentos, conchavos, falta de gestão dos governantes, falta de transparência das entidades de saúde e, especialmente, dos governos municipais.

Desejo que todos os profissionais da saúde possam - e merecem - ser vacinados. Mas desejo ainda mais que nossos pais e avós tenham a chance de não morrerem pelo vírus! Precisamos rever nossos valores, nossos conceitos, nossas prioridades, nossos governantes e nossa humanidade.

 

*Adriano Vianini é jornalista e publicitário com mais de 20 anos de experiências em empresas nacionais e internacionais. Também é São-Joanense e editor-chefe do portal de notícias Mais Vertentes e diretor da agência AV+ Comunicação e Marketing.

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