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Após um ano do primeiro caso de Covid-19, São João del-Rei entra em colapso. Alternativas descartadas pela Prefeitura de São João del-Rei

Hospital de Campanha foi prometido e depois descartado pelo Prefeito Nivaldo Andrade (PSL), que afirmou que “nós não teremos nenhum óbito”.

26/03/2021 16h33 Atualizada há 4 semanas
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Por: Thais Marques
Prefeitura não ouviu as recomendações dos profissionais de saúde, recebeu recursos que não foram bem aplicados e duvidou da capacidade do vírus. Foto: Thaís Marques/Mais Vertentes
Prefeitura não ouviu as recomendações dos profissionais de saúde, recebeu recursos que não foram bem aplicados e duvidou da capacidade do vírus. Foto: Thaís Marques/Mais Vertentes

No dia 24 de março de 2020, São João del-Rei confirmava oficialmente o primeiro caso de Covid-19 no município. Após um ano, a cidade enfrenta um colapso na saúde devido ao aumento de casos, internações, descontrole, falta de fiscalização, não ouvir nem acatar as orientações de prefeitos vizinhos e entidades sobre as ações para enfrentamento da  pandemia, além da falta de ações efetivas da Gestão Municipal contra a Covid-19 em São João del-Rei. Nivaldo afirmou ter conversado com Deus e disse que não teríamos nenhum óbito. Hoje, infelizmente, o município contabiliza 72 decorrentes de complicações do coronavírus.

Hospital de Campanha foi prometido e depois descartado

O Exército demonstrou interesse em montar um Hospital de Campanha no município em março de 2020 (confira o vídeo abaixo) que, se acatado pela Prefeitura, poderia evitar, hoje, a falta de leitos nas UTIs da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital das Mercês, além de desafogar a UPA. Na ocasião, a Prefeitura não seguiu o projeto e deliberou grande parte dos recursos oriundos do Governo Federal para o combate ao Covid-19 à Santa Casa de Misericórdia e o Hospital das Mercês, saturando o atendimento nas casas e, como resultado, hoje há filas de espera para internação por complicações do coronavírus.

Apesar do anúncio da possibilidade do Exército instalar o Hospital de Campanha no município não estar mais presente nos canais oficiais da Prefeitura, e nem nos perfis pessoais do prefeito Nivaldo de Andrade (foram apagados), em apuração, nossa reportagem conseguiu resgatar o conteúdo, noticiado exatamente no dia 22 de março de 2020. Confira aqui o vídeo na íntegra.

Foto: Reprodução
Prefeitura Municipal de São João del-Rei

Nele, a então Superintendente de Saúde de São João del-Rei, Priscila Peixoto, detalhou dentre as ações que o município estava fazendo para conter a infecção do vírus, “articulações constantes com órgãos governamentais e não governamentais para o auxílio de materiais, insumos, equipamentos e recursos financeiros.”

“Eu estou em contato diretamente com um coronel da saúde, diretor em Belo Horizonte, que está me dando todo o apoio. Inclusive para montar junto o Hospital de Campanha.” afirma a superintendente. Priscila também relatou, na ocasião, que a Prefeitura estava construindo “diretrizes e fluxos para a saúde, onde afirmou que as Unidades iriam atender somente às urgências relativas, que, no início da pandemia, eram relacionadas aos sintomas gripais.

Um dia após, em 23 de março de 2020, o prefeito Nivaldo de Andrade (PSL), falou em outro informe da Prefeitura, que também não está mais presente nos canais oficiais (foram deletados), mas foi veiculado pela Rádio São João del-Rei, sobre o Hospital de Campanha. Na ocasião, a fala de Nivaldo expôs que o prefeito foi alertado pelos profissionais de saúde do município sobre a gravidade da pandemia, que estava em seu início tanto no país quanto em São João del-Rei.

“A partir de agora, nós devemos fazer o Hospital Campana (Campanha), que deve ser lá no Colégio Tiradentes (CENEP), com mais 50 leitos. Deve demorar mais uns oito ou dez dias para a gente colocar lá os leitos. Nós vamos ampliar mais 50 leitos, porque se a epidemia (pandemia) chegar igualzinho o pessoal da área da Saúde está falando, não vai ser fácil”, disse Nivaldo.

Foto: Reprodução
Prefeitura Municipal de São João del-Rei

O prefeito jogou, na ocasião, a responsabilidade para o Estado sobre ações no início da pandemia, afirmando que “além dele não mandar pra Prefeitura (insumos), ta tomando das prefeituras que compraram” e que São João del-Rei realizou a compra dos materiais para a prevenção da Covid-19. 

“Agora nós vamos ver o que nós vamos fazer, olha a situação. A gente está trabalhando para diminuir essa epidemia e tudo e o governo do Estado confiscou um caminhão da Prefeitura cheio de material da Saúde. Está confiscando de todas as prefeituras. Passou na estrada, eles (Estado) toma tudo o que é para farmácia”.

No mesmo informe, Nivaldo disse, questionando mais uma vez o governo de Minas, que “as pessoas vão morrer na cidade porque, às vezes, o governo confisca, manda lá pro Norte de Minas, para o Sul de Minas e nós aqui? Eu acho que é uma mercadoria que nós vamos pagar e essa mercadoria não pode ficar confiscada.”

Como de costume, o prefeito fez a promessa, na ocasião, de que “a Prefeitura não iria medir esforços para a gente enfrentar essa epidemia”. “Além da gente fazer esse Hospital Campana (Campanha), que se a coisa piorar muito, pra gente poder atender melhor as pessoas, hoje já começou a chegar as vacinas (da gripe) para as pessoas idosas. Mas já acabou, deve chegar mais até amanhã.”

“Não teremos nenhum óbito”

Quando anunciou a obrigatoriedade do uso de máscaras em São João del-Rei, no dia 1º de maio de 2020, Nivaldo disse que se houvesse um aumento significativo de casos confirmados com coronavírus em São João del-Rei e região, o município estaria estruturado para atender a demanda. "Deus está me falando que não teremos nenhum óbito em São João del-Rei", afirmou.

No último boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Saúde nessa quinta (26), São João del-Rei bateu o recorde em ocupação de leitos de UTIs e registrou novo óbito. O município está com 61 pacientes internados em leitos de UTIs nas casas de saúde. Destes, 37 estão na Santa Casa de Misericórdia, 20 no Hospital das Mercês e 04 na UPA. 72 são-joanenses morreram por complicações do coronavírus.

Recursos não faltaram

De acordo com os dados divulgados no Portal de Transparência de São João del-Rei, os recursos recebidos pelo município somam R$ 1.982.800,61. A última atualização sobre os recursos encaminhados foi feita no dia 31 de dezembro. Em relação às despesas, o total geral é de R$ 1.415.339,06, referente ao valor pago, sendo o total orçamentário de R$ 834.092,91 e extra orçamentário de R$ 581.246,15. Já no site Covid-19 de São João del-Rei, os recursos recebidos somam R$ 30.093.780,14, sendo R$ 10.159.007,89 encaminhados para a Secretaria Municipal de Saúde, R$ 10.503.142,29 repassados ao Hospital Nossa Senhora das Mercês, R$ 8.368.802,92 para a Santa Casa de Misericórdia e R$ 100.925,73 para a Renalclin. De acordo com a Prefeitura, os dados foram atualizados no dia 28 de dezembro.

Deputado Federal Dr. Frederico (Patriota) 
Foto: Câmara dos Deputados

Durante entrevista à Rádio Emboabas, no dia 19 de março, o Deputado Federal Dr. Frederico (Patriota) afirmou que foi enviado para SJDR a quantia de R$ 22 milhões para a Prefeitura, de verba destinada ao tratamento da Covid-19, e ainda disse que a gestão municipal fez um repasse de R$ 6 e R$ 8 milhões para a Santa Casa e Hospital. “Ou seja, de 12 à 16 milhões que a Prefeitura repassou aos hospitais, que é quem está realmente atendendo coronavírus através dos 40 leitos de CTI”, informou Frederico. O médico oncologista ainda disse que, além dos recursos já citados, a cidade recebeu mais R$ 10 milhões referentes a compensação de possíveis perdas tributárias, que, segundo ele, não aconteceu, mas que visavam priorizar o coronavírus.

Hospital e Santa Casa alertaram há 10 meses sobre o colapso na saúde

Em janeiro de 2021, a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Nossa Senhora das Mercês emitiram nota conjunta à imprensa sobre a situação das casas em relação à falta de leitos de UTI para o tratamento da Covid-19 e a dificuldade em contratar profissionais de Saúde para atender os pacientes, expondo o descaso da Gestão Municipal no enfrentamento à pandemia. A nota das Instituições encaminhada à imprensa também ressaltou que estavam alertando as autoridades públicas sobre o colapso há 10 meses

"Com relação à criação de novos leitos clínicos específicos para Covid-19, tanto a Santa Casa quanto o Hospital das Mercês vêm alertando, desde março, ao prefeito, ao Secretário Municipal de Saúde e demais autoridades acerca da escassez de fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos na nossa região. Passados 10 (dez) meses de pandemia temos um agravamento dessa situação no mercado de saúde, pois muitos dos profissionais que antes atuavam na linha de frente estão se afastando por diversas razões, não havendo profissionais suficientes para reposição". 

Nivaldo, na proximidade das eleições municipais de 2020, então candidato à reeleição, quando cobrado nas redes sociais sobre o Hospital de Campanha prometido, criticou os prefeitos e governantes que construíram hospitais de campanha, afirmando que “hospital de campanha não salva vidas”. “Peço àqueles que falam em hospital de campanha, isso é uma tragédia para quem fez, não salvou vida nenhuma, fechou todos e a Polícia Federal tá junto”, afirmou Nivaldo em coletiva de imprensa realizada no dia 03 agosto de 2020

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