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Sabores de Minas Negócios

IG do Café do Campo das Vertentes está perto de reconhecimento oficial

Registro de Indicação Geográfica (IG) do café pode agregar valor a região e gerar mais negócios no Campo das Vertentes

16/08/2019 11h01 Atualizada há 3 meses
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Por: Adriano Vianini
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Minas Gerais é o estado que mais produz café no Brasil, sua produção corresponde à mais de 50% da produção nacional. No dia 19 de maio de 2019 a região mineira do Campo das Vertentes foi reconhecida como produtor responsável pelo cultivo do café. Esse reconhecimento, segundo especialistas, é importante para agregar valor ao produto e, consequentemente, abrir a possibilidade da região de obter o chamado IG (Identificação Geográfica) do café.

 

De acordo com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), “o registro de Indicação Geográfica (IG) é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem, o que lhes atribui reputação, valor intrínseco e identidade própria, além de os distinguir em relação aos seus similares disponíveis no mercado”.

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​Rogério Carvalho Fernandes, gerente de certificação do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), reforça que “com o reconhecimento oficial do Campo das Vertentes como produtor de café, os cafeicultores da região, através de uma entidade representativa, poderão entrar com o pedido de Identificação Geográfica no INPI. Esta é uma das exigências. Caso seja feito o pedido, e mesmo aprovado, a região terá benefícios muito importantes. Além de agregar valor, o registro é uma forma de preservar toda a história da região e o modo de produzir o café, que é único”.

 

Segundo o jornal Tribuna de Minas, “o café da nossa região tem qualidade e potencial, só precisa dos incentivos corretos para mostrar seus atributos para o resto do mundo”.

 

Classes do IG

 

Os IG’s são classificados em dois grupos: Indicação de Procedência (IP) e Denominação de Origem (DO). A classe de Indicação de Procedência garante a tradição histórica da produção do produto numa dada região. Já a Denominação de Origem indica que as características de qualidade se devem pelo ambiente onde é produzido e pelos processos usados naquela região.

 

Municípios produtores do Campo das Vertentes

 

Segundo informações veiculadas pelo IMA, os 17 municípios produtores de café da região do Campo das Vertentes são: Bom Sucesso, Camacho, Campo Belo, Cana Verde, Candeias, Carmo da Mata, Conceição da Barra de Minas, Ibituruna, Nazareno, Oliveira, Perdões, Ritápolis, Santana do Jacaré, Santo Antônio do Amparo, São Francisco de Paula, São João del-Rei e São Tiago.

 

Em 2018 essa região produziu em média 750 mil sacas de 60 quilos de café, com uma área de produção de 25 mil hectares. 

 

 

Minas Gerais e seus IG's 

 

Minas Gerais já conquistou 8 IG’s na modalidade de Indicação de Procedência (IP) são elas: peças artesanais em estanho (São João del-Rei), cachaça (Salinas), queijo (Serra e Canastra), café (Serra da Mantiqueira), biscoito (São Tiago) e própolis verde (região de Própolis Verde de MG). Na modalidade Denominação de Origem (DO), temos o IG de café do Cerrado Mineiro.

 

A  importância do café para Minas Gerais

 

 
 

Uma vantagem do café para os mineiros é que esse agronegócio fornece 4 milhões de empregos diretos e indiretos no estado, segundo dados da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais - FAEMG. O grão também é o principal commodity (produtos pouco diferenciados com baixo valor agregado) de exportação do agronegócio de Minas Gerais, segundo a Embrapa.

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Os cafeicultores de Minas produziram, em 2014, 22,6 milhões sacas de café, das quais 10,7 milhões são advindas do Sul e Centro-Oeste do Estado; 5,8 milhões do Cerrado Mineiro (Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Noroeste); 5,3 milhões da Região da Zona da Mata, Rio Doce e Central; e 762 mil do Norte de Minas, Jequitinhonha e Mucuri, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento -Conab.

 

Consumo do café no Brasil 

O consumo interno de café no Brasil, de novembro de 2017 a outubro de 2018, chegou a 21 milhões de sacas, segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC. Esses dados mantém o Brasil na sua posição de 2º maior consumidor de café no mundo, com um consumo per capta de 6,02 kg/ano de café cru e 4,82 kg /ano de café torrado e moído.
O uso do café nas residências representa 64% do total, enquanto fora delas esse número corresponde à 34%.

A popularização dos espressos e das máquinas automáticas e domésticas do grão aumentou o total das vendas em grão, que subiu de 18% para 19%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC .

 

Regiões mineiras e seus cafés especiais

A Fazenda Bom Jardim está localizada na região dos Campos das Vertentes, no município de Bom Sucesso, Minas Gerais. Esta região é conhecida principalmente pela atividade agropecuária, com destaque para a produção de café, leite e milho. A qualidade de suas terras para o cultivo do café é favorecida pela sua altitude média de 1000 metros. A fazenda possui um banco genético com as melhores cultivares de café arábica provenientes dos principais órgãos de pesquisa de café do Brasil, tais como: Instituto Agronômico do Campinas (IAC), Fazenda Experimental de Varginha (PROCAFÉ), Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e antigo IBC. Foto: site

Com a diferença de clima, altitudes, latitudes e biomas (Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga) das regiões de Minas Gerais o café produzido no estado possui diversas variações de sabores e aromas.

 

Cresce no país 3% ao ano o consumo de café tradicional e 15% o de café especial, de acordo com o site Conheça Minas. Mas qual a diferença entre essas classificações do grão? O café especial, segundo o site já citado, possui uma maior qualidade em relação ao convencional.

 

Matas de Minas (seus municípios destaques no café são Alto Caparaó, Ervália, Manhumirim, Carangola, Alto Jequitibá, Araponga, Espera Feliz, Muriaé, Inhapim, Mutum, Caparaó e Viçosa): o café produzido nessa região é o cereja descascado com aroma achocolatado, sabor cítrico, acidez média, alta doçura e corpo médio a encorpado;

 

Sul e Sudoeste de Minas (seus municípios destaques no café são Guaxupé, Campos Gerais, Poços de Caldas, Três Pontas, e Muzambinho): o café cultivado no Sul é 100% Arábica, tem corpo aveludado, e é adocicado com notas de chocolate, amêndoas, caramelo, cítricas e frutadas. O café do Sudoeste tem corpo médio, é adocicado, sua acidez é alta e ele tem notas florais e cítricas;

 

Mantiqueiras de Minas (seus municípios destaques no café são Conceição das Pedras, Paraisópolis, Jesuânia, Lambari, Dom Viçoso, Pedralva, Cristina e Carmo de Minas): o café da Mantiqueira é um dos mais premiados e reconhecidos do mundo seu corpo é cremoso e denso, suas notas são florais e cítricas, sua doçura é alta, ele é frutado, e possui acidez cítrica com intensidade média alta. A região tem a Indicação Geográfica (IG) do café, na modalidade Indicação de Procedência (IP), desde 2011;

 

Cerrado Mineiro (seus municípios destaques no café são Patrocínio, Monte Carmelo, Araguari, Patos de Minas, Campos Altos, Unaí, Serra do Salitre, São Gotardo, Araxá e Carmo do Paranaíba): o café do Cerrado é fino, encorpado, doce, com aroma intenso, acidez delicada e cítrica, com notas de chocolate, caramelo e nozes;

 

Chapada de Minas (seus municípios destaques no café são Capelinha, a maior produtora do região, Diamantina, Montes Claros, Buritizeiro, Presidente Kubistchek, Medina, Ladainha, Pedra Azul, Nanuque, Felício dos Santos, Salinas, Turmalina, Teófilo Otoni, Serro, Gouveia, Santa Maria do Salto, Malacacheta, e Angelândia.

 

Café é produzido na Fazenda Primavera (Foto: Divulgação/Montesanto Tavares)
Em Angelândia, no qual seu café Geisha, do grupo Montesanto Tavares, ganhou o Cup Excelence de 2018, sendo considerado até então o café mais caro no mundo. A saca de 60 kg foi vendida por 72 mil reais, segundo o site Conheça Minas): o café da Chapada tem um corpo denso, com notas de caramelo, frutas passa, capim limão e sua acidez é cítrica.

Festival do Café do Campo das Vertentes

 

Realizado no mês de outubro, o Festival do Café do Campo das Vertentes de 2018 aconteceu em Santo Antônio do Amparo (MG). O local contou com atividades de cunho cultural, técnico, educacional, turístico, gastronômico e promoção da cadeia produtiva.

O evento é promovido pela Associação dos Cafeicultores do Campo das Vertentes (Acave) e pelo Sebrae que, através da implantação do IG do Campo das Vertentes, desenvolvem projetos que promovem a cafeicultura do Campo das Vertentes com ações para aumentar a visibilidade do café da região, assim como para a integração entre pessoas e empresas da cadeia produtiva do café e o público em geral.

O produtor Giordany Milani Lage, do Grupo Santa Maria é formado pelas seguintes propriedades no município de Santo Antônio do Amparo: Fazenda Santa Maria, Fazenda São Pedro, Fazenda São Sebastião, Fazenda da Cruz e Sítio Água Limpa, possuindo 20 lavouras de café 100% arábica.
 

Produzidos no Campo das Vertentes

 

O Grupo Santa Maria é formado pelas seguintes propriedades no município de Santo Antônio do Amparo: Fazenda Santa Maria, Fazenda São Pedro, Fazenda São Sebastião, Fazenda da Cruz e Sítio Água Limpa, possuindo 20 lavouras de café 100% arábica.

 

A Fazenda Santa Maria foi adquirida em 1974 e atualmente tem Pedro Gonçalves Lage e seus filhos Giordany Milani Lage e Valéria Avelar Lage como sócios. Hoje a empresa presta serviços de seca, benefício, armazenagem e comercialização de café no município de Santo Antônio do Amparo e região. O Grupo preza pelo manejo das lavouras que é acompanhado diariamente por técnicos especializados, garantindo qualidade e controle de todos os processos, desde a formação das mudas no viveiro, o cuidado com as podas, aplicação de insumos, monitoramento de pragas, colheita do café, até os procedimentos posteriores, como a lavagem e separação dos grãos, secagem, armazenamento com certificação UTZ e rastreabilidade.

 

O Engenheiro Agrônomo Josué Pereira de Figueiredo Engenheiro da Fazenda Bom Jardim. Foto: site

A Fazenda Bom Jardim está localizada na região dos Campos das Vertentes, no município de Bom Sucesso, Minas Gerais. Há mais de 40 anos a Fazenda Bom Jardim comercializa cafés e sementes de café, apresentando tradição e experiência no mercado brasileiro e no exterior. Atualmente possui 34 cultivares de café arábica registradas no Ministério da Agricultura destinadas para comercialização no Brasil e em outros países. Testes de germinação são realizados periodicamente para garantir o padrão de qualidade das sementes comercializadas.

Os campos de produção de sementes são inspecionados pelos Engenheiros Agrônomos Josué Pereira de Figueiredo e Lucas Pereira Figueiredo. A Fazenda é certificada UTZ e Certifica Minas, buscando a melhoria contínua na produção de seus produtos, em respeito ao meio ambiente e as condições de trabalho de seus funcionários.

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