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São João del-Rei aparece em lista de aplicações de lotes de vacinas vencidas contra a Covid-19

Levantamento indica que das 1,2 mil doses vencidas da vacina AstraZeneca/Oxford, 20 foram aplicadas na cidade. Secretaria de Saúde esclarece apenas 2 dos 3 lotes vencidos; e GRS afirma estar investigando o caso.

27/04/2021 13h42 Atualizada há 1 semana
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Por: Thais Marques
Foto: REUTERS/Dado Ruvic
Foto: REUTERS/Dado Ruvic

Colaborou Adriano Vianini

Dados oficiais do Ministério da Saúde analisados pelo jornal Metrópoles registram a aplicação de doses vencidas da vacina Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19 em 1.254 pessoas de 160 cidades brasileiras, entre elas São João del-Rei. Os microdados de vacinação compilados pela pasta apontam que 1.254 pessoas foram inoculadas com doses de lotes do imunizante da AstraZeneca/Oxford cuja data de expiração já tinha passado, incluindo pessoas de São João del-Rei na relação de vacinadas. A Secretaria Municipal de Saúde, após pedido de esclarecimento de nossa reportagem, rapidamente emitiu uma nota na noite de ontem (26), dizendo que os lotes 4120z004 e 4120z005 não foram aplicadas antes do prazo de validade, mas não explicou sobre as doses do lote 4120z001 que também foram enviadas para a cidade. O portal Mais Vertentes apurou e teve acesso com exclusividade a dois cartões de vacina cujo o lote não mencionado pela SMS foi aplicado em São João del-Rei no dia 8 de março, teoricamente dentro do prazo de validade.

O problema envolve as doses de três lotes de vacinas produzidas pela AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, fabricadas na Índia e importadas prontas pelo Brasil, os lotes 4120Z001, 4120Z004 e 4120Z005. São grupos de imunizantes cuja data de validade, de seis meses, já expirou segundo a apuração do jornal Metrópoles.

Para chegar à informação, o (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, cruzou as informações oficiais sobre vacinas aplicadas com os registros de envios de imunizantes para as unidades da federação, onde constam a data de vencimento para cada lote.  Todos os registros apontados pela reportagem do Metrópoles no dia 24 de abril (sexta), se referem a doses da vacina AstraZeneca que vieram da Índia na primeira remessa ao Brasil, em janeiro.

Demora na liberação

A vinda dos primeiros lotes da vacina produzidos pelo instituto Serum, da Índia, sofreu com indefinições e idas e vindas. Ainda em 31 de dezembro do ano passado, a Fiocruz pediu e conseguiu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importar 2 milhões de doses.

Duas semanas depois, no dia 14 de janeiro, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, prometeu que um avião partiria do Brasil no mesmo dia para buscar as doses. A aeronave da empresa Azul foi adesivada pela equipe de marketing do governo, mas o voo acabou cancelado, e a Índia só liberou as vacinas na semana seguinte. Elas chegaram em 22 de janeiro, e começaram a ser distribuídas aos estados no dia seguinte.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável pela produção da Covishield no Brasil, apontou que os três lotes envolvidos vieram justamente nesse voo. Elas foram produzidas em outubro do ano passado na Índia.

Conforme noticiado pelo Mais Vertentes, no dia 28 de janeiro, Minas Gerais recebeu cerca de 190.500 doses da vacina de Oxford

A validade

De acordo com o registro no Ministério da Saúde, o lote 4120z001 foi autorizado para ser distribuído em 24 de fevereiro e vencia em 29 de março. A maior parte dos casos de aplicação de vacinas vencidas mapeados pela reportagem do Metrópoles se refere a esse lote. Foram 869 casos identificados em cinco estados. Já os lotes 4120Z004 – com 108 casos em cinco estados – e 4120Z005 – 277 casos em 17 Unidades da Federação – foram autorizados em 22 de janeiro e venceram em 13 e 14 de abril, respectivamente.

Segundo a bula da vacina no site da Anvisa, a validade do imunizante é de seis meses a partir da data de fabricação, e o produto não deve ser usado após o prazo previsto. “Não use medicamento com o prazo de validade vencido. Guarde-o em sua embalagem original”, diz o documento oficial.

O que diz a Gerência Regional de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de SJDR

Nessa segunda (24), nossa reportagem tomou conhecimento sobre o caso e questionou a diretora da Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei, Edwalda Maria Carvalho de Assumpção, se as informações divulgadas pelo Metrópoles procediam. A princípio, a diretora disse que não tinha conhecimento sobre o caso e, assim como a nossa reportagem, foi pega de surpresa.

Desta forma, questionamos se as vacinas teriam sido aplicadas em São João del-Rei e a diretora respondeu que a GRS SJDR irá investigar, que as informações foram passadas para a área técnica e que aguarda mais informações.

“A princípio não seria mesmo aplicada aqui, mas do que essa turma está tomando cuidado é impossível, mas tudo na vida tem que ser apurado. Nós temos que apurar sim, é questão de saúde pública, não pode deixar passar nada”, disse Edwalda.

Segundo o comunicado veiculado site oficial da Prefeitura de São João del-Rei, nessa segunda (26), após questionamentos do portal Mais Vertentes, “o município não recebeu as vacinas contra a Covid-19 do lote 4120z004 com validade no dia 13/04/2021 e que as doses do lote 4120z005 com validade no dia 14/04/2021 foram aplicadas antes de seu vencimento conforme o registro das unidades”.

Uma fonte informou ao Mais Vertentes que o secretário municipal de Saúde, José Marcos, na manhã dessa segunda (26), ao tomar conhecimento dos lotes vencidos exigiu o esclarecimento por parte da Secretaria e pediu para que fosse divulgado nas redes sociais a nota de esclarecimento da Secretaria (confira abaixo a imagem).

O informe não fez menção ao lote  4120z001, que foi autorizado pelo Ministério da Saúde para ser distribuído em 24 de fevereiro e vencia em 29 de março. O Mais Vertentes apurou que doses do lote 4120z001 foram aplicadas em São João del-Rei no dia 08 de março, antes da data do vencimento.

Ao ser questionada pela nossa reportagem, a coordenadora do setor de epidemiologia, Eliene Freitas, afirmou que o setor não tinha recebido demanda sobre o lote 4120z001, disse que em relação às doses deste lote aplicadas no dia 08 de março estão dentro do prazo de validade e concluiu que irá verificar e retornar com mais informações.

O cartão de vacinas, além da data de validade do imunizante, registra o lote do qual ele faz parte, o que pode ajudar identificar quem recebeu a dose a saber se pode ou não ter sido vacinado com o imunizante vencido. 

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou, através de nota, que, até o momento, não recebeu nenhuma notificação formal das prefeituras informando a possível utilização de vacinas fora do prazo de validade.

“Erro de procedimento”

A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde entre 2011 e 2019, afirmou ao Metrópoles que a aplicação de vacinas fora da data de validade “é um erro de procedimento, cuja responsabilidade é de quem está na ponta: o município, a sala de vacina”.

Segundo ela, o sistema público tinha por norma não enviar aos entes federativos vacinas com menos de 3 meses de validade. “Numa situação especial, como agora, pode-se flexibilizar para um mês, mas precisa haver agilidade”.

“Não há autorização ou previsão para a aplicação fora da validade, as vencidas têm que ser desprezadas”, acrescentou. A especialista afirma ainda que há casos em que pode ser pedido à Anvisa a revalidação de datas de validade, mas que a decisão precisa ser baseada em critérios técnicos.

O que pode acontecer

Ainda de acordo com a epidemiologista Carla Domingues, o problema da aplicação de vacinas vencidas é a possível perda de eficácia do princípio ativo. “Em princípio, um dia, dois dias, uma semana, não vai fazer diferença. Mas isso é teoricamente, e essa aplicação, se houve, não deixa de ser erro de procedimento, que não deve se repetir”, afirma ela.

Domingues afirmou ainda que, como no caso em que grávidas e crianças foram vacinados por engano contra a Covid-19, o indicado é que as autoridades acompanhem a saúde das pessoas durante algum tempo. “Por segurança. Em princípio, não há riscos à saúde, mas a chance de alguma perda de eficácia.”

Questionado sobre possíveis consequências de vacinas vencidas, a Fiocruz respondeu à reportagem do Metrópoles que podem ocorrer “eventos adversos, incluindo a inefetividade terapêutica”. Confira os dados disponibilizados pelo jornal Metrópoles aqui.

 

Com informações do jornal Metrópoles*

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