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Saúde Caso Isabela

São João del-Rei: Família de jovem alega sucessões de erros médicos após internação por Covid-19

Segundo familiares, Isabela Lopes teria sido vítima de sucessões de erros médicos desde o atendimento primário na UPA até a intubação por Covid-19 na Santa Casa de Misericórdia. Financiamento coletivo é criado para ajudá-la com os custos do tratamento!

14/05/2021 16h58 Atualizada há 4 semanas
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Por: Thais Marques
À esquerda, Isabela e seu marido, Willian Alves, antes da jovem ser infectada pela Covid-19. À direita, a jovem após ser extubada. Foto: Acervo pessoal/Reprodução
À esquerda, Isabela e seu marido, Willian Alves, antes da jovem ser infectada pela Covid-19. À direita, a jovem após ser extubada. Foto: Acervo pessoal/Reprodução

A jovem Isabela Beatriz Passos Lopes, 25 anos, internada devido a complicações da Covid-19 em dezembro de 2020, está passando por dificuldades e necessita de ajuda para arcar com os tratamentos após sua extubação decorrente da Covid-19. Segundo a família, houve uma sequência de erros médicos desde o atendimento primário na UPA até a internação na Santa Casa de Misericórdia em São João del-Rei.

De acordo com Willian Pessoa Alves, marido de Isabela, ele esteve com a esposa na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em duas ocasiões e quando, na segunda vez,  Isabela chegou a desmaiar por falta de ar. “Eu encontrei uma médica sentada lá dentro conversando com uma enfermeira e a Isabela lá fora no chão, desmaiada”, afirmou Willian. Segundo ele, a médica que a atendeu na UPA disse que Isabela estava com palpitação nos olhos, não se interessou em analisar o caso e a mandou para casa sem pedir um raio x para analisar seus pulmões. 

Isabela continuou a passar mal, contudo, graças a ajuda de uma assistente social, amiga da família, que retornou com a moça até a UPA, finalmente ela conseguiu o atendimento adequado. “A Isabela falou com ela (assistente) e pediu ajuda. Ela (assistente) colocou a Isabela no carro e levou para a UPA. Como ela conhece o pessoal, a Isabela foi lá para dentro, tirou um raio X do pulmão e deu que já estava com 90% comprometido. Com isso, encaminharam a Isabela para a Santa Casa de Misericórdia, onde ela foi entubada no dia 14 de dezembro de 2020”, disse Willian.

O marido de Isabela disse que a entubação estava ocorrendo bem, mas ao diminuir os medicamentos que deixavam Isabela sedada, as mãos dela não estavam amarradas.  Ao acordar, Isabela teria se assustado com o tubo na boca e retirado o equipamento, o que teria causado uma parada cardíaca na paciente, por ter sido desencaixado dos pulmões e com isso o oxigênio deixou de chegar ao cérebro de Isabela, segundo Willian.

Amarrar as mãos de pacientes intubados por Covid-19 é procedimento rotineiro, para evitar que o paciente, ao acordar, retire os equipamentos. Como nas alas de UTI Covid-19 não são permitidos acompanhantes, o procedimento é adotado.

“Não tinha ninguém para socorrer a Isabela, isso ocorreu às 06h00. O próprio diretor da área do Covid-19 falou isso pra gente da família, que ele estava passando pelo corredor durante a manhã para ver os pacientes, quando entrou na sala viu a Isabela com parada cardíaca, e que não tinha nenhum médico e nenhum dos enfermeiros ao lado da menina. E ele (médico) fez as manobras cardíacas na Isabela, por cerca de 20 minutos. Isso foi de manhã, e não tinha ninguém para socorrer a menina, foi o próprio médico que disse isso para a gente”, afirma Willian.

Willian disse que o médico responsável pela ala da Covid-19, Dr. Sérgio Veloso, não deu maiores explicações sobre o motivo de não ter profissionais na ala de atendimento aos pacientes, mas informou à família de que “ele mesmo fez as manobras cardíacas por estar passando na ala e ver que não tinha ninguém da equipe para atender Isabela”.

Willian e Isabela antes da jovem ser infectada pela Covid-19.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Segundo a família, após o ocorrido com Isabela, os profissionais da Ala 51 (exclusiva aos pacientes com Covid-19 na Santa Casa) começaram a amarrar os pacientes, pois outros familiares estão entubados por complicações da Covid-19 e, além disso, um profissional foi realocado para ficar atento aos pacientes entubados. “Se ela tivesse amarrada, ela não tinha tirado o tubo da boca. Eles teriam visto que ela tinha acordado, e eles mesmos fariam o procedimento correto, de tirar o tubo da boca dela”.

O diretor da ala de Covid-19 da Santa Casa ainda teria apresentado uma segunda versão dos acontecimentos para outro familiar de Isabela, onde disse que no momento da intubação, o tubo teria sido encaixado erroneamente.

Em relação as 13 bactérias que Isabela contraiu durante a internação na Santa Casa, Willian disse que foi após a parada cardíaca que Isabela sofreu. “Eu lembro que o médico ligava todos os dias via vídeo chamada para nós e ele falava: ‘oh, a Isabela pegou uma bactéria no sangue, uma bactéria hospitalar’. Ele (médico) dava antibiótico para a menina, e na outra semana ele falava que a Isabela pegou outra bactéria. E temos provas”, afirma o marido.

A família possui receio de entrar com uma ação na justiça pelo suposto erro médico cometido durante o atendimento de Isabela, pois, segundo seu marido, ela ainda depende dos atendimentos na Santa Casa de Misericórdia. 

 

Isabela em casa após ser extubada na Santa Casa de Misericórdia.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Isabela, após ser extubada, foi para casa, mas começou a apresentar estado febril, com dificuldades para urinar e com uma traqueostomia, devido à intubação, apresentando uma secreção, e por isso retornou à Santa Casa para os devidos atendimentos.

“Pela segunda vez, a Isabela teve que voltar e então ‘nós precisamos’, neste momento, da Santa Casa. Então nós temos receio de entrar com a ação, ou algo relacionado, e acabarem prejudicando a menina lá dentro. Inclusive, a Isabela está internada na Santa Casa, pois ela pegou uma pneumonia e teve que ir para lá tomar antibióticos", diz Willian.

Para a família, houve uma sucessão de erros médicos no atendimento à Isabela, desde o primário na UPA até a internação por Covid-19, na Santa Casa de Misericórdia. Após a situação na Santa Casa, a família chegou a ir pessoalmente na casa de saúde pedir mais informações sobre o caso de Isabela a Sérgio Veloso, pois os médicos deixaram de atualizar o quadro da paciente à família por dois dias, segundo Willian. “Foi quando o diretor do Covid-19 abriu o jogo com a gente e contou o que tinha acontecido.”

“É uma situação muito difícil para nós. A Isabela foi internada com 24 anos, agora ela tem 25. Ela entrou na Santa Casa andando, falando e ela saiu acamada, com o corpo paralisado, sistema neurológico afetado, sem enxergar, ela só escuta, e é da cama para a cadeira de rodas", afirma Willian.

A família está arcando com os custos do tratamento após a extubação de Isabela. Ela está fazendo fisioterapia em casa todos os dias, além de tratamento fonoaudiólogo e neurológico.

“Nós entramos na justiça para a Isabela receber o benefício dela e ter direito à fisioterapia e fonoaudiologia pelo SUS, só que até sair, nós sabemos que demora. Então nós estamos pagando do nosso bolso, por isso estamos fazendo rifas e muitas pessoas também estão nos ajudando, pois é um gasto muito grande. Só a alimentação dela por mês é R$ 1 mil, pois ela se alimenta por sonda”, relatou o marido de Isabela.

Isabela e seu filho Téo.
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Isabela descobriu que seu filho é autista uma semana antes de ser internada. Segundo Willian, o quadro de Isabela mexeu com o psicológico não só de seu filho, mas como o de toda a família, que está revoltada, e desde dezembro de 2020 luta por justiça da Isabela.

A família criou um financiamento coletivo para arcar com os custos dos tratamentos de Isabela. “Qualquer ajuda é bem vinda para a reabilitação da Isabela… como por exemplo: estamos precisando de lenço umedecido de adulto, fralda xg, óleo de girassol, cutisanol, álcool em gel, creme para o corpo, equipamento para sonda alimentar, fórmula, profissionais como fisioterapeuta, fonoaudiólogo, neurologista, enfermeiros e exames periódicos”, detalha a família.

Os dados bancários para doações através de depósito ou transferência pelos seguintes dados bancários: Nubank – Ag 0001 – Banco 260. Conta: 24782608-4, ou pela Chave Pix: [email protected]. Para mais informações sobre o financiamento coletivo, clique aqui.

Nossa equipe entrou em contato com a Santa Casa de Misericórdia pelos ramais da administração e da Ala 51, destinada aos pacientes com Covid-19, quinta (13) e sexta-feira (14), mas não obteve sucesso. Também tentamos contato com a UPA, porém fomos informados que somente o Secretário de Saúde, José Marcos de Andrade, poderá falar sobre o caso. O Mais Vertentes não conseguiu falar com o secretário nesta sexta-feira. Caso a instituição hospitalar e o médico Dr. Sérgio Veloso quiserem se pronunciar, as informações serão atualizadas.

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