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São João del Rei - MG

Política Pinto mete o pau

São João del-Rei: Após perder projeto do governo do estado, Pinto mete o pau no prefeito sem dó

Município perde recursos do Governo Estadual e vereador acusa prefeito e secretária de perseguição política

10/06/2021 às 16h21 Atualizada em 10/06/2021 às 20h24
Por: Adriano Vianini
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Vereador Fabiano Pinto (Democratas) se revolta com a perda de projeto e faz desabafo nas redes sociais. Foto: redes sociais
Vereador Fabiano Pinto (Democratas) se revolta com a perda de projeto e faz desabafo nas redes sociais. Foto: redes sociais

Após quatro meses de negociações entre vereador, Prefeitura e o Governo do Estado de Minas, o município de São João del-Rei deixa de receber projeto que envolve cerca de 112 cursos profissionalizantes, além de infraestrutura e profissionais para capacitar jovens e adultos pela Uaitec. O motivo? "Omissão ou perseguição política", denuncia o vereador Fabiano Pinto (Democratas), na manhã desta quinta-feira (10).

“Infelizmente, por incompetência e falta de vontade da senhora secretária [de Assistência Social], Aline Gonçalves, e do senhor prefeito, Nivaldo Andrade (PSL), São João del-Rei perdeu a oportunidade de receber o Uaitec", denuncia o vereador em suas redes sociais.

“Eu recebi, aqui na Câmara, a resposta da senhora secretária sobre o que foi feito do Uaitec, e nós perdemos o projeto em São João del-Rei por incompetência, por falta de vontade e, talvez, porque quem estava mexendo e cobrando era o vereador Fabiano. Porque o vereador Fabiano é da oposição!”, ressalta o vereador.

O Uaitec de São João del-Rei funcionou no prédio da agência do Banco do Brasil, no centro, até o ano de 2018, e teve que ser interrompido após o banco solicitar o espaço. Desde então, busca-se um novo local para que, novamente, o projeto possa voltar para a cidade.

Trata-se de uma política pública da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico - Sede, que tem como objetivo promover a inclusão digital e social por meio da oferta de cursos gratuitos de qualificação profissional nas modalidades presencial e à distância, bem como de interiorizar as demais políticas públicas executadas no âmbito da Sede. Porém, a Sede só concede a infraestrutra, recursos e cursos com parcerias junto a entes públicos, privados e terceiro setor, incentivando e fomentando a cultura inovadora, tecnológica e empreendedora nos municípios.

Segundo o vereador Fabiano Pinto, que encabeçou o retorno do projeto para a cidade, o mesmo estava em contato com a Sede e a Diretoria de Gestão das Unidades Tecnológicas do Governo de Minas Gerais desde o início do ano. Porém, por tratar-se de cursos gratuitos, o projeto teve que ser em parceria com a Secretaria de Assistência Social de SJDR.

Em entrevista ao Mais Vertentes, o vereador contextualiza diversos problemas com a Secretaria que vão desde atraso no envio de ofício, informações e assinaturas erradas, busca por locais para sediar o projeto, além de cobranças constantes à Assistência Social que, segundo ele, foi tratado diretamente com a secretária e primeira dama, Aline Gonçalves. “É inadmissível o município perder investimento em educação por falta de competência. Se a secretária não é capaz de gerir uma pasta, que ela não seja secretária”, desabafa o vereador.

Segundo Fabiano Pinto, devido erros e atrasos da Secretaria, o mesmo pediu prorrogação do prazo e, mesmo assim, sem sucesso, pois ficou na dependência da Secretaria de Assistência Social tramitar o projeto. “Ela [Aline Gonçalves] não tem um pingo de vergonha na cara. Será que ela está preocupada com a CPI? Será que ela está preocupada em saber se nós vamos procurar o dinheiro da Covid na Assistência Social? É por isso que perdemos o Uaitec? Ou é medo de acordar com a Polícia Federal debaixo da cama?”, ressalta o vereador.

Após expor preocupação na última reunião da Câmara Municipal de SJDR realizada nesta semana, em relação aos prazos e a falta de resposta da pasta, Fabiano Pinto e o presidente da Câmara, Stefânio Pires, chamaram a atenção da Secretaria e da Prefeitura para o problema. Contudo, somente hoje, 10 de junho, o vereador obteve o retorno da Secretaria de Assistência Social com a negativa do Governo de Minas.

Em ofício enviado ao presidente da Câmara, Stefânio Pires, a secretária de Assistência Social, Aline Gonçalves, informa que os locais apresentados como alternativas para sediar a Uaitec, entre eles, a Estação Ferroviária Federal e o ExpoMinas não foram aceitas. Segundo o ofício, a primeira opção "acabou não sendo viável", pois "ponderou-se com a Sede de alugar um espaço para implantar o projeto que levaria um tempo considerável, haja visto, que qualquer espaço que a prefeitura alugasse demandaria reforma". Além disso, a secretária informou que "o município está atravessando uma grave crise financeira em virtude da Covid-19".

Já o ExpoMinas, que também demanda ampla reforma, a Secretaria de Assistência Social direcionou o ofício à Sede informando as características do local e a manifestação pelo projeto por escrito. Contudo, segundo a Secretaria, "no dia 14 de maio, recebemos um email do senhor Felipe Queiroga informando o cancelamento da implantação da Uaitec por iniciativa unilateral da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais - Sede". 

No e-mail enviado, Quiroga expressa novamente o tempo para reforma do ExpoMinas. "Considerando que não possui previsão para que o imóvel esteja disponível para instalação dos equipamentos e mobiliários da Uaitec; considerando que o contrato de prestação de serviços de armazenamento dos bens em galpão terceirizado termina em 30/06/2021, está determinado que as conversas para implantação da unidade Uaitec, bem como a adoção dos bens em SJDR sejam canceladas".

A Sede informa ainda que irá destinar os equipamentos para outro donatário que tenha condições de receber os equipamentos antes da data de encerramento do contrato.

Fabiano Pinto lamentou mais uma vez a "incompetência" da Secretaria e a perda de um grande projeto que, segundo ele, "capacitaria jovens em situação de rua e drogas, traria empregos para a região, recursos que não teríamos, além de mão de obra qualificada para o  município". 

Pelas redes sociais o vereador não deixou barato: “Não é senhor prefeito? O senhor me chamou de brigão num áudio de negociata do senhor, lá no início do ano. Agora o senhor vai saber o quê que é brigão! Nós vamos pra guerra. Por falar mal de mim. Pode me destruir aí na rua, mas não faça a cidade perder recurso e investimento, não”.

E completa que “a cidade queria te ver pelas costas. A cidade está penando na sua mão. Final de carreira política e vai fechar não é com chave de ouro, não. Vai fechar com chave de cadeia. Tá dado o meu recado!”, desabafou o vereador.

O outro lado

Mesmo com o ofício da Secretaria de Assistência Social em mãos (abaixo), o portal Mais Vertentes entrou em contato a Assistência Social. Porém, fomos informados que a secretária, Aline Gonçalves, "só fica lá pela manhã". Questionado se a secretária só trabalha no período da manhã, a telefonista disse que "ela costuma fazer outras coisas à tarde".

O portal Mais Vertentes não conseguiu falar com o prefeito Nivaldo de Andrade.

 

Colaboraram João Sacramento e Thais Marques 

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