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Brasília: Manifestação pacífica de indígenas em frente à Câmara é atacada com bombas de gás pela polícia

Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT) também foi atacado e relata violência policial.

22/06/2021 às 16h32 Atualizada em 22/06/2021 às 17h17
Por: João P. Sacramento
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Manifestação pacífica termina em confronto entre indígenas e PM, em Brasília. Foto: Internet / Reprodução
Manifestação pacífica termina em confronto entre indígenas e PM, em Brasília. Foto: Internet / Reprodução

Em Brasília, hoje (22), a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ), deputada Bia Kicis (PSL-DF), adiou a sessão prevista para votar o PL 490/2007, que dificulta a demarcação de terras indígenas. A comissão iria analisar a proposta nesta terça-feira, mas a reunião foi remarcada para amanhã, após confronto entre indígenas e a Polícia Militar.

O projeto provoca reação contrária de setores da sociedade civil que defendem os direitos dos índios. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) organizou uma manifestação em frente à Câmara dos Deputados, em Brasília, que contou com aproximadamente 80 participantes.

Porém, o ato foi reprimido pela Polícia Militar com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e os manifestantes revidaram com arco e flecha. Confira aqui um vídeo divulgado pelo Mídia Ninja, dos manifestantes atacados.

Como forma de encerrar o conflito, que durou cerca de 50 minutos, deputados intervieram e a presidente da CCJ resolveu adiar a sessão. "Suspendemos por causa do gás", afirmou Kicis.

Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT) segura bombas jogadas pela PM
Foto: Instagram / Reginaldo Lopes

Em suas redes sociais, o Deputado Federal Reginaldo Lopes (PT-MG), relatou como foi o ataque dos policiais contra os manifestantes. "Cenário de guerra hoje em um dos acessos à Câmara dos Deputados. Os povos indígenas que protestavam contra o PL 490, que acaba com a demarcação de terras, foram reprimidos com bombas. Tive que tirar pessoalmente os cones da passagem para que uma ambulância, que eu mesmo chamei, pudesse passar e atender quem estava ferido. Um grande absurdo. As bombas não calarão o grito indignado dos povos indígenas", disse o deputado em vídeo.

A ativista Chirley Pankará afirmou que foi atingida na cabeça por uma bomba de gás e culpou o governo federal pela repressão ao ato. "Fui atingida por uma bomba na cabeça. Felizmente passo bem, mas não podemos naturalizar esse absurdo", disse ela.

Além de militantes e políticos, artistas de todo o Brasil também protestaram contra o projeto de lei. Durante toda a manhã desta terça, a hashtag #PL490Não ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter.

 

 

Sobre a PL490

O projeto retira do Palácio do Planalto a competência de definir a demarcação de terras indígenas e transfere para o Congresso. O texto do relator, deputado Arthur Maia (DEM-BA), estabelece um marco temporal para definir o que são as terras demarcadas como território indígena.

De acordo com a proposta, são consideradas terras indígenas aqueles terrenos que em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, eram habitados em caráter permanente por índios; usados para atividades produtivas e obrigatórios para a preservação dos recursos ambientais necessários à existência de índios.

Única indígena na Câmara, a deputada Joenia Wapichana (Rede-AP), faz parte da mobilização contra a iniciativa. "Chega de retrocessos! Diga não ao PL que quer acabar com as terras indígenas do Brasil", escreveu a deputada nas redes sociais.

O líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), também tem procurado impedir a votação do texto. "Na prática, o projeto acaba com a demarcação de terras indígenas, favorecendo o garimpo ilegal", afirmou Molon no Twitter.

A bancada ruralista é favorável ao projeto e usou de forma irônica a hashtag #PL490Não. Para os ruralistas, o projeto não acaba com direitos dos indígenas nem com a demarcação das terras.

 

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