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São João del Rei - MG

Opinião EDITORIAL

"DANE-SE" as 202 mortes por Covid em São João del-Rei

Sem demonstrar empatia pelas 202 mortes por Covid-19 na cidade, Nivaldo Andrade reaparece para lamentar perda de recursos do governo federal

01/07/2021 às 18h29 Atualizada em 02/07/2021 às 09h46
Por: Adriano Vianini
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EDITORIAL

Mais chocante do que a expressão "dane-se!", além de outras grosserias proferidas pelo prefeito, Nivaldo de Andrade, ao povo são-joanense, é a falta de empatia do mesmo em relação aos 203 óbitos (mais um registrado nesta quinta-feira, 1 de julho), decorrentes da Covid-19.

Longe dos holofotes midiáticos desde a denúncia dos alimentos vencidos encontrados na secretaria da esposa, Aline Gonçalves, na Assistência Social, o prefeito voltou a público, hoje, para lamentar a perda de R$ 900 mil em recursos do governo Federal que, segundo ele, poderá prejudicar o andamento de diversos empreendimentos na cidade. O recurso era oriundo da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CEFEM), na qual a cidade, segundo o próprio prefeito, “saiu da lista”.  

Brasileiros e São-Joanenses estão morrendo e suas famílias não estão conseguindo sequer ter o devido direito ao luto. Os corpos são entregues pelas casas de saúde às funerárias e parentes em sacos plásticos! Não há espaço físico nos cemitérios da cidade para o número crescente de mortes. O município duplicou, em dois meses, o número de mortes por Covid-19 e novos casos cresceram 60%. Em um dos dias mais tristes da nossa atual tragédia, Nivaldo conseguiu deixar claro que, além da sua incapacidade administrativa, o "prefeito dos pobres", em último mandato, também não consegue esconder seu principal objetivo: dinheiro!

A falta de sensibilidade é tamanha que, contrariando o decreto estadual (no qual sempre jogou a culpa pelo fechamento do comércio), Nivaldo se orgulha da sua principal decisão do dia: prolongar o horário de funcionamento dos bares e restaurantes até as 22 horas. “Sou o prefeito para abrir e não para fechar”, disse. Porém, esqueceu de dizer que teve "uma mãozinha" do procurador e que, portanto a decisão, não foi só dele!

Há cerca de três meses, lá quando deu uma coletiva sobre a cidade ser enquadrada na Onda Roxa, Nivaldo reverberou aos quatro cantos de que sua prioridade era a vacina. Assunto este que o prefeito nem citou nas entrevistas concedidas hoje! Talvez por morar em Tiradentes, o prefeito não sabe que até o momento, a cidade que teoricamente administra, só vacinou 36% da população com a primeira dose, e apenas 14,6% com a segunda dose. Acostumado a jogar o problema para o estado ou o governo federal, o Plano Nacional de Imunização (PNI) não foi o dificultador das cidades vizinhas como Prados, Barroso e, muito menos, da microrregião de Barbacena que é bem maior que a nossa.

O prefeito também não quis falar de educação e nem das creches que estão há mais de cinco anos em construção e que adora propagandear. Talvez o motivo seja os investimentos em Educação Básica nos quais o município obteve a pior pontuação do Estado, segundo o TCE-MG.

Nivaldo nunca falou de pessoas, mas sim de recursos, que ele deseja que sejam transferidos para a conta da Prefeitura. Já o bônus de suas improbidades administrativas que sejam transferidas para o “colo de qualquer outro político”, seja o vereador, o governador ou o próximo prefeito, mas não para o dele. 

Não tem mais reeleição prefeito Nivaldo de Andrade, mas ainda há três anos de mandato e, até lá, uma CPI que poderá transparecer o que o senhor e sua esposa fizeram com os recursos oriundos do governo federal para a pandemia da Covid-19 no município.

 

Colaborou: Thais Marques

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