Quarta, 03 de Junho de 2020 03:51
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Cultura 23ª Mostra de Cinema

Mostra de Cinema de Tiradentes se afirma como palco privilegiado do cinema nacional

Foram nove dias de programação gratuita com conteúdos audiovisuais em 113 filmes brasileiros, 53 sessões de cinema e 39 debates

03/02/2020 19h06
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Por: Adriano Vianini
23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES - Foto com todos os premiados na Mostra Tiradentes - Foto Netun Lima/Universo Produção
23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES - Foto com todos os premiados na Mostra Tiradentes - Foto Netun Lima/Universo Produção

Pelo 23º ano ininterrupto, a Mostra de Cinema de Tiradentes se afirmou como palco privilegiado não só de exibição de obras do cinema nacional, como uma plataforma de apresentação e projeção do cinema feito no Brasil para o exterior.

 

Na extensa programação, o 23º Seminário do Cinema Brasileiro consagra o filme cearense “Canto dos Ossos”, da dupla Petrus de Bairros e Jorge Polo, como melhor longa-metragem da Mostra Aurora na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A cerimônia de encerramento, na noite de sábado (1º de fevereiro), no Cine-Tenda, consagrou a produção com o prêmio concedido pelo Júri Oficial, formado por críticos e pesquisadores do audiovisual. 

 

Nas palavras do júri, o filme “aposta na imaginação como potência gestada coletivamente e acolhe seu caráter disjuntivo”. E completou: “Um filme pode nos dizer coisas pela metade, pode errar ou exagerar e, no entanto, pode, à sua maneira, revelar epifanias que nos oferecem o intempestivo cristal de um segmento de tempo, de gesto, de susto privilegiado”.

 

O Prêmio Carlos Reichenbach, dado pelo Júri Jovem ao melhor longa da Mostra Olhos Livres, foi para “Yãmĩyhex – As Mulheres-espírito”, realizado em Minas Gerais com direção de Sueli Maxakali e Isael Maxakali. “Esse filme é importante para mostrar nossa realidade a vocês”, disse a diretora, que saudou a maior presença de profissionais indígenas no audiovisual brasileiro. O Júri Jovem destacou, no filme, “a delirante efervescência da terra, a estética do estar, um manifesto de atravessamentos”.

 

O Prêmio Helena Ignez 2020, oferecido pelo Júri Oficial a um destaque feminino em qualquer função nos filmes das mostras Aurora e Foco, foi entregue pelas mãos da própria atriz e diretora. A vencedora foi a diretora de fotografia Lílis Soares, que esteve em Tiradentes participando de três trabalhos: os curtas “Ilhas de calor”, na Mostra Jovem; “Minha história é outra”, na Mostra Foco; e o longa “Um dia com Jerusa”, na Mostra A Imaginação como Potência.“O que ela tem feito, articulada em coletivos, como o Coletivo de Diretoras de Fotografia do Brasil, ao qual o júri estende sua homenagem, é um cinema que assume para si a responsabilidade de enfrentar não apenas uma disputa de narrativas, mas o agenciamento de uma sensibilidade preta”, destacou o texto do Júri Oficial. No agradecimento, emocionada, Lílis desejou um cinema brasileiro com mais mulheres e mais pessoas negras na criação. 

 

Na Mostra Foco, o Júri escolheu o curta-metragem “Egum” (RJ), com direção de Yuri Costa. Para o júri, “na proposta de abordar a questão racial em sua dimensão sensível, encontramos um filme que se posiciona no âmbito do cinema de gênero, em busca de formas para as sensações de terror e desespero que com frequência atravessam o cotidiano dos corpos negros no Brasil”.

 

 
 
23ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES - Perifericu, de Nay Mendl, recebe o prêmio canal brasil de curtas, eleito o melhor curta da Mostra Foco.. - Foto Leo Lara/Universo Produção

O Prêmio Canal Brasil de Curtas, que oferece R$ 15 mil a um curta também da Foco, foi para “Perifericu”, de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira, que retrata o cotidiano de um grupo de amigas LGBT no Capão Redondo, bairro de periferia em São Paulo. “Esse filme fala muito sobre vida e é muito bonito poder celebrar essa vida aqui hoje”, destacou Rosa. “Ele fala de existência além da simples sobrevivência. Ao mesmo tempo, é muito triste porque a gente não quer mais ser exceção, queremos ser a regra”.

 

O Júri Popular escolheu como melhor longa o filme baiano “Até o Fim”, de Glenda Nicácio e Ary Rosa, e como melhor curta “A Parteira” (RN), de Catarina Doolan. 

 

 

 

CONFIRA OS PREMIADOS DA 22ª MOSTRA DE CINEMA DE TIRADENTES

 

- Melhor longa-metragem Júri Popular: Até o Fim (BA), de Glenda Nicário e Ary Rosa.

Troféu Barroco;

Da Mistika: R$ 20 mil em serviços de finalização

Da Dot: Master DCP para longa até 120 minutos. 

 

- Melhor curta-metragem Júri Popular: A Parteira (RN), de Catarina Doolan.

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 5 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Do CTav: 20 horas de mixagem e empréstimo de câmera por duas semanas;

Da Mistika: R$ 6 mil em serviços de finalização

 

- Melhor curta-metragem pelo Júri Oficial, Mostra Foco: Egum (RJ), de Yuri Costa. 

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 5 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Do CTav: 20 horas de mixagem e empréstimo de câmera por duas semanas;

Da DOT Cine: duas diárias de correção de cor e máster DCP para curta de até 20 minutos;

 

- Melhor longa-metragem pelo Júri Jovem, da Mostra Olhos Livres, Prêmio Carlos Reichenbach: Yãmĩyhex – As Mulheres-espírito (MG), de Sueli Maxakali e Isael Maxakali. 

Troféu Barroco;

Da Ciario: R$ 10 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Da Cinecolor: 5 diárias de correção de cor;

Da Dotcine: máster DCP para longa de até 120 minutos

 

- Melhor longa-metragem da Mostra Aurora, pelo Júri Oficial: Canto dos Ossos (RJ), de Jorge Polo e Petrus de Bairros. 

Troféu Barroco;

Da End Post: R$ 40 mil em serviços de pós produção (laboratório digital, sync, dailies, conform, correção de cor, animação, composição, 3D e masterização);

Da Ciario: R$ 10 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria da Naymar;

Da Cinecolor: 5 diárias de correção de cor;

Da Dotcine: máster DCP para longa de até 120 minutos

 

- Prêmio Helena Ignez para destaque feminino: Lílis Soares, diretora de fotografia. 

 

- Prêmio Canal Brasil de Curtas: Perifericu (SP), de Nay Mendl, Rosa Caldeira, Stheffany Fernanda e Vita Pereira. 

Prêmio de R$ 15 mil.

 

23ª Mostra de Cinema de Tiradentes

 

De 24 de janeiro a 1º de fevereiro, a 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes inaugurou o calendário audiovisual brasileiro e apresentou ao público a diversidade da produção audiovisual contemporânea em 113 filmes brasileiros (31 longas, 1 média e 81 curtas-metragens), em pré-estreias mundiais, nacionais e mostras temáticas em 53 sessões de cinema.  Movimentou a cidade histórica mineira com a oferta de uma programação abrangente, intensa e gratuita que beneficiou mais de 37 mil pessoas em nove dias de evento.

 

“A Mostra Tiradentes representa a força da nossa cultura, a força do cinema brasileiro e, nesta edição fez um convite para sermos propositivos, para imaginarmos outros mundos possíveis, olhar adiante e desfrutar do cinema como arte, aquele que possibilita a construção de novos rumos”, destaca Raquel Hallak, diretora da Universo Produção e coordenadora geral da Mostra Tiradentes. 

 

Mais de 500 convidados participaram da edição deste ano. Foram contratadas mais de 250 empresas e 208 pessoas atuaram na equipe de trabalho nas fases de montagem, realização e desmontagem. Estima-se que a 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes seja responsável pela geração de mais de 2.500 empregos diretos e indiretos.

 

Em 23 edições, a Mostra Tiradentes beneficiou um público estimado em 793 mil pessoas. Proporcionou o acesso gratuito e democrático aos bens culturais com a oferta de uma programação que reúne ações de formação, reflexão, exibição e difusão. Na soma da sua trajetória, o evento já exibiu 2.867 filmes em 1023 sessões de cinema, promoveu 241 oficinas e certificou 6.954 alunos e promoveu 23 seminários, 29 cortejos, 51 exposições temáticas, 72 espetáculos de rua, 184 shows e performances cênico-musicais. Recebeu mais de 9.000 convidados – entre autoridades, cineastas, produtores, atores, críticos de cinema e profissionais do audiovisual. A imprensa foi representada por 1.694 profissionais de jornais, televisões, rádios e internet de todo o Brasil.

 

MAPEAMENTO – PERFIL DOS REALIZADORES

 

Segundo os organizadores, a Mostra de Cinema de Tiradentes realiza, desde 2019, um levantamento pioneiro no Brasil que apresenta a autodeclaração de gênero e raça dos diretores e diretoras. Os números apurados referem-se aos 81 curtas selecionados para a 23ª edição do evento.

 

Assinaram os curtas exibidos 99 cineastas (vários filmes contam com codireção). Deste total, em dados de gênero e identidade sexual, são 48 homens cis e 23 mulheres cis (pessoas que se identificam com o gênero designado ao nascer), uma travesti (identidade de gênero feminina autorreconhecida referente às pessoas que se identificam com o gênero diferente do designado ao nascer), uma pessoa não binária (pessoa que não se identifica com o gênero masculino ou feminino) e 35 que preferiram não declarar.

 

Em relação à etnia e identidade sexual entre os selecionados, são 20 homens cis brancos, 14 mulheres cis brancas, oito mulheres cis negras, 20 homens cis negros, uma pessoa não binária branca, uma travesti negra, dois homem cis amarelo/asiático, sendo que 30 pessoas não declararam etnia. 

 

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