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Ritápolis: Com o apoio do Mais Vertentes, irmãos retomam contato após 44 anos afastados

Dada como morta pela família, Maria Inês saiu de Ritápolis há 44 anos e, com o apoio da reportagem do Mais Vertentes, reencontra sua família na região. Família ainda busca por outro irmão que pode estar em Mato Grosso. Saiba mais detalhes dessa emocionante história!

03/09/2021 às 09h13 Atualizada em 03/09/2021 às 16h26
Por: Thais Marques
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Maria Inês e seus irmãos José Vicente e Maria Helena retomaram o contato após 44 anos separados, graças à apuração da reportagem do Mais Vertentes. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Maria Inês e seus irmãos José Vicente e Maria Helena retomaram o contato após 44 anos separados, graças à apuração da reportagem do Mais Vertentes. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Após 44 anos sem contato com os seus familiares, Maria Inês, com 64 anos, nascida no bairro Restinga de Cima, na zona rural de Ritápolis, e que atualmente mora no litoral de São Paulo, em São Vicente, conseguiu nessa terça-feira (31), retomar o contato com dois de seus irmãos e outros membros de sua família. A família conseguiu retomar o contato graças à apuração da reportagem do Mais Vertentes, que movimentou uma rede de contatos solidários nas cidades em busca de informações dos familiares.

Maria Inês das Graças, que atualmente trabalha fazendo diárias de faxinas, disse em entrevista ao Mais Vertentes que saiu de Ritápolis com 20 anos de idade e foi para São Vicente (SP), em busca de melhores oportunidades de emprego. Em São Vicente, Inês casou-se e teve três filhos, sendo um deles adotado por ela. Inês, como é conhecida em Ritápolis, afirmou que pensou em procurar sua família, mas que quando questionou seu marido sobre a decisão, o mesmo disse que “era melhor que ela não procurasse”.

Maria Inês saiu de Ritápolis há 44 anos
e nunca desistiu de reencontrar a sua família.
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

“Eu vim em busca de oportunidade e trabalhei bastante e nesses 44 anos que estive em São Vicente. Me casei aqui, constituí família. Sempre quis reencontrar a minha família em Minas. Quando perguntei ao meu marido sobre, ele não me deixou ir. Eu mandei algumas cartas para os meus irmãos, só que eu perdi o contato há anos atrás”, conta Inês.

Inês disse que arrependeu-se da decisão, pois teve uma vida muito difícil, e que sempre quis ter contato com a família. Ela também diz enfrentar dificuldades e que, após retomar o contato com seus irmãos, José Vicente dos Santos, de 66 anos, e Maria Helena dos Santos, de 58, que atualmente moram em São Tiago, sente pesar por não ter reencontrado o pai, que faleceu há alguns anos.

“Eu tenho dois filhos, tenho uma filha adotiva e saí de Ritápolis para trabalhar e conseguir ajudar a minha família. Hoje eu cuido do meu marido, que está doente e a minha vida é de muita luta. Eu fiquei muito, mas muito feliz em reencontrar a minha família, agradeço muito a todos que me ajudaram, é a realização de um sonho. Espero conseguir ir em breve a Minas para vê-los”, diz Inês.

O reencontro

Desta forma, Inês nunca deixou de comentar com pessoas próximas a sua história de vida e a sua esperança de retomar o contato com sua família em Ritápolis. Com isso, Francisca Marques, moradora de São Vicente, entrou em contato com a reportagem do Mais Vertentes, pedindo ajuda para encontrar os irmãos de Inês na região.

“Em uma conversa com uma vizinha, chamada Solange, soube da história da Inês e que há muitos anos veio para São Vicente e ficou sem contato com a família. Com isso, eu soube que ela estava angustiada, com o marido doente e que sempre quis reencontrar a família, mas nunca conseguiu. Então eu entrei em contato com a minha sobrinha (Thaís Marques), que trabalha com jornalismo em São João del-Rei, e pedi ajuda pois Ritápolis é próxima da cidade”.

Com poucas informações sobre os familiares de Inês, nossa reportagem procurou a jornalista Paula Carribe, que trabalha na Secretaria de Cultura e Turismo de Ritápolis, para obter mais. Paula enviou as informações para um grupo de artesãos da cidade e, rapidamente, algumas pessoas entraram em contato com o Mais Vertentes.

Uma delas é a Andréia Silva, 41 anos, moradora de Ritápolis e que conhece a história de Inês pelo que ouviu de moradores mais antigos da cidade, desta forma se prontificou a ajudar a família a retomar o contato.

Andreia Silva é lavradora e moradora de Ritápolis. Foto: Reprodução/Redes Sociais

“Eu sempre gostei de ouvir histórias dos meus pais, dos meus avós. Muitas pessoas não dão atenção ao que os mais velhos contam. Sobre a Inês, minha mãe contava que elas estudavam juntas, e que Inês saiu muito nova para trabalhar em São Paulo. Pensavam que ela tinha sido morta, pois ninguém mais teve contato dela. Eu vi a publicação no grupo dos artesãos com as informações, lembrei das histórias que a minha mãe me contou, e percebi que era a mesma Inês. Então entrei em contato com a Paula e contei para os vizinhos a novidade, de que Inês estava viva e procurando seus familiares”, diz Andreia.

De acordo com Andreia, todos os vizinhos e pessoas que a procuraram pedindo informações ficaram emocionados com o desfecho e que sabia do sonho de José Vicente, um dos irmãos de Inês, tinha de reencontrar a irmã.

“Há muitos anos eu estava procurando a Inês. Às vezes ela escrevia cartas para nós e a gente tinha a esperança dela chegar, eu pensei até que ela estava morta, pois ela nunca chegava. Quando recebi notícias dela fiquei muito alegre, Deus nos abençoou. Eu agradeço muito a todo mundo que ajudou”, diz José Vicente.

José Vicente e Maria Helena dizem estar felizes por terem reencontrado sua irmã e ainda buscam por mais um membro da família. 
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Assim como José Vicente, outra irmã de Inês, Maria Helena, que também mora em São Tiago, disse à nossa reportagem que ligaram para a casa da sua filha a procurando e dizendo que estavam querendo informações sobre a família de seu pai.

“Na quinta (1º de setembro), liguei para ela e já conversamos. Eu estou muito feliz de ter encontrado ela, uma pena que ela não conseguiu vir antes do meu pai falecer. Meu pai teve trombose e eu cuidei dele até a morte. Faz muitos anos que meus pais morreram”, diz Maria Helena.

Outro irmão de Inês, chamado João Sabino dos Santos, conhecido como Parelo, mora no Povoado do Pinto, zona rural de Resende Costa, mas a família ainda não conseguiu realizar o contato por telefone.

Inês comentou ao Mais Vertentes que está planejando vir visitar os familiares, assim que tiver condições para vir à nossa região.

Família busca por outro irmão

José Expedito dos Santos, conhecido como Dito, na época em que ainda morava em Ritápolis. Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Os familiares de Inês buscam informações sobre o paradeiro de outro irmão, chamado José Expedito dos Santos, conhecido como Dito, que há muitos anos saiu de Ritápolis com destino ao Mato Grosso e não deu mais notícias. 

A família acredita que Dito possua em torno de 40 anos atualmente e caso haja qualquer informação sobre seu paradeiro, procure a delegacia da Polícia Civil mais próxima ou disque 181 para falar com o Portal de Pessoas Desaparecidas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública realiza a campanha para coleta DNA (material genético) de familiares de pessoas desaparecidas, em parceria com a Polícia Civil, que processa e envia dados para o Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG). A coleta do material, que pode ser feita pelo método swab (retirada de células da mucosa oral) ou por coleta de sangue. A doação, que é feita de forma voluntária, é indicada preferencialmente aos familiares de primeiro grau, como mães, pais, irmãos ou filhos.

Em Barbacena, o material é coletado na Faculdade de Medicina de Barbacena (Funjobe), localizada na Praça Antônio Carlos, nº 8, bairro São Sebastião. Em Lavras a coleta é realizada na Delegacia Regional de Polícia Civil, localizada na Rodovia BR-265, 215, no bairro Serra Verde e em  Juiz de Fora na Delegacia Regional de Polícia Civil, localizada na Rua Custódio Tristão, 76 nº, bairro Santa Terezinha.

Confira a lista dos pontos de coleta em Minas Gerais aqui.

 

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