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Opinião Os Pingos nos IS

Cresce o número de casos entre pessoas não vacinadas, por Helvécio Reis

Vou ser curto e grosso: crie vergonha! Tome chá de razão! Vá se vacinar depressa! Pare de acreditar em pessoas cujo princípio é “façam o que falo, mas não façam o que faço”.

05/09/2021 às 11h58 Atualizada em 05/09/2021 às 12h49
Por: Helvécio Reis
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Imagem: Reprodução / Internet
Imagem: Reprodução / Internet

Helvécio Reis, professor*

Reportagem do Mais Vertentes de 25 passado chamou a atenção para o número de casos de Covid-19 em alta em São João del-Rei. Em outra reportagem o Mais Vertentes alerta para a aceleração dos casos no Campo das Vertentes, dentre os quais Lagoa Dourada e Resende Costa que já regrediram para a onda amarela. 

A Prefeitura de São João del-Rei comunicou que a variante Delta, diagnosticada originalmente na Índia, e que por lá passou como um tsunami, foi detectada entre os casos de del-Rei. No Rio e São Paulo, a maioria dos casos de Covid-19 registrados tem sido da Delta, com aumento de internações, quadros graves e morte, especialmente entre jovens não vacinados, pessoas que tomaram somente uma dose e mesmo entre idosos completamente vacinados.

Sem controle, a variante Delta pode propagar-se pelo Brasil, a exemplo do que ocorreu com a Alfa (de Manaus). Estudos antecipam que algumas vacinas perdem parte de sua eficácia contra a Delta, a partir do terceiro mês da administração da última dose. Outros estudos advertem que a Delta é mais contagiosa e responsável por uma carga viral 300 vezes maior que a da Alfa. Fique atento: os sintomas da Delta são ainda mais parecidos com os de resfriado, gripe, sinusite e até alergia, confundindo o diagnóstico. Outros países que enfrentam ou já enfrentaram a Delta indicam que seus sintomas mais frequentes são coriza (nariz escorrendo), dor de cabeça e ardência na garganta e que perda de olfato, paladar, tosse e falta de ar NÃO são comuns com ela. 

A taxa de transmissão da Covid-19 em del-Rei voltou a ser maior que um, desde 13 de agosto. Esse índice, desenvolvido pelo Imperial College London para medir a evolução de casos Covid-19, quando superior a um, indica que uma pessoa estaria transmitindo a doença para mais de uma, o que caracterizaria a aceleração da doença. A média de casos em nossa cidade está por volta de 25 ao dia, e relembra as fases pré-críticas de novembro e março passados.

O Mais Vertentes destaca também o número de casos entre jovens de 1 a 19 anos, que ainda não chegaram a ser vacinados em del-Rei. Podem-se tirar pelo menos três conclusões: primeiro, o vírus não escolhe idade; segundo, a vacina protege de fato; e, terceiro, crianças também adoecem, contrariando os negacionistas. Além de não serem imunes, as crianças podem “carregar” o vírus da escola para suas casas.

Em municípios mais adiantados na vacinação, a abstenção à vacina tem sido surpreendentemente grande entre jovens e pessoas que precisam tomar a 2ª dose. Até esse momento, pouco mais de 30% da população brasileira está totalmente vacinada: os números mostram alento, entretanto, muito mais gente precisa se vacinar para que todos tenhamos segurança para retornarmos às nossas atividades. 

É lamentável que pessoas – pessoas esclarecidas muitas delas – que tomaram um dia vacinas como BCG, VOP, tetravalente, tríplice viral, anti-hepatite B e febre amarela tenham se convertido ao negacionismo. Difícil entender o sumiço de pessoas que tomaram a primeira dose e que, com ou sem efeitos colaterais, estejam com receio da segunda. Haja paciência saber que entre essas pessoas há quem acredite em fake news, como a metamorfose para jacaré, do chip implantado no braço, no uso de células de fetos abortados na produção de vacinas, na modificação do DNA de pessoas vacinadas, e no tratamento precoce à vacinação. Olha, a ivermectina é para cavalos! Entendeu ou é preciso soletrar? Preguiça, viu? O tratamento de pessoas que venceram a Covid-19, sobretudo nos quadros mais graves, é muito, muito pesado. 

Apesar de tantos alertas, infelizmente, o negacionismo vem matando muita gente. Vou ser curto e grosso: crie vergonha! Tome chá de razão! Vá se vacinar depressa! Pare de acreditar em pessoas cujo princípio é “façam o que falo, mas não façam o que faço”. Aqui, não divulgue: essas mesmas pessoas já correram, escondidinhas, para se vacinar. Vacinando-se, você se protege e protege a todos: sua iniciativa ajuda a reduzir a circulação do vírus e a evitar o surgimento de novas cepas. Um parênteses: a “Mu”, denominação da variante detectada na Colômbia, preocupa – e muito – porque parece resistente a algumas das vacinas. 

Foi com vacinas que controlamos várias doenças como, por exemplo, a da paralisia infantil, sumida depois de tantas campanhas vacinais. Infelizmente, o Brasil parece não fazer mais, e, inacreditavelmente, por causa desse negacionismo assentado no Palácio do Planalto, a paralisia infantil pode reaparecer, alerta os cientistas.

 

Foto: Arquivo pessoal

Helvécio Reis é professor, ex-reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ - 2004 a 2012) e ex-prefeito (2013 a 2016). Escreverá semanalmente ou quinzenalmente para a coluna Botando os Pingos nos Is, do Mais Vertentes!

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