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São-Joanense Diego Mendonça é um dos expoentes das artes plásticas brasileira

Artista que leva com orgulho sua arte e o nome do município para diversas partes do mundo, lamenta a pouca valorização que a cidade dá ao artista local e a falta de investimentos no turismo

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Coluna SocialAí que loucura, Aí que absurdo! Tudo que Acontece ou Quem Acontece no Campo das Vertentes!

05/12/2019 15h57Atualizado há 2 semanas
Por: Adriano Vianini
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Artista plástico Diego Mendonça. Foto: Mais Vertentes
Artista plástico Diego Mendonça. Foto: Mais Vertentes

Se para Leonardo da Vinci pintura era coisa mental, para o artista São-Joanense, Diego Mendonça (37), ela também é física, espiritual e até fisiológica, em certos aspectos. É difícil fugir do pincel para quem cresceu observando o pai no ofício da arte e encontrou abrigo nesse tipo de linguagem. E, curiosamente, São João del-Rei é um cenário fértil para esse tipo de ofício. 

O São-Joanense Diego Mendonça já rompeu a barreira de "novos artistas" e hoje transita com maestria como expoente do mundo das artes plásticas. Nasceu e cresceu rodeado por arte: o pai, José Maria Mendonça, é escultor. Além disso, o jovem também frequentou e estudou, desde pequeno, o Conservatório de Música Padre José Maria Xavier.

Em entrevista a revista Mais Vertentes, Diego nos recebeu em seu ateliê no bairro do São Caetano, em São João del-Rei, em meio às suas magníficas obras e sua admirável coleção particular de outros artistas. 

 

Bem articulado e desenvolto, o artista traz consigo uma arte expressiva e ao mesmo tempo sensível e delicada da figura humana, e entende a técnica como um espaço de reflexão e narrativas que podem ser conceituais, artísticas e, por quê não, comerciais.

 

Diego Mendonça doou ao município de SJDR um quadro em homenagem aos 300 anos da cidade, sua terra natal, em tamanho de 4.0 x 2,5 metros, sendo a maior obra já pintada pelo artista, que ficará exposta na Prefeitura Municipal de São João del-Rei a partir do dia 6 de dezembro. Confira!

Quadro doado pelo artista, Diego Mendonça, ao município de SJDR. Foto: Jackson Godoi

O quadro faz uma homenagem aos 300 anos de SJDR e trata-se de uma leitura das grandes personalidades que nasceram ou viveram aqui, tais como Tiradentes, Tomé Portes Del Rei, Bárbara Heliodora e Tancredo Neves. Perceba que há referências em todos os cantos, como os sinos, nas mãos de uma personagem ao centro; a Maria Fumaça, dentro de um quadro segurado por um personagem à esquerda; e tudo acontece na Ponte do Rosário que, por sua importância para a história da cidade, foi o cenário principal do artista. Há de se falar também do grande concerto, envolvendo as tradicionais orquestras e bandas da cidade. "O standarte da semana santa, uma frase em latim, um quadro da maria fumaça, embaixo uma homenagem ao Padre José Maria Xavier, que foi grande musicista da nossa terra, além do coral, a orquestra e a banda", explica Diego. Mas por que um dos personagens segura um guarda-chuva - lado direito da tela - se não está chovendo? O artista explica que é uma referência para proteger alguns personagens que representam a história. "Nossa história precisa ser preservada. Achei um absurdo quando a antiga presidente, Dilma, mandou retirar os retratos dos presidentes militares. Foi ridículo, a história está aí e precisa ser mostrada e preservada, sendo boa ou ruim, não podemos apagar a história", explica Diego.

 

Nos conte um pouco de sua história?

Nasci e fui criado em SJDR. A arte foi surgindo por acaso na minha vida. Desenho desde criança. Lembro que meus cadernos eram repletos de desenhos. Mais desenhos que matérias (risos). E também por meio da minha família. Meu pai é escultor e nossa família sempre respirou arte. Além disso, morar em SJDR é uma inspiração. A todo lugar que você vai tem arte. Também passei grande parte da minha infância estudando no Conservatório de Música Padre José Maria Xavier.

 
Coleção Indígena foi publicada em livro sobre vida e obra do artista, Diego Mendonça. Foto: Mais Vertentes

Como as artes plásticas surgiu na sua vida profissional?

Fazia muita festa para crianças com painéis de isopor, maquetes e trabalhos escolares. Um dia meu pai me incentivou a pintar em madeira. Na época estava em alta pinturas em madeira de demolição. Aos 15 anos pintei em um painel de madeira a imagem de um leão. Do nada vendi o quadro por R$ 100 reais, que na época era muito dinheiro, mais de meio salário mínimo. Fiquei numa empolgação e, com isso, parei com as festas infantis e passei a pintar quadros.

 

Quais influências você utiliza para se inspirar e formar seu estilo de pintura?

Em 2006 comecei a ter aulas com o João Garboggini Quaglia (famoso pintor, desenhista, gravador, ilustrador e professor Baiano, além de renomado artista que morou em São João del-Rei). Estudei com ele por oito anos. E, com certeza, é inevitável a influência do mestre na vida do aluno. Após sua morte, fique três anos pintando sozinho. Porém, em 2018, me aproximei mais da Yara Tupynambá (artista plástica mineira, de Montes Claros, que hoje mantém um instituto em Belo Horizonte). Comecei a frequentar o ateliê dela, em BH, e também a ter uma certa influência dos trabalhos que ela realiza. Estou aprendendo, com ela, a pintar em acrílico que é totalmente diferente da pintura a óleo, na qual eu sempre realizei. Estou finalizando uma nova coleção baseada e influenciada pelos trabalhos dela para marcar essa fase boa que estou com ela.

 

Em 2006 comecei a ter aulas com o João Garboggini Quaglia (famoso pintor, desenhista, gravador, ilustrador e professor Baiano, além de renomado artista que morou em São João del-Rei). Estudei com ele por oito anos. E, com certeza, é inevitável a influência do mestre na vida do aluno. Após sua morte, fique três anos pintando sozinho. Porém, em 2018, me aproximei mais da Yara Tupynambá (artista plástica mineira, de Montes Claros, que hoje mantém um instituto em Belo Horizonte). Comecei a frequentar o ateliê dela, em BH, e também a ter uma certa influência dos trabalhos que ela realiza. Estou aprendendo, com ela, a pintar em acrílico que é totalmente diferente da pintura a óleo, na qual eu sempre realizei. Estou finalizando uma nova coleção baseada e influenciada pelos trabalhos dela para marcar essa fase boa que estou com ela. 

 

Mas um artista só adquire um estilo mesmo aos 70 anos de idade (risos). Só depois que já pintou de tudo, fez de tudo e aí o processo artístico vai sofrendo mutações de acordo com sua influência, vivência, vida, pessoalidade, coisas que te acrescentam e/ou quer descartar. E esse processo só amadurece após muitos anos.

 

Como você se formou artisticamente, além do Conservatório de Música?

 
Diego Mendonça em seu ateliê e a coleção inspirada em SJDR. Foto: Mais Vertentes

Eu não segui carreira artística. Aos 18 anos entrei em conflito com a minha família, pois ninguém queria que eu fosse artista. Com isso, fiz um concurso da EsSA para ser militar e me formei como sargento em Três Corações, sul de Minas Gerais. Depois fui servir e morar em Santos/SP. Lá entrei na faculdade de Direito (UniSantos), pois queria seguir a carreira militar. A arte, nesse período, se tornou hobby aos finais de semana e férias. Mas, dentro da corporação, os oficiais começaram a ver meus trabalhos e me demandar trabalhos. Pintei quadros para o museu do batalhão, restaurei quadros, pintei para o refeitório etc. De repente me perguntei o que estou fazendo aqui? Sou militar ou artista? Daí resolvi retornar para SJDR e trabalhar com o meu pai na empresa de móveis. Finalizei o curso de Direito em SJDR, depois entrei no curso de cerâmica da UFSJ, mas percebi que não era minha paixão, e agora estou fazendo mestrado em Arte, Urbanidades e Sustentabilidade, no PIPAUS, da UFSJ.

 

E quando sua arte ganhou repercussão nacional e internacional?

O amadurecimento do meu trabalho foi quando comecei a trabalhar com o Quaglia. Foi ele quem abriu meus olhos verdadeiramente para as artes. Infelizmente, aqui (em SJDR) as pessoas não conhecem muito e não valorizam o trabalho dele. Mas Quaglia era e ainda é muito famoso no Brasil, e me incentivou a me inscrever em editais, concursos e exposições. No começo tudo era rejeitado, rejeitado, rejeitado... Daí eu chorava com o Quaglia que, mais uma vez, me incentivava a fazer melhor. Foi quando ganhei minha primeira medalha no Salão de Artes do Rio de Janeiro que as coisas começaram a clarear na minha vida. Logo depois veio o convite para expôr no Consulado Brasileiro, em NY, em 2011. Daí em diante foi um boom na minha carreira e diversos convites foram surgindo.

 

O que atrai você em SJDR, além da paisagem inspiradora e histórica?

 
Coleção inspirada em SJDR que traz um personagem fazendo queijo. Foto: Mais Vertentes

A cidade inspira arte, além disso adoro o povo que é muito acolhedor. É muito bom encontrar pessoas nas ruas e conversar por horas. Mesmo eu sendo pastor, eu acho as igrejas belíssimas, entro nelas para visitá-las e ainda encontro com o bispo e o Pe. Geraldo que me perguntam o que estou fazendo por lá (risos).

 

 

O que você acha que ainda precisa melhorar na cidade?

Muitas coisas. Começar com a mentalidade das pessoas que não valorizam o artista local. Outra questão é que SJDR tem um potencial turístico inigualável e, infelizmente, não é explorado. Nós que vivemos na cidade, tendemos a nos acostumar e se acomodar com o cenário do dia a dia. Mas o centro histórico de SJDR é maravilhoso, as igrejas são maravilhosas, de cair o queixo, e por que não é explorado?

Por causa de uma cultura que vem sendo levada há anos - a cultura do asfalto, do abre e tampa buraco. Investir em turismo é um processo que demora tempo e investimentos. Infelizmente, os políticos, querem retorno e mídia a curto prazo. Isso não irá acontecer. Precisamos avançar uns oito anos com o marketing voltado ao turismo e, só daí, conseguiremos colher frutos disso. É o que aconteceu em Tiradentes, que atualmente até importa mão de obra!

A população precisa entender que não vai vir empresas para a cidade. Estamos distantes das grandes rodovias e da capital. A única solução para SJDR é investir no turismo. Só que não entenderam isso ainda. Vivem à margem da universidade - lembrando que estudante só gasta dinheiro com remédio e bebida, infelizmente. E o turismo é uma das economias que mais geram emprego e desenvolvimento para as cidades. É uma pena que a cidade não respira isso. Temos um potencial enorme, mas não exploramos.

 

Premiações

Premiado em diversos salões de arte em vários países, o São-joanense prodígio recebeu a medalha de bronze no Triatlon das Artes de Vaduz, no Principado de Liechtenstein; ficou em terceiro lugar no voto popular do Salão de Arte Contemporânea do Carrousel du Louvre Museum, em Paris – França (2015); além de diversos salões de arte no Brasil, entre eles: Medalha de Ouro no Salão Nacional de Arte da ADESG (2013 – Rio de Janeiro), onde recebeu Menção Especial do Júri, também o Prêmio Destaque no Salão Nacional da ADESG no TRT (2013 – Rio de Janeiro), Medalhas de Bronze no Salão de Artes da Academia Brasileira do Meio Ambiente (2012 – Rio de Janeiro), e no Salão de Artes Plásticas da Escola Superior De Guerra (2012 – Rio de Janeiro).

 

Exposições

Já perdeu a conta de quantas exposições participou, entre as individuais e coletivas. Foram mais de 50, destaque para os trabalhos expostos na sede da ONU (Organização das Nações Unidas); no Consulado do Brasil em New York; nas Bienais de Versalhes – França; e de Moita – Portugal. Mas também já expôs seus trabalhos em cidades importantes como Hight Point (EUA), Florença, Viena, Porto, Barcelona, Versales, Vaduz, Dubai, além de vários locais em território nacional, como São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiros, Tiradentes, São João del-Rei e outras.

 

Colecionadores e Celebridades

 
Quadros pintados por Diego Mendonça que viraram livros do Pe. Fábio de Melo. Foto: Mais Vertentes

Seus quadros já foram catalogados e fazem parte de coleções de renome e de celebridades, tais como o autor de novelas, Aguinaldo Silva; o padre Fábio de Melo; o escritor Ignácio de Loyola Brandão, entre muitos outros. Inclusive, Diego já pintou três quadros que foram capas de livros lançados pelo padre Fábio de Melo e, recentemente, acaba de pintar o próximo livro da São-Joanense, Liliane Dutra (abaixo).

 

 

 

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