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São João del Rei - MG

Economia EDITORIAL

São João del-Rei paga pelo atraso nas áreas econômica e turística e comerciantes colhem os frutos pela má fama na "exploração dos empregados"

Projeto de Lei Nº 7.466 que estenderia o horário comercial no município foi reprovado hoje (21), por unanimidade, pelos vereadores

21/09/2021 às 18h46 Atualizada em 22/09/2021 às 19h39
Por: Adriano Vianini
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Ponte da Cadeia em SJDR. Foto: Orlando Barros (2019)
Ponte da Cadeia em SJDR. Foto: Orlando Barros (2019)

No Brasil, a escravidão foi extinta em 1888, mas a mentalidade escravocrata permaneceu nas relações entre patrões e trabalhadores desde sempre e, consequentemente, perpetua anos a fio como um pilar do novo século, transformada em relações de trabalho. Não é exagero dizer que convivemos com vestígios dela ainda hoje, especialmente em São João del-Rei. Fato este discutido pela população são-joanense durante as últimas semanas que antecederam a Audiência Pública sobre o Projeto de Lei No. 7.644, que propunha a extensão do horário de funcionamento do comércio de São João del-Rei, e que foi reprovado hoje (21), pela Câmara Municipal.

Após diversos atropelos do Executivo, ainda havia a esperança do projeto ser aprovado na Câmara e, com isso, conseguir modernizar o Código de Postura Municipal que rege sobre o horário de funcionamento do Comércio e da Indústria em São João del-Rei há mais de 30 anos. O projeto também contribuiria para tirar a cidade do atraso e do ostracismo comercial que perdura nestas três décadas ou mais. Porém, o Executivo, mais uma vez, atropelou o Legislativo para tentar justificar a permanência das lojas, especialmente do Pátio Matosinhos, considerado o novo shopping de São João del-Rei, até às 22 horas.

O maior erro dos defensores da expansão do horário comercial? Associar o Projeto de Lei ao aumento do turismo na cidade. 

Manifestações frente à Câmara Municipal de SJDR remeteram a escravidão.
Foto: Ruby Rivera / Redes Sociais 

A falta de comunicação e de informação juntaram-se à política, e esta, por sua vez, à repulsa popular sobre as relações trabalhistas na cidade, ou, “exploração dos trabalhadores” como gritavam os movimentos sociais, sindicatos e trabalhadores frente à Câmara Municipal. Esta repulsa de grande parte da população é louvável e faz jus à fama de parte dos comerciantes locais de explorar trabalhadores com mão de obra barata. Em São João del-Rei, segundo o NEPE/UFSJ, o comércio é responsável por gerar 75% dos empregos. 

As discussões em torno do projeto mais parecia Luta de Classes. De um lado os empresários comerciantes que buscam sobreviver ao crescimento exponencial do e-commerce, a queda do consumo local em decorrência a perda do poder de compra dos trabalhadores e, consequentemente, o desemprego; e, ainda, o aumento do turismo e a circulação do dinheiro novo (dos turistas) nas cidades vizinhas. Do outro lado, trabalhadores do comércio, por sua vez, mal remunerados, açoitados e, consequentemente, com a fama de mal humorados.

O que se pode concluir após amplos debates entre movimentos sociais, empresários, sindicatos, vereadores e a população são-joanense é que a cidade perdeu o trem e deixou de ser o principal polo econômico das Vertentes há tempos. Sem vontade política e planos para o desenvolvimento econômico, turístico e social, a cidade não avança pois falta o básico: transporte, segurança, creches, limpeza urbana, laser para a população e, principalmente, respeito ao colaborador.

São João del-Rei além de histórica ainda parece estar na pré-história!

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