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2ª FLITI: Em passagem pela feira, a homenageada Paula Pimenta falou sobre as adaptações de seus livros para o cinema

Em entrevista ao Mais Vertentes, a escritora contou sobre seus livros que viraram filmes, a concorrência com a internet e deu dica para novos escritores

17/10/2021 às 15h57 Atualizada em 18/10/2021 às 15h57
Por: João P. Sacramento
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A escritora homenageada, Paula Pimenta, na 2ª FLITI. Foto: Divulgação / FLITI
A escritora homenageada, Paula Pimenta, na 2ª FLITI. Foto: Divulgação / FLITI

Na tarde desse sábado (16), foi a vez da autora homenageada Paula Pimenta participar de uma das mesas de conversa da 2ª edição da Feira Literária de Tiradentes. A escritora conversou com exclusividade com o Mais Vertentes antes de sua participação no evento e falou sobre como é adaptar seus livros para o cinema, a concorrência com a internet e sua história com Tiradentes.

Paula Pimenta começou a faculdade de jornalismo, mas abandonou para se dedicar à Literatura. Nascida em Belo Horizonte, a escritora ficou conhecida pelos livros da coleção “Fazendo Meu Filme” e “Minha Vida Fora De Série”, além de “Cinderela Pop”, que ganhou as telas do cinemas, estrelado por Maísa Silva, com leitores e espectadores em vários países.

A adaptação para as telas

Paula afirmou que a adaptação dos livros para o cinema é um pouco difícil, e que faz questão de acompanhar. “Sempre tem que dar uma certa mudada, e eu sou super ciumenta dos livros. É por isso que eu gosto sempre de acompanhar. Quando eu não sou roteirista, eu, pelo menos, sou consultora de roteiro. Faço questão de colocar no contrato que eu posso até vetar o roteiro se não gostar”, contou a escritora.

Sobre as mudanças que ocorrem nas adaptação, Paula disse que  “sempre têm, independente se eu gostar ou não. Precisa, por que os livros são escritos em primeira pessoa, como é que fica mostrando pensamento o tempo inteiro na tela? Não dá!”.

Ela ainda conta que, durante o processo, teve que desapegar de algumas coisas, mas garante que todas as mudanças têm um propósito. “Mas até agora, com o ‘Cinderela Pop’, que já saiu, e ‘Fazendo Meu Filme’, que está em pós-produção, eu estou muito satisfeita. Espero que nos outros também aconteça isso”, disse.

Na foto, a autora Paula Pimenta, coma filha Mabel, durante conversa na feira
Foto: João P. Sacramento

Cinema não atrai novos leitores

Mesmo com vários livros adaptados para o cinema, Paula Pimenta não acredita que as adaptações atraiam novos leitores. “Acho que atrai leitores novos que já gostam de ler. Eu acho difícil, e não conheço, uma pessoa que não goste de ler e vai querer ler o livro por causa do filme. Quem já tem o hábito da leitura e vê um filme, pensa ‘Nossa, o livro deve ser melhor ainda’, porque um leitor sabe que sempre o livro é melhor do que o filme. Eu como leitora, acho isso, porque nunca vi um filme que eu gostei mais que o livro”, revelou.

Paula e os poemas

Paula Pimenta também é autora do livro “Confissões”, com poemas escritos por ela. Sobre voltar a escrever poemas, a escritora conta que continua escrevendo na voz de seus personagens. “Eu continuo escrevendo poemas na voz do Rodrigo, que é o personagem de ‘Minha Vida. Fora de Série’. Ele é um poetinha, então eu continuo escrevendo poemas para ele. Poemas para mim mesmo, eu não sei. Realmente tem muito tempo que eu não escrevo, baseado na minha própria vivência, mas quem sabe no futuro. Por enquanto não!”, comentou.

Homenagem em Tiradentes

Paula é mineira e contou que tem uma relação especial com Tiradentes. Ela disse que receber uma homenagem na cidade “é diferente e é muito gostoso”. “Eu tenho uma história com essa cidade. Meu melhor amigo tem uma casa aqui, então, por anos, a gente vinha para cá, quase todo fim de semana. É um gostinho familiar, parece que estou em casa. É muito bom”, disse a escritora.

Incentivo à leitura no Brasil

Quando questionado sobre o incentivo à leitura no Brasil, Paula foi taxativa ao dizer que “podia ser maior”. Paula afirmou que esse incentivo deve partir das escolas e de dentro das casas, “ ainda mais no tempo de hoje, que a gente tem tanta concorrência com a internet e com o celular. Então, eu acho que podia incentivar mais”.

A escritora considera que as escolas precisam se abrir mais para a leitura. Ela apontou que o celular vem sem um grande concorrente e que dificulta “atrair os jovens para leitura”. Para ela, as escolas devem oferecer livros que chamem a atenção dos jovens. “ Então tem que dar livros que atraiam mesmo. É leitura de entretenimento para que eles tenham gosto pela leitura”, aconselhou Paula, que disse que entende que os clássicos dessa geração, como Harry Potter, por exemplo, devem ser usados para "mostrar que livro é legal”.

O que lê Paula Pimenta?

A leitora Paula Pimenta afirma que, quando tem tempo entre a escrita e os cuidados que precisa com a filha Mabel, de 3 anos, gosta de ler sobre tudo. "Eu leio de tudo, mas minhas autoras preferidas são a Meg Cabot, que é autora do ‘Diário da Princesa’, e que foi exatamente lendo o ‘Diário’ que percebi como os meus tinham muitas histórias para contar; e a Martha Medeiros, que foi a minha maior influência para as crônicas e poemas. Quando eu li a Martha Medeiros, eu pensei: ‘Eu quero muito escrever assim’, e eu continuo amando tudo que ela escreve”, contou.

Dica para novos escritores

Paula Pimenta deu várias dicas para os novos escritores, mas começou com a que ela acha mais importante: “Principal é ler muito. Eu acho que quem lê muito acaba aprendendo com a escrita dos outros escritores também”.

Paula ainda afirmou que o escritor deve escrever sobre um tema que ele se identifique. “Eu acho que tem que escrever sobre aquilo que gosta de ler. Se você gosta de ler suspense vai escrever um livro de suspense. Não inventa de escrever um livro, sei lá, de História, porque não têm nada a ver. É a mesma coisa que ler, se você gosta daquilo, na hora de escrever você também vai gostar”, afirmou a escritora que disse que, o escritor passa muito tempo dedicado a uma obra. “Você vai passar muito tempo com seu livro e tem que gostar daquilo que você está escrevendo”, contou. 

Outra dica da escritora é o domínio do assunto que será abordado no livro. “Tem que escrever sobre aquilo que você conhece, para não se perder no meio da história. A não ser que você crie um reino fictício, por aí você pode colocar o que você quiser. Mas se for um lugar real, vai fazer pesquisas para não dar nenhum furo”, disse a escritora.

Por último, Paula diz que é necessário ter paciência, “porque publicar no Brasil é difícil, mas não pode desistir”, aconselhou. A escritora disse que seu primeiro projeto de “Fazendo Meu Filme” foi recusado por diversas editoras até ser publicado, e, atualmente, a escritora já vendeu mais de dois milhões de cópias, além de adaptar a obra para o cinema e até para quadrinhos.

 

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