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São João del-Rei: Depredado há três anos, anjo da portada da Igreja N.S. do Carmo segue sem restauro

Parte da escultura tombada que desabou está vigiada dentro da igreja e aguarda restauração

31/10/2021 às 13h37 Atualizada em 01/11/2021 às 20h04
Por: David G. Ferreira
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Escultura barroca depredada na portada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Foto: David G. Ferreira
Escultura barroca depredada na portada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Foto: David G. Ferreira

Em outubro de 2018, um jovem que escalava o portal centenário da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, de 1732, em São João del-Rei, subiu cerca de quatro metros até se pendurar na imagem de um anjo, construído há mais de 200 anos, atribuído ao renomado Aleijadinho. A escultura não suportou o peso e despencou no chão. Com a queda, o jovem quebrou o maxilar, os dois joelhos e teve uma fratura exposta no dedo do pé.

Três anos após o ocorrido, a escultura barroca da portada da Igreja de Nossa Senhora do Carmo continua destruída, e ainda sem previsão de restauro, embora a Igreja seja tombada como Patrimônio Histórico há 82 anos. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e  Artístico Nacional (Iphan), desde julho de 2021 já foi concedida a autorização para o restauro, mas não se sabe de onde virá a verba necessária.

Nossa equipe entrou em contato com a Ordem Terceira de N. S. Do Carmo que confirmou que à época do crime, foi registrado um boletim de ocorrência na polícia de São João del-Rei. Porém, não conseguimos confirmar se houve alguma punição ou multa aplicadas devido a depredação do patrimônio. “Os pedaços quebrados estão guardados na igreja, e são muito pesados. É uma sensação de perda muito grande, gostaríamos muito de realizar uma restauração” afirma Valéria Pinto, da Ordem Terceira de N. S. Do Carmo.

 

A importância do patrimônio

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo faz parte do centro histórico e paisagístico da cidade de São João del-Rei sendo um de seus mais famosos cartões postais. Além disso, possui um espaço subterrâneo que se conecta a uma das betas da cidade.

“É nosso dever destacar que a igreja do Carmo é um dos monumentos histórico-artísticos setecentistas mais importantes de toda a região das Vertentes, tombado em nível nacional pelo Iphan. Sua portada em pedra sabão é uma das mais belas realizações do rococó mineiro e traz uma tripla atribuição de autoria: o arquiteto português Lima Cerqueira seria o autor da estrutura e das pilastras; um escultor desconhecido, identificado como “mestre dos anjos sorridentes”, seria o autor das cabeças de três querubins (nas mísulas e na verga) e, por fim, o relevo do medalhão e os dois anjos sentados segurando escapulários são atribuídos ao mestre mineiro Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Um destes anjos, o da direita, foi o que sofreu o dano, tendo perdido um braço”, conta Dra. Letícia Martins de Andrade, professora de História da Arte da UFSJ.

Na capela-mor há duas telas do pintor alemão Georg Grimm. Na nave central destaca-se uma imagem inacabada de Cristo sem braços.

Nossa equipe tentou entrar em contato com o ex-estudante da UFSJ, Caio Kiyoshi Chaves Watanabe,  autor da depredação, mas sem sucesso.

 

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