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Saúde Covid-19

São João del-Rei: Sem autorização do Estado, Nivaldo desobriga o uso de máscaras na cidade

Especialistas recomendam o uso de máscaras mesmo com o avanço da vacinação; secretário estadual de saúde diz não está na hora de tirar a máscara pois Estado ainda não atingiu 70% da população vacinada

07/11/2021 às 10h11 Atualizada em 07/11/2021 às 11h23
Por: Thais Marques
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O uso de máscaras é um dos protocolos sanitários estabelecidos em combate a Covid-19 desde o início da pandemia. Foto: Reprodução/La Republica
O uso de máscaras é um dos protocolos sanitários estabelecidos em combate a Covid-19 desde o início da pandemia. Foto: Reprodução/La Republica

O Prefeito de São João del-Rei, Nivaldo de Andrade (PSL), anunciou em suas redes sociais nesse sábado (06) que o uso de máscaras em áreas urbanas livres não é mais obrigatório na cidade. A decisão de Nivaldo vai na contramão de especialistas, que recomendam o uso de máscaras mesmo com o avanço da vacinação. Em São João del-Rei, 96,46% da população acima de 12 anos recebeu a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Secretário estadual de saúde diz não está na hora de tirar a máscara pois Estado ainda não atingiu 70% da população vacinada contra o vírus.

De acordo com o prefeito, o uso de máscaras em ambientes fechados, como lojas e mercados, seguem obrigatórios. A decisão de Nivaldo, contudo, ainda não foi divulgada no Diário Oficial do Município.

Em Minas Gerais, o uso de máscaras se tornou obrigatório no dia 17 de abril de 2020, através da Lei Estadual 23.636/20. Dez dias após a decisão do Estado, a Prefeitura de São João del-Rei publicou o Decreto nº 8.654, que estabeleceu o uso obrigatório de máscaras em prédios públicos, comércio em geral e vias públicas. A media entrou em vigor 18 dias após, no dia 1º de maio de 2020.

Conforme noticiado pelo Mais Vertentes, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, informou durante entrevista coletiva no dia 14 de outubro que devido a melhoria dos indicadores da pandemia no Estado, a expectativa é de que em dois meses, pode ser que o cidadão seja "desobrigado a usar a máscara em locais abertos" em Minas. Mas alertou que ainda não é "hora de tirar a máscara".

“Em locais abertos e arejados como praças, parques, o risco é menor, muitos países fizeram isso depois de atingir a imunidade de rebanho. Aqui, no final do mês que vem pode acontecer, já que circulação é baixa do vírus, se a gente conseguir imunidade de rabanho, pode ser, mas não está na hora de tirar a máscara, ainda apenas 50% de pessoas receberam a segunda dose, está longe em número de 70% (quando atinge imunidade) mas não em tempo. Em dois meses, pode ser desobrigado a usar máscara em locais abertos em Minas, locais fechados ainda não há como prever”, informou Baccheretti. 

Vacinômetro

Até este domingo (07), Minas Gerais atingiu 88,40% de sua população acima de 12 anos vacinada com a primeira dose e 65,94% completaram o esquema vacinal contra a Covid-19, seja com a segunda dose ou dose única, de acordo com dados do Vacinômetro MG.

Em São João del-Rei, 96,46% da população acima de 12 anos já recebeu a primeira dose do imunizante e 74,24% completaram o esquema vacinal contra a Covid-19. São, até o momento, 75.448 doses aplicadas como D1, 53.793 com a D2 e 4.272 pessoas receberam a dose única.

Especialistas recomendam o uso de máscaras mesmo com o avanço da vacinação

Especialistas ouvidos no dia 28 de outubro pela comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de enfrentamento à Covid-19 defenderam a continuidade do uso de máscaras mesmo com o avanço da vacinação. O debate abordou a flexibilização da utilização da proteção facial em locais abertos e a adoção do passaporte sanitário em alguns cidades brasileiras.

A secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite, lembrou que, apesar do recuo no número de casos com o aumento de doses aplicadas, só a imunização não consegue realizar o controle da transmissão do vírus, e o uso de máscara e o distanciamento precisam continuar existindo.

Porque mais que tenhamos evoluído, que tenhamos segurança e que saibamos que a imunização vai ajudar a solucionar a pandemia, temos ainda de adotar outras medidas concomitantes”, apontou.

Diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Alex Machado alertou que não se pode confundir a necessidade de retomada de atividades coletivas com o fim da pandemia, sob o risco de que decisões erradas possam trazer consequências nocivas no futuro.

O assessor técnico do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), Leonardo Vilela, afirmou que qualquer medida que for adotada para controle da Covid-19 não pode ser realizada nacionalmente porque as realidades em cada estado são diferentes. “Defendemos a autonomia dos gestores estaduais e municipais, claro com critérios baseados na ciência”, comentou.

Ele ressaltou que a flexibilização do uso de máscaras deve ser feita com muita cautela. “Nos Estados Unidos, de repente liberaram geral o uso da máscara para aqueles vacinados com segunda dose, e nós vimos um recrudescimento dos casos, das internações e dos óbitos. Isso obrigou as autoridades a recuarem, desobrigando a proteção facial apenas em ambientes abertos e sem aglomeração”, exemplificou.

 

Com informações: Agência Câmara de Notícias*

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