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Minas Gerais: Estudantes se revoltam após UFV anunciar aumento no preço do bandejão para R$ 9

Instituição argumenta que não há reajuste no preço dos restaurantes há 15 anos e que a nova política pretende limitar os gastos com as refeições; alunos dizem que decisão ocorreu 'do nada'

23/11/2021 às 10h24
Por: João P. Sacramento
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Foto: Internet / Reprodução
Foto: Internet / Reprodução

A mudança na política de preços nos restaurantes universitários (RU) da Universidade Federal de Viçosa, divulgada na última quarta-feira (17), gerou revolta dentro da comunidade acadêmica. Tanto no campus, quanto nas redes sociais, a previsão de que o custo da refeição passe de R$ 1,90 para R$ 9 enfureceu o corpo discente e a hashtag “#UFVTaOsso” foi a mais comentada no Twitter brasileiro nesta segunda-feira (22). A decisão ainda precisa ser aprovada em uma última instância para ser aplicada. 

“Mais um reflexo da política do desmonte da universidade pública e da assistência estudantil”, comenta um aluno na rede social. “Quase 500% de aumento. Quase R$ 20 por duas refeições diárias. Projeto de elitização do ensino escancarado”, criticou outro na internet.

Aumento ocorreu “do nada”, dizem estudantes

O aumento nos preços de restaurantes universitários no campus da UFV veio “do nada”, segundo estudantes. A aluna de engenharia florestal, Isabel Caligiorne, de 28 anos, expressa preocupação com a segurança alimentar de alunos que dependem das refeições a baixo custo. 

“É muito triste ver o processo de sucateamento das Universidades Federais tão de perto, tão descarado. Não tenho dúvidas de que se as refeições do RU realmente custarem 9 reais muitos estudantes passarão fome. É impossível lidar agora, dois meses antes do retorno presencial, com um aumento no orçamento alimentar de 400%”, ressalta.

O que disse a instituição

Como justificativa, em nota, a UFV argumenta que não há reajuste no preço dos restaurantes há 15 anos e que a nova política pretende limitar os gastos com as refeições e, principalmente, “subsidiar apenas os estudantes (do ensino médio à pós-graduação) em situação de vulnerabilidade socioeconômica”.

“Atualmente, todos os estudantes da UFV recebem subsídio integral ou parcial para alimentação”, informa a instituição. A universidade pontua, também, os cortes escalonados no orçamento nos últimos anos e dificuldade financeira.

A UFV afirma que, se não houvesse mudança na política de preços, seria necessário investimento de R$ 20 milhões – o que, conforme o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), deixaria um buraco de R$ 4.882.013 no orçamento, visto que há R$ 15.117.987 previstos para aportes nos restaurantes universitários. 

Durante o fórum que discutiu as medidas, realizado na última terça-feira (16), a professora e pró-reitora de Assuntos Comunitários, Sylvia do Carmo Castro Franceschini, afirmou: “temos que tomar atitudes que nem sempre agradam. Mas vivemos sob um guarda-chuva que é o orçamento e sem ele não se faz nada”.

“No caso dos estudantes de graduação, pela nova proposta, dos R$ 15.117.987,00 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) previstos para a UFV em 2022, R$ 10.582.590,00 seriam repassados para os RUs. Desse valor, 90% seria utilizado para subsidiar alimentação gratuita para os estudantes de graduação em vulnerabilidade socioeconômica. 

Os outros 10% seriam divididos em duas faixas, para estudantes em menor vulnerabilidade, que receberiam subsídios de 70% e de 50%. Com isso, a Universidade saltaria dos atuais 2.095 estudantes de graduação beneficiados com subsídio integral para 3.110; e atenderia mais 1.286 nas faixas 1 e 2 de subsídios, totalizando 4.396 subsidiados, o que representa cerca de 26,1% dos alunos de graduação”, defende a UFV.

“Estudantes de pós-graduação, aqueles que estiverem em vulnerabilidade socioeconômica comprovada, sem vínculo e sem bolsa, teriam subsídio total ou parcial na alimentação por três meses, renovável por mais três, até que recebam as bolsas acadêmicas. Esse benefício seria financiado com recursos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação”, completa o texto. 

A ideia, conforme a universidade, é de que, até abril, estudantes que não estejam em “situação de vulnerabilidade” paguem “somente 50% do valor do contrato” referente aos restaurantes. Idealmente, a nova política terá início em 3 de abril de 2022.

Com informações: O Tempo

 

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