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Saúde Doação de órgãos

Minas Gerais: Recusa familiar reduz número de doações e transplantes de órgãos no estado

A não adesão familiar ainda é um dos principais fatores que impactam realização das cirurgias

06/12/2021 às 10h48 Atualizada em 06/12/2021 às 18h11
Por: João P. Sacramento
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Imagem meramente ilustrativa. Foto: Internet / Reprodução
Imagem meramente ilustrativa. Foto: Internet / Reprodução

A taxa de recusa familiar para doação de órgãos e tecidos em Minas Gerais permanece próxima dos 50%, e o número de transplantes realizados continua na trajetória de queda em mais de 30%, no contexto da pandemia de Covid-19 (até outubro foram 1.310), quando comparado a 2019.

“O cenário é o mesmo. A recusa familiar aumentou muito com a pandemia, antes era de 30%. O acolhimento hospitalar para reduzir as negativas foi impactado pelos protocolos sanitários estabelecidos para fazer frente à covid-19, e isso refletiu no comportamento das famílias doadoras”, explica o cirurgião e diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado.

Outro fator, decorrente dos novos protocolos sanitários, e que teve impacto sobre o número de transplantes realizados, foi a exclusão de todos os prováveis doadores que apresentavam algum sintoma gripal, de modo a diminuir o risco de transmissão da Covid-19.

Segundo o diretor do MG Transplantes, para que o Brasil alcance resultados melhores é necessário que, junto com o crescimento da adesão familiar às doações, a identificação do potencial doador seja aprimorada. Para isso, todos os municípios deveriam ser capazes de realizar o protocolo de morte encefálica, realidade que não é vivenciada por diversas cidades brasileiras, devido à falta de equipamentos e especialistas.

Ao mesmo tempo, todos os hospitais também deveriam ser capazes de notificar o diagnóstico de morte encefálica às centrais de captação de órgãos, mas isso não ocorre. “Grande parte dos hospitais ainda não notifica. De modo geral, a notificação é muito aquém do que deveria”, frisa Lopes Cançado.

Reinserção social

Em Minas, por exemplo, a notificação é de 30 por milhão de população. O ideal é que fosse de, aproximadamente, 100 por milhão. Do mesmo modo, o número de doadores por milhão de população também fica bastante distante do ideal. 

Na Espanha, por exemplo, país que, ao lado dos Estados Unidos, serviu de modelo para o sistema brasileiro de transplantes, há 40 doadores por milhão de habitantes. Em Minas, esse número, atualmente, é de 10 doadores por milhão. Antes da pandemia era de 14 por milhão de pessoas.

Omar Cançado salienta que as doenças que requerem a realização de transplantes são do tipo que limitam consideravelmente a vida das pessoas, quando não as matam. “Elas se encontram tão enfermas, que não conseguem realizar atividades simples do dia a dia. A importância da doação e do transplante é reinserir essas pessoas à sociedade”.

“Se as pessoas soubessem a diferença que a doação de órgãos faz na vida dos transplantados, se soubessem o quão sério é o trabalho do MG Transplantes, certamente todos seriam doadores”, finaliza o advogado pró doação de órgãos, Gabriel Guimarães.

Com informações: Agência Minas

 

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