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Câmara Municipal de SJDR escancara incapacidade de se punir imoralidade e fraude, além de confirmar blindagem

Maioria dos vereadores demonstrou que não sabe fazer o que é essêncial: representar os eleitores e a comunidade, legislar em defesa do bem comum, e fiscalizar o dinheiro público. Mas conseguem, como ninguém, assessorar indicações do prefeito e secretários municipais.

04/03/2020 18h06 Atualizada há 4 meses
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Por: Adriano Vianini
Câmara Municipal de São João del-Rei. Foto: Reprodução
Câmara Municipal de São João del-Rei. Foto: Reprodução

Quem pôde acompanhar a sessão da Câmara Municipal de São João del-Rei ontem (3), com certeza, assim como eu, ficou constrangido com o chulo nível dos nossos representantes do Legislativo. E não falo somente do nível educacional, onde muitos ali não conseguem formular uma frase com concordância verbal correta, mas do nível imoral, indecente e sórdido com que nossos representantes trataram um processo tão sensível e polêmico - como a quebra de decoro parlamentar do vereador Jorginho Hannas (PDT), filho do vice-prefeito Jorge Hannas Salim, e a forma desprezível com que trataram as pessoas que estavam ali.

Foi provado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, criado pela própria Câmara Municipal de São João del-Rei, que o vereador Jorge Hannas Salim Junior fraudou documentos para receber ilegalmente R$ 8 mil em diárias e passagens com dinheiro público. Porém, o pobre menino rico, ao ser descoberto, de forma imoral, rapidamente tratou de devolver.

Ninguém sabe ao certo qual foi o acordo celebrado entre os vereadores que votaram por rejeitar a cassação do vereador Jorginho. O que se percebe, em tese, são a blindagem criada em torno da base aliada ao atual prefeito, Nivaldo Andrade (PSL), e a incapacidade da Câmara Municipal em punir imoralidades e fraudes de seus próprios edils.

Muitos acreditavam, e com razão, que o processo acabaria em pizza. E nossos nobres vereadores fizeram jus à falta de credibilidade dos mesmos perante a população. Também foi possível observar alguns comportamentos, análises e cenários que se desenham no ambiente político de São João del-Rei. Entre eles:

1. É notória a blindagem em torno da base aliada do atual prefeito. Em meio a tiros por todos os lados, o que ficou claro é que se um cair, todos caem. Portanto, os meios se protegem e se blindam;

2. Nossos nobres vereadores da base aliada demonstraram um total desconhecimento do Regimento Interno da Casa e do relatório final apresentado pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. As justificativas para a não cassação do edil foram deprimentes;

3. No universo de maioria masculina e machista, o que ecoou foi uma voz feminina, grávida e sensata: "A Câmara Municipal de São João del-Rei perdeu uma grande oportunidade de limpar seu nome perante a sociedade São-Joanense, e provar para todos os munícipes que isso não será tolerado na Câmara”, foi a fala mais coerente e acertada que ouvi na data de ontem, pronunciada pela vereadora Lívia Guimarães (PT).

Em ano eleitoral, chamaram a atenção também:
4. A coragem do presidente da Câmara Municipal, Igor Sandim (Podemos), em “peitar” o Executivo e colocar uma pauta polêmica para votação. Além disso, também se posicionou a favor da cassação;
5. A mudança de estratégia do vereador Cabo Zanola (PSC), que também é pré-candidato à prefeitura, e que sempre se apresentou como base de apoio ao atual prefeito, desta vez teve a lucidez de votar a favor da cassação;
6. A ausência de outros pré-candidatos à prefeitura como Rômulo Viegas (PSDB), Jânia Costa, e Ancil Pinto (PT);
7. A ausência de líderes de partidos PT, PSDB, entre outros que sempre costumam externalizar suas orientações em votações polêmicas e, com isso, se posicionam perante o eleitorado. Parece que aqui ninguém quer se posicionar;
8. Também não se viu nenhum partido, muito menos o PSDB, em direcionar seus edils em favor à cassação. “O presidente do PSDB, Fábio da Silva e seu vice, Rômulo Viegas, foram omissos em não se manifestar, sendo que o PSDB na pessoa do vereador João Heitor, contribuiu para essa impunidade”, relatou uma São-Joanense.

Para finalizar, nossa velha e tradicional imprensa omissa, que se diz “isenta”, mas de forma subliminar compactuam com a atual gestão "patrocinadora". Precisou um jornal de grande circulação, O Tempo, de Belo Horizonte, dar destaque ao processo de cassação do vereador. 

O final de mandato da maioria dos vereadores da Câmara Municipal de São João del-Rei, salvo exceções, agoniza e escancara que naquela casa tudo pode. Os vereadores que optaram pela impunidade e que vislumbravam se reeleger, irão carregar esse peso para para as próximas gerações. E como disse um nobre vereador:  "Cristo é misericordioso e ele também o é”; com certeza Cristo terá piedade de todos nós, porém o povo, que vocês de forma desprezível menosprezam, não poupará nenhum de vocês nas próximas eleições.

Quanto ao pobre menino rico será que ainda tem a ilusão de ganhar alguma eleição em Belo Horizonte? Se sim, prepare o bolso do “pai-trocinador”, pois precisará de muito dinheiro para reverter a imagem negativa que construiu em São João del-Rei.

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