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Minas Gerais: Médico que visitou Capitólio em 2012 previu queda da rocha; sete mortes foram confirmadas pelos Bombeiros

Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério do Desenvolvimento Regional, disse que o mapeamento e monitoramento de riscos é uma responsabilidade municipal.

08/01/2022 às 17h41 Atualizada em 09/01/2022 às 09h53
Por: Thais Marques
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O médico havia postado em suas redes sociais, em 2012, alertando sobre o risco da queda da rocha em Capitólio. Foto: Reprodução/IBTV
O médico havia postado em suas redes sociais, em 2012, alertando sobre o risco da queda da rocha em Capitólio. Foto: Reprodução/IBTV

Subiu para sete o número de pessoas que morreram no desabamento de rocha no município de Capitólio, em Minas Gerais, neste sábado (08), de acordo com o Corpo de Bombeiros. Pelo menos 32 pessoas estão feridas e ainda há cerca de 20 desaparecidos. A tragédia chegou a ser anunciada pelo médico cirurgião geral e Ultrassonografista, Dr. Flávio Freitas, de 52 anos, em uma postagem nas suas redes sociais em 2012, onde previu a queda da rocha durante uma visita à cidade. A responsabilidade de realizar o mapeamento e monitoramento de riscos é uma responsabilidade municipal, afirma 

Em entrevista à IBTV, Dr. Flávio contou que tem uma lancha e que possui o costume fazer passeios na mesma região onde ocorreu o deslizamento da rocha. A foto foi tirada pelo médico no dia 10 de março de 2012, mas a publicação foi feita no dia 13 de março do mesmo ano, com a legenda: "essa pedra vai cair".

A publicação feita por Dr. Flávio possui, até o momento, mais de 30 mil compartilhamentos nas redes sociais.

Responsabilidade municipal

O secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério do Desenvolvimento Regional, coronel Alexandre Lucas, disse em entrevista à CNN Brasil que o mapeamento e monitoramento de riscos é uma responsabilidade municipal. O coronel pondera que o episódio visto em Capitólio "é raro, dada a dimensão e magnitude do acidente", e que a análise de risco está atrelada à recorrência de um fato.

Porém, ele pontua que a “ONU e toda doutrina de Defesa Civil recomenda que todo município faça o mapeamento de risco geológico, inundação, incêndio florestal e qualquer tipo de desastre”.

“Por exemplo, essa chuva contínua de muitos dias, na intensidade que está caindo, desencadeia desmoronamentos – tanto de pedras quanto de encostas. Nesses locais que têm esse tipo de risco, as defesas civis municipais devem adotar uma medida para evitar uma exposição de pessoas a esses riscos”, afirmou o coronel.

Ele recomenda que, agora, seja completamente paralisado o turismo em locais próximos a encostas ou qualquer local sujeito a escorregamentos. “A prefeitura deve fazer uma análise geológica dessas rochas para verificar como que está a situação após essa movimentação. Também é preciso que se estabeleçam limites de segurança para essas lanchas não chegarem perto”, completou.

O secretário Nacional de Defesa Civil também disse que colocou as suas equipes à disposição da Defesa Civil mineira. Mas pontuou que essa ocorrência tem características típicas de operações comandadas pelo Corpo de Bombeiros local.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) reagiu ao vídeo da tragédia em Capitólio neste sábado (08), afirmando se tratar de uma "fatalidade". “É uma fatalidade, realmente. A gente pode mandar, acabando aqui, entro em contato com a Marinha, já que é na água”, disse o presidente aos jornalistas, após o assessor especial da presidência mostrar o vídeo.

Após o incidente, a Marinha brasileira informou que vai abrir um inquérito para investigar as causas e circunstâncias do desabamento de rocha na cidade de Capitólio.

O vídeo que circula nas redes sociais, cuja veracidade foi confirmada pelos bombeiros, mostra o momento em que um grande bloco de pedras desaba na água, onde é possível ver três lanchas, das quais duas estavam próximas do desabamento. Confira o vídeo aqui!

Prefeito disse "estar assustado"

Um um vídeo divulgado nas redes sociais na tarde deste sábado (08), o prefeito de Capitólio, Cristiano Silva (PP) realizou um pronunciamento ao lado do secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Arantes Barros, e da secretária municipal de Saúde, Vanessa Oliveira, informou que "está transtornado e em estado de choque" com o incidente, o qual chamou de "desastre natural".

De acordo com o prefeito, o descolamento das pedras não foi em decorrência das trombas d'água e reafirmou que está "assustado com o desastre". Confira o pronunciamento do prefeito de Capitólio na íntegra aqui!

Defesa Civil emitiu alerta

Em nota divulgada às 10h22 da manhã deste sábado (08), a Defesa Civil de Minas Gerais havia alertado para as fortes chuvas na região, com possibilidades de ocorrência de cabeças d'água (que são decorrentes de fortes enchentes, enquanto as trombas d'água estão associadas a ventos fortes, em rotação, sobre a água) e pediu para as cachoeiras serem evitadas no período de chuva.

“A Defesa Civil Nacional tem emitido alertas diários sobre essas chuvas. Essas chuvas devem provocar riscos até terça ou quarta-feira. Todas as Defesa Civis municipais devem procurar monitorar seus riscos e adotar medidas de prevenção”, afirmou o coronel Alexandre.

 

A matéria está em atualização.

Com informações: CNN Brasil*

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