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Capitólio: Bombeiros encerram buscas, mas investigação continua

Da parte da Polícia Civil, cabe agora averiguar os possíveis responsáveis pelo deslizamento ocorrido no Lago de Furnas no último sábado (08)

11/01/2022 às 17h58 Atualizada em 11/01/2022 às 18h28
Por: Thais Marques
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Bombeiros encerram buscas em Capitólio, mas as investigações sobre as causas do incidente continuam a ser investigadas, segundo a PCMG. Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG
Bombeiros encerram buscas em Capitólio, mas as investigações sobre as causas do incidente continuam a ser investigadas, segundo a PCMG. Foto: Cristiano Machado/Imprensa MG

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) informou que as operações in loco foram encerradas nesta terça-feira (11), após quatro dias de buscas e salvamento na região do Mirante dos Cânions, onde ocorreu a tragédia em Capitólio no último sábado (08). Dez corpos foram encontrados e identificados e outras 34 pessoas ficaram feridas devido ao tombamento de uma rocha na região. Não há registros de outras pessoas desaparecidas.

“Dessa forma, a atuação do CBMMG na referida ocorrência foi finalizada, após reunião com os demais órgãos envolvidos e a confirmação de que não há, até o presente momento, novas demandas relacionadas para a corporação no caso”, informa nota à imprensa.

Próximos passos da investigação

Em reunião na manhã desta terça (11) na Delegacia Regional de Passos – que investiga o caso –, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, a Marinha e a Defesa Civil discutiram os próximos passos da averiguação sobre o que aconteceu no local. Com todos os desaparecidos resgatados, não se viu mais necessidade de operação de busca no lago.

Os prefeitos das três cidades da região do lago de Furnas devem ser ouvidos: Capitólio, Furnas e São José da Barra, nesta semana. A Polícia Civil está à procura um geólogo para ajudar a investigar a causa do desmoronamento.

A perícia estima que há pelo menos duas lanchas no fundo do lago, além da "Jesus", onde estavam os dez mortos, completamente destroçada pelo desmoronamento. A suspeita é que essas lanchas foram viradas pela onda gerada pela queda da rocha. Todos os passageiros foram resgatados com vida.

Da parte da Polícia Civil, cabe agora averiguar os possíveis responsáveis pelo deslizamento. Pimenta diz que é precoce dar qualquer diagnóstico -se foi causa natural ou humana.

A polícia está em contato com a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), a Sociedade Brasileira de Geologia (SBG) e outras instituições para contratar um geólogo especializado neste tipo de rocha.

"Somente um expert com know how (conhecimento das normas) da ciência poderá ajudar. Estamos atrás de atores que dominam a ciência, e não de palpiteiros", declarou o delegado Marcos Pimenta. "Não é questão de buscar culpados, mas de averiguar. O que posso garantir é que vamos exaurir todas as possibilidades. Se houver fator humano, será indiciado”, acrescentou.

Resgates

Sete corpos foram resgatados no dia do acidente e outros três foram encontrados no último domingo (09). Entre as vítimas, quatro eram da mesma família e os outros eram amigos. Todos estavam hospedados em um rancho em São José da Barra e fecharam um passeio de barco em Capitólio.

Na segunda (10), o velório coletivo de quatro vítimas parou a cidade de Serrania (MG). A prefeitura já havia decretado luto de três dias.

Análise de risco

O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva (PP), admitiu no domingo (09) que nunca houve estudo de análise de risco geológico no local onde ocorreu o desabamento do paredão de rocha. No sábado (08), cerca de duas horas antes do desabamento, a Defesa Civil de Minas Gerais havia emitido um alerta para chuvas intensas na região com possibilidade de "cabeça d'água".

É o terceiro ano seguido que o Lago de Furnas, construído em 1963, registra tragédias. No ano passado, as fortes chuvas causaram enchentes e estragos na região. No ano anterior, uma lancha atingiu um jet ski.

“Está muito muito triste a situação de Capitólio. Pois a cidade está sendo tomada por um turismo predatório e o despreparo – de autoridades públicas, operadores de passeios e dos próprios visitantes – é generalizado. Ninguém se preocupa, só pensa em ganhar dinheiro”, diz um morador da região que tinha um familiar operando uma embarcação que não foi atingida.

Outras regiões do estado continuam atingidas por fortes chuvas. Ao todo, Minas Gerais registrou 19 mortes em decorrência das chuvas dos últimos dias. Além das mortes, já são 3.481 desabrigados, 13.756 desalojados em todo Estado e 145 municípios decretaram situação de emergência por causa dos estragos causados pelas chuvas, de acordo com a última atualização da Defesa Civil de Minas Gerais.

 

Com informações: O Tempo e RBA*

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