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Minas Gerais: Rios sobem e alertas de inundação se multiplicam no Estado

Temporais elevam volume de cursos d'água, provocam transbordamentos e obrigam as populações ribeirinhas a deixarem suas casas

12/01/2022 às 11h40
Por: Thais Marques
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Águas do Rio das Velhas passam por cima da principal ponte do município de Jequitibá, onde o manancial atingiu ontem a cota de inundação. Foto: Divulgação/Defesa Civil
Águas do Rio das Velhas passam por cima da principal ponte do município de Jequitibá, onde o manancial atingiu ontem a cota de inundação. Foto: Divulgação/Defesa Civil

Não bastasse o triste cenário no qual famílias inteiras perderam quase tudo e ficaram desalojadas, as chuvas intensas que há semanas castigam Minas Gerais trazem à tona uma outra preocupação. O aumento do nível dos principais rios e seus afluentes passa a ameaçar a tranquilidade das cidades ribeirinhas em todas as regiões do Estado, o que tem mobilizado as autoridades estaduais na busca por soluções emergenciais.

Segundo monitoramento feito pelo Serviço Geológico do Brasil, Jequitibá e Santo Hipólito, dois municípios que compõem a Bacia do Rio das Velhas, atingiram nessa terça (11) a cota de inundação. O primeiro superou os 11,80m, enquanto o segundo atingiu o nível máximo, ao superar 7,50m, de acordo com o último boletim divulgado nesta semana.

No Norte de Minas, os municípios na calha do Rio São Francisco que já inundaram apresentam tendência de subida de níveis nos próximos dias. Pirapora entrou em cota de inundação, somando-se aos municípios de Pedras de Maria da Cruz, São Francisco e São Romão.

Na Bacia do Rio Doce, o número de municípios inundados com previsão para os rios continuarem subindo reduziu – estão em cota de inundação e com tendência de elevação dos níveis nas próximas horas: Aimorés, Baixo Guandu, Conselheiro Pena, Galileia, Governador Valadares, Resplendor e Tumiritinga.

Defesa Civil

O coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Osvaldo de Souza Marques, explicou que o alerta se torna uma importante ferramenta para o período, pois auxilia a população a adotar um comportamento de autoproteção.

“Estamos emitindo alertas para que a população ribeirinha e pessoas que moram em áreas de risco saiam das suas casas, vão para casa de parentes ou locais seguros. Dessa forma, conseguimos evitar que pessoas sejam afetadas, minimizando possíveis danos e tragédias. É uma situação muito difícil, mas o momento é de salvar vidas.”

Nessa terça-feira (11), a Defesa Civil emitiu um alerta sobre os riscos de inundação devido o volume do Rio das Mortes. "A Defesa Civil de São João del-Rei alerta a população local sobre a ocorrência de chuvas até o dia 13 de janeiro corrente, e risco de inundações em áreas ribeirinhas, em especial nas proximidades do Rio das Mortes, que se encontra com alto volume de águas, podendo vir a transbordar atingindo imóveis mais próximos de seu leito. Em caso de inundação, deve haver saída imediata dos moradores, e contato com a Defesa Civil e Corpo de Bombeiros pelos telefones (32) 3379-1513 e 193", assina o coordenador da COMPDEC de São João del-Rei. Leia mais informações aqui.

Transbordamentos

Desde o fim de semana, o transbordamento do Rio das Velhas também causou transtorno em Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Sabará e Santa Luzia, na Grande BH, com bairros inteiros encobertos pelo manancial. 

Em Jequitibá, a prefeitura precisou interditar uma ponte que liga a cidade a Santana de Pirapama, depois que a água começou a invadir a pista. Não há previsão de liberação do trânsito. O aumento de nível do Rio Paraopeba causou a interdição da MG-050, que liga a região de Vianópolis, em Betim, a Juatuba. No local, o rio atingiu a ponte que existe na estrada que liga as duas cidades.

Na segunda-feira (10), o Corpo de Bombeiros resgatou 45 indígenas da comunidade Naô Xohã que estavam ilhados próximos às margens, em São Joaquim de Bicas. A aldeia Katurãma foi outra atingida pelo transbordamento, com perda de roupas, alimentos e colchões.

A Prefeitura de Brumadinho retirou de casa várias famílias que vivem em áreas de risco de inundação, devido à elevação do nível do Paraopeba. Por causa das fortes chuvas, o nível do rio na cidade chegou a 7 metros – o nível normal é 1,5 metro. Moradores dos bairros Campo do Rio e Cohab e das comunidades São José do Paraopeba e Melo Franco tiveram de deixar suas casas em função do alto risco de alagamento.

Governador Valadares decretou situação de emergência depois que o Rio Doce atingiu quatro metros. Segundo a Defesa Civil, pelo menos 55 mil pessoas moram em 20 bairros às margens do rio, população que é atingida direta ou indiretamente pelas cheias.

O Rio Piracicaba foi outro que transbordou, rompendo parcialmente uma ponte pênsil e isolando moradores ribeirinhos na cidade de Nova Era, região central do Estado.

Cidades que atingiram a cota máxima de inundação

Rio São Francisco

  • Pedras de Maria da Cruz
  • Pirapora
  • São Francisco
  • São Romão

Rio das Velhas

  • Jequitibá
  • Raposos
  • Rio Acima
  • Sabará
  • Santo Hipólito

Rio Doce

  • Governador Valadares
  • Mário de Carvalho
  • Nova Era
  • Ponte Nova
  • Rio Piracicaba
  • Tumiritinga

Rio Pomba

  • Cataguases

Fonte: Serviço Geológico do Brasil*

 

Com informações: Estado de Minas*

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