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Ouro Preto: Desabamento do Morro da Forca era previsível, diz prefeito

Desabamento dos dois casarões já era previsto desde 2012, mas o histórico de desabamento no Morro da Forca existe desde 1979. Município tinha R$ 35 milhões para mitigar o desabamento, mas não realizou licitação

13/01/2022 às 16h03
Por: Adriano Vianini
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Solar Baeta Neves, foi erguido no final do século 19. Foto antes da destruição / Google Maps
Solar Baeta Neves, foi erguido no final do século 19. Foto antes da destruição / Google Maps

O desabamento do Morro da Forca sobre casarões centenários em Ouro Preto nesta quinta-feira (13) é um “desastre tremendo” , mas previsível, segundo afirmou o prefeito da cidade histórica de Minas Gerais, Angelo Oswaldo (PV). “Desde ontem, a Defesa Civil já havia interditado o entorno e as duas casas que foram destruídas já estão interditadas há muitos anos, até porque a área apresentava um risco enorme e isso já era, de certa forma, previsível”, disse à Rádio Itatiaia.

O desabamento dos dois casarões em Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, já era previsto pela prefeitura desde 2012, quando os imóveis foram interditados devido a um deslizamento ocorrido na época, mas o histórico de deslizamentos e movimentação da encosta existe desde 1979.

Em 2012, com a chuva forte uma pequena "lasca" deslizou comprometetendo parte do casarão histórico. “Foi quando entrei na Defesa Civil fiz um laudo e interditei essa área toda”, afirma a Defesa Civil.

“Felizmente, não houve vítimas. Precisamos de tranquilidade para enfrentar esses problemas e não só aqui no Morro da Forca, mas em outros pontos. Com a diminuição das chuvas, podemos tomar providências de remoção de terras deslizadas, mas isso tem que ser feito com acompanhamento geotécnico”.

Segundo Oswaldo, técnicos da secretaria municipal de obras discutem com equipes de geólogos da Escola de Minas as providências que podem ser tomadas. “Não pode haver a remoção imediata da terra que deslizou, porque pode descer ainda mais. Pedimos o apoio de toda a população para que não circule na área. Quem puder evitar vir, quem tiver carro e quiser vir até o centro, que tenha calma, que espere um pouco, para que não tenhamos um grande engarrafamento”, disse o prefeito.

O prefeito, no último ano de seu terceiro mandato, em 2012, foi pleiteado por meio do PAC das Encostas, um convênio com o governo federal para atender áreas como a do Morro da Forca no sentido de evitar acidentes e proteger o patrimônio.

Após a sua saída, o prefeito afirma que nada foi feito no local nas gestões municipais que o sucedeu e que em abril de 2021, a prefeitura obteve a liberação de R$35 milhões para obras nas encostas do município. Os recursos foram direcionados para a recuperação da MG-129 e para a conclusão da pavimentação do trecho da Serrinha, próximo ao distrito de Lavras Novas.

História

Um dos casarões atingidos, o Solar Baeta Neves, foi erguido no final do século 19 por uma tradicional família de comerciantes da região. O mais antigo registro sobre o imóvel indica que o terreno foi adquirido em 1890, pela família Baeta Neves.

O casarão de dois andares de características neoclássicas foi construído nos dois anos seguintes, às margens do Córrego do Funil, próximo à Estação Ferroviária. Na época, o local era o que mais se desenvolvia na cidade antes da transferência da capital para Belo Horizonte.

Em 2010, o imóvel que já era público, foi totalmente restaurado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e foram investidos R$ 373,5 mil, mas devido às fortes chuvas ocorridas em 2012, foi fechado e permaneceu interditado até o acidente de hoje.

Também foi abaixo, um outro imóvel histórico com a fachada de cor amarela. Lá funcionavam vários estabelecimentos comerciais como um armazém e uma barbearia,   também estava interditado desde 2012, na gestão antiga do atual prefeito Angelo Oswaldo.

O casarão de dois andares de características neoclássicas foi construído nos dois anos seguintes, às margens do Córrego do Funil, próximo à Estação Ferroviária. Na época, o local era o que mais se desenvolvia na cidade antes da transferência da capital para Belo Horizonte.

Riscos a outros locais

Em frente à área atingida funciona o Parque Metalúrgico Augusto Barbosa, conhecido como Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). De acordo com a coordenadora do Centro de Convenções, Júnia Pena, até o momento, o patrimônio do centro está intacto, mas com a queda da encosta houve um tremor de terra percebido pelos funcionários do prédio.

“Defesa Civil ainda vai fazer uma avaliação para nos passar a situação real da segurança do prédio, mas não teve impacto aparente na estrutura.”

O prédio histórico já pertenceu à estação ferroviária de Ouro Preto e em 2001, o imóvel passou a pertencer à Universidade Federal de Ouro Preto. Segundo a coordenadora, nesse ano, o prédio passou por uma reforma e tem intervenções de engenharia mais modernas que garantem a estrutura.

Júnia afirma que desde que começou do período de chuvas, em 23 de dezembro, todos os funcionários estão em trabalho remoto e só dois porteiros estão no local. “Por questão de segurança não sabemos quando retornaremos, porque atrás do Centro de Convenções tem um outro morro margeado pelo córrego do Funil.”

Ouro Preto em situação de emergência

O prefeito disse ainda que já acionou o governo de Minas Gerais e o governo federal, pedindo a desobstrução das estradas. A prefeitura de Mariana já liberou acessos entre as duas cidades históricas. Equipes trabalham para liberar a rodovia dos Inconfidentes e a BR-040. 

Ouro Preto é um dos 341 municípios em situação de emergência após as fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias. De acordo com a Defesa Civil, dois imóveis tiveram a estrutura comprometida e as saídas foram isoladas em 500 metros nos dois sentidos.

De acordo com o o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, moradores e trabalhadores nas proximidades do local do desabamento em Ouro Preto foram evacuados preventivamente porque ainda há uma instabilidade do talude. Se houver outro desmoronamento, há a possibilidade de um hotel e um restaurante serem atingidos.

Com informações: Rádio Itatiaia e EM

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