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Minas Gerais: Ouro Preto tem quase 900 imóveis em áreas de risco alto, aponta estudo

Pelo levantamento do Serviço Geológico do Brasil, feito em 2021, "aproximadamente 3.006 pessoas residem em áreas de risco geológico"

17/01/2022 às 16h09
Por: Thais Marques
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Foto: Jair Amaral/EM/D.A press
Foto: Jair Amaral/EM/D.A press

As imagens de um deslizamento de terra, que encobriu imóveis em Ouro Preto (MG), chamaram a atenção na última quinta-feira (13). Localizada em uma região serrana, a cidade mineira possui "882 domicílios particulares e coletivos localizados em áreas de risco geológico alto ou muito alto", segundo documento publicado ano passado pelo Serviço Geológico do Brasil, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Pelo levantamento do órgão, "aproximadamente 3.006 pessoas residem em áreas de risco geológico". O estudo diz que "a renda média mensal por domicílio em área de risco é de R$ 1.128,32".

De acordo com o Serviço Geológico, "grande parte dos domicílios se encontram em áreas sujeitas a sofrer perdas ou danos decorrentes da instabilidade de encostas a partir da deflagração" dos seguintes sinistros:

  • Deslizamentos: 81,81%;
  • Quedas e tombamentos de blocos rochosos: 9,46%; e
  • De rastejo, algo como um movimento lento do solo: 6,21%.

O órgão ainda aponta que, "de maneira menos frequente, também foram identificados domicílios em áreas de risco a enxurrada (2,36%)".

Áreas instáveis

Em Ouro Preto, considerando "os processos geológicos associados às áreas de risco, é notável o predomínio das instabilizações de encosta, que reflete a configuração geomorfológica geral da cidade". 

Segundo o Serviço Geológico, ela foi "edificada, em grande parte, sob terrenos inclinados". A análise do órgão teve como base um mapeamento de cerca de 313 áreas de risco geológico mapeadas pelo próprio Serviço Geológico do Brasil em 2016. Entre elas, estava a que aconteceu o deslizamento da semana passada. O local já estava interditado.

A prefeitura da cidade indicou um porta-voz da área de geologia para conversar com a reportagem. Ele, porém, não atendeu as ligações nem respondeu as mensagens enviadas.

Reflexos do deslizamento

Na última quinta (13), o Solar Baeta, um casarão histórico da cidade, foi destruído em razão do deslizamento. De propriedade da prefeitura, ele estava interditado desde 2012. Imóveis vizinhos, também derrubados pela terra, encontravam-se vazios. Após os acontecimentos da semana passada, algumas famílias já foram retiradas de suas casas.

Outros patrimônios históricos também estão em risco em Ouro Preto. Ao jornal Folha de S.Paulo, a prefeitura disse que vem realizando o escoramento de alguns dos imóveis, além de cobri-los com lonas. Entre as estruturas que se encontram nessa condição estão a Igreja Matriz de São Bartolomeu, Casarão João Veloso, Casarão do do Vira Saia e o chafariz da Igreja do Bom Jesus de Matozinhos.

Com a relação dos domicílios em áreas de risco, o Serviço Geológico disse esperar, no documento de 2021, "que tal análise possa contribuir com as ações de ordenamento territorial e prevenção de desastres desenvolvida pelo município, com vistas a reduzir os impactos econômicos e principalmente a perda de vidas humanas". Não houve mortos em decorrência do deslizamento da última quinta. 

 

Com informações: UOL*

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