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Especial Saúde

ESPECIAL SJDR 306 ANOS - SAÚDE PÚBLICA (Parte 1)

Desperdício e falta de planejamento levam a saúde da população de SJDR para uma UPA superlotada e à beira de um colapso. E não é por falta de profissionais!

05/12/2019 17h29Atualizado há 3 semanas
Por: Adriano Vianini
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UPA São João del-Rei. Foto: Mais Vertentes
UPA São João del-Rei. Foto: Mais Vertentes
A cidade de São João del-Rei é um dos poucos municípios mineiros que frequentemente recebe verbas para a saúde por meio de emendas parlamentares. Só em 2019, foram mais de R$ 1,5 milhões de propostas dos deputados federais Aécio Neves (PSDB), Dr. Frederico (Patriota), e pelo deputado estadual Doorgal de Andrada (Patri).
 
A Cidade dos Sinos também é conhecida, pelos populares, como a "Cidade dos Médicos" devido à quantidade de clinicas, consultórios e profissionais da saúde espalhados pela cidade. Mas os beneficiários são os que possuem um bom plano de saúde ou podem pagar particular. Pois essa categoria também tem fama de "clubinho" na cidade. E, segundo fontes ouvidas, um novo médico pena para se instalar por aqui, pois há boicotes por todos os lados.
 
Saindo do particular e olhando para a saúde pública pelo SUS, o município ainda precisa avançar, e muito, com um amplo planejamento na área da saúde e maior transparência na utilização dos recursos recebidos.
 
Dados do IBGE de 2017 mostram que a mortalidade infantil e internações devido a diarreias, itens básicos para se identificar a qualidade da saúde de um município, SJDR está com a média de 13.35 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 0.8 para cada 1.000 habitantes. Com isso, a cidade ocupa a 350a e 265a posições, respectivamente, no estado de Minas Gerais. E, na micro região das Vertentes, ocupa a 8a colocação.
 

 

 
 
 
Um dos maiores desafios do município, segundo especialistas, é desafogar a UPA que hoje recebe um volume alto de pacientes do município e das cidades vizinhas, especialmente, Santa Cruz e Minas. Segundo uma fonte ouvida pelo Mais Vertentes a UPA nos finais de semana chega a ficar superlotada, e profissionais da saúde já alertaram sobre o problema.
 
Essa superlotação não é de hoje, desde 2017, o médico João Reus, diretor da UPA de São João del-Rei, já dizia que
"sofremos também com a falta de vagas nos hospitais, inclusive nos CTIs (Centros de Tratamento Intensivo). Como as famílias, a  gente chora, se desespera para conseguir uma vaga”.
Pacientes e moradores relatam horas na UPA para passarem só pela pré-triagem, cerca de 2 horas. Outros usuários do serviço já ficaram até 5 horas somente para tomar um soro devido à "viroses".
 
O Dr. Reus explica que a UPA é pré-hospitalar fixo, enquanto o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência) é pré-hospitalar móvel. “A UPA não é hospital, não tem equipamentos médicos sofisticados. É somente para atender casos de urgência e emergência. Não é a UPA que escolhe o  hospital para que o paciente seja internado. Existe uma Central de Regularização, em Barbacena, que determina o local da internação”, explica o médico.
 
Por outro lado, tanto a Santa Casa de Misericórdia quanto o Hospital Nossa Senhora das Mercês, ambos em SJDR, que deveriam atender casos de baixa e média complexidade no pronto-socorro, pelo SUS, estão orientando os cidadãos a seguirem para a Unidade de Pronto Atendimento para atendimento de emergência.
 

 

 
 
 
Segundo o advogado Dr. Adailton Silva, especialista em Direito Administrativo e Auditor Administrativo do Estado de MG, essa ação da Santa Casa e do Hospital NS das Mercês é proibida por lei. "Venho falando constantemente sobre a obrigatoriedade da Santa Casa de Misericórdia e do Hospital Nossa Senhora das Mercês em prestarem atendimentos às pessoas que procuram seus serviços em caráter de urgência e emergência. Elas não podem ser recusadas pelos estabelecimentos de saúde, sejam públicos ou privados”, explica Dr. Adailton. Segundo o advogado, a Resolução 6.713/19 da Secretaria de Estado de Saúde de MG garante o direito de atendimento do cidadão. Ele explica também que há repasses mensais específicas do Estado para ambas as casas de saúde, sendo R$100.000,00 mensal para o Hospital Nossa Senhora das Mercês e R$200.000,00 mensalpara a Santa Casa de Misericórdia.
"Não é favor, é direito da população ter atendimento público gratuito e de qualidade”, defende o advogado.
Uma moradora de SJDR e usuária dos serviços de saúde diz, indignada, que
"a Santa Casa foi feita para salvar vidas e agora virou comércio e está só comprando os médicos", desabafou. Segundo ela, os médicos compactuam e que "só comprando uma vaga, senão você morre", disse ela.
 

 

 
 
 
A Santa Casa também foi denunciada neste ano por estudantes de medicina da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) que alegam sofrer "boicote" por parte dela, ao privilegiar os alunos da instituição privada (Uniptan) nas vagas de estágios de São João del-Rei. A Santa Casa não desmente, mas se defende ao dizer que há discordância com os valores repassados por aluno pela UFSJ para pagamento dos preceptores. Os valores da UFSJ são menores que do Uniptan. Veja matéria aqui.
 
"Indignação, há camas vazias nos hospitais e na Santa Casa e eles falam não ter vagas. Enfim, quem não tem dinheiro em São João del-Rei morre", desabafa a usuária da UPA.

 

 
 
 
A cidade avançou, nos últimos anos, com as vinda de dois cursos de medicina para o município, um na federal, UFSJ, e outro na instituição particular, Uniptan. Mas ainda encontra dificuldades de planejamento para alocar esses estudantes na prática e/ou residência, e os mesmos estão sendo obrigados a recorrer às cidades vizinhas para se formarem. "Enquanto a Santa Casa desta cidade não faz por onde acolher os estudantes da UFSJ, outras Santas Casas são mais receptivas à presença dos alunos, como as de Barbacena e Lavras. Estas outras instituições de saúde cobram valores bem menores que o da Santa Casa de São João Del-Rei, há instituições que inclusive não cobram pela permanência dos estudantes, apenas exigindo o pagamento dos preceptores", concluiu uma estudante.
 
 
MATÉRIA CONTINUA AQUI - PARTE 2!
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