Segunda, 27 de Junho de 2022

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Santa Cruz de Minas: Após denúncias, vereadores encontram alimentos vencidos na Escola Municipal Professora Luzia Ferreira

A Comissão de Educação investiga acusações de pais e alunos sobre a qualidade da merenda oferecida na escola. A Secretária de Educação e o Prefeito confirmaram os fatos e esclareceram os próximos passos

15/06/2022 às 17h20 Atualizada em 15/06/2022 às 18h15
Por: João P. Sacramento
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Foto: Victor Manoel (PDT) / Reprodução
Foto: Victor Manoel (PDT) / Reprodução

Dores de barriga e vômito estão entre os sintomas relatados por pais e alunos da Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, em Santa Cruz de Minas. Na manhã de hoje (15), a Comissão de Educação, Saúde, Cultura, Desporto, Turismo, Lazer e Meio Ambiente, da Câmara Municipal de Santa Cruz de Minas, esteve na escola e encontrou alimentos vencidos na despensa da cozinha, usada no preparo das merendas. 

Por meio de publicação nas redes sociais, os vereadores Victor Manoel (PDT), José Antônio da Silva (PDT) e Fillipe Margotti (PDT), respectivamente, Presidente, Vice-Presidente e Relator da Comissão, informaram que foram encontrados cerca de 200 quilos de alimentos - incluindo achocolatado, feijão, leite, entre outros - já vencidos, na despensa da cozinha da escola

Em entrevista exclusiva ao Mais Vertentes, o relator da Comissão Fellipe Margotti afirmou que “a Comissão de Educação presenciou na despensa da Escola Municipal Luzia Ferreira foi muito triste, considerando que a merenda escolar para muitas crianças de nossa cidade é a principal refeição do dia”.

De acordo com Margotti, “os alimentos estavam na prateleira, não havia separação dos vencidos com os não vencidos. Entendo que alimento vencido deve ser descartado imediatamente. Após a divulgação do vídeo/denuncia que fizemos, diversas postagens de pais, mães e avós de alunos foram feitas, informando que as crianças ficam dias com diarréia, vômito e outros males”. 

Segundo o vereador, “tinha leite, achocolatados, feijão, manteiga (margarina) e outros alimentos com data de validade expirada”. Também com exclusividade ao Mais Vertentes, Victor Manoel disse que os alimentos estavam armazenados junto com outros alimentos não vencidos, e que “não significa que foram usados, mas que poderiam ser oferecidos para as crianças, caso não tivéssemos feito a averiguação”.

De acordo com a relação disponibilizada pelo vereador Victor Manoel, ao todo foram identificados 34 pacotes de achocolatado,  com 400g cada;  80 pacotes de feijão, com 1kg cada; 70 litros de leite; 14 pacotes de farinha de trigo, com 1kg cada; e 17 vasilhas margarinas, com 500g cada. Ainda segundo Manoel, “ainda há mais 48 litros de leite que vão vencer amanhã (16)” e que não há previsão de uso para esse leite. 

Ainda segundo o vídeo divulgado pelo vereador Fellipe Margotti, os três vereadores já acionaram a Vigilância Sanitária e pretendem convocar a Secretária Municipal de Educação para esclarecer os fatos. A Comissão de Educação informou que já elaborou requerimentos e indicações ao prefeito Wagner Almeida (PL), solicitando informações acerca do ocorrido. “Aguardamos as respostas para futuras providências”, concluíram.

O que diz a Secretaria de Educação?

O Mais Vertentes entrou em contato com a Secretária de Educação de Santa Cruz de Minas, Cristina Muffato, que contou que recebeu a notícia da visita dos vereadores hoje (15) pela manhã, na Secretaria de Educação. "Eles foram conferir a despensa e verificaram que havia um alguns alimentos com data de validade vencida, lá dentro”, confirmou a secretária.

“O prefeito me notificou também e, imediatamente, fui para escola, para ver o que estava acontecendo.  Então eu pude perceber que tinha leite com data de validade vencida, 83 quilos de feijão com data de validade do dia 20 de maio, e alguns pacotes de achocolatado”, contou a Cristina.

De acordo com a responsável pela pasta da Educação, a diretora da Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, Valéria Mairinque, teria garantido que esses alimentos não foram utilizados na alimentação dos alunos. Muffato explica que, baseado no cardápio dos últimos meses, os alunos não receberam leite com achocolatado. “Mesmo leite tendo vencido dia 8 de junho, os alunos não tomaram este leite”, explicou a secretária.

Sobre o feijão, Cristina Muffato afirmou que haviam outros pacotes dentro do prazo de validade e que “o feijão que foi oferecido aos alunos não foi esse que estava com a data de validade vencida”.

“Nós entramos em contato com os fornecedores de alguns alimentos e eles vão fazer a troca. Eu entrei em contato com o fornecedor de feijão, que prontamente se colocou à disposição para realizar a troca desses alimentos. Todos serão trocados por alimentos com data de validade correta, para que o município não tenha nenhum prejuízo”, informou a secretária.

Muffato afirmou que, mesmo os alunos não tendo recebido os alimentos, e diante da confirmação da diretora e das responsáveis pela merenda, “a prefeitura está abrindo uma sindicância administrativa para apurar os fatos”.

“Eu me coloquei inteiramente à disposição do prefeito para providenciar qualquer tipo de documento e tudo que ele precisar para que esses fatos sejam apurados e esclarecidos. A gente está sempre muito preocupado com o bem-estar das crianças. Então, de forma alguma, a gente ia permitir que alguma criança consumisse algum alimento com data de validade vencida”, concluiu. 

O Mais Vertentes não conseguiu contato com a diretora da Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, mas está aberto para declarações. 

O que disse a Prefeitura?

Em vídeo divulgado na tarde de hoje (15), o Prefeito de Santa Cruz de Minas, Wagner Almeida, confirmou que foram encontrados alimentos vencidos na escola municipal. “Um absurdo o que aconteceu lá na escola hoje. Assim que eu fiquei sabendo da notícia que tinha alguns alimentos vencidos lá , fui lá na mesma hora”, disse Almeida.

“Eu já liguei pros fornecedores e eles vão trocar pra nós. O município não vai ficar no prejuízo nisso aqui não”, continuou o prefeito. Wagner também confirmou a sindicância informada pela secretária de Educação e disse que “não vamos deixar isso impune”.

Para finalizar, Wagner informou que vai encontrar, o que ele chamou de, "irresponsável", se referindo a pessoa encarregada de comprar e fiscalizar os alimentos. “Tá vencido, tá errado e é dinheiro do povo. Não podemos deixar”, concluiu o prefeito, pedindo desculpas para a população.

Que fim levou a denúncia dos alimentos vencidos de SJDR?

Em abril de 2021, o Mais Vertentes divulgou a denúncia de que as crianças da Casa Lar de São João del-Rei estavam comendo alimentos vencidos. Na época, uma série de denúncias com alimentos e remédios vencidos, produtos de higiene pessoal também vencidos, mau armazenamento de alimentos e diversas outras irregularidades chegou ao portal Mais Vertentes sobre a Casa Lar.

No mesmo mês, quatro vereadores estiveram na Secretaria de Assistência Social de São João del-Rei para apurar denúncias sobre alimentos vencidos que estavam estocados tanto no almoxarifado quanto dentro da sede da própria Secretaria. Na ocasião, os vereadores e a PM encontraram alimentos vencidos junto com não-vencidos, misturados com produtos de limpeza. Até um freezer com carne estragada estava na sede da Assistência Social. Todos produtos que seriam consumidos por moradores da cidade.

No final do mesmo mês, a Câmara Municipal aprovou a CPI para investigar alimentos vencidos da Assistência Social. Porém, a CPI ficou parada desde então e retomou os trabalhos no último dia 08 de junho, com uma reunião da Comissão.

Por meio de votação entre os parlamentares, Lívia Guimarães (PT) foi eleita à presidência da CPI dos Alimentos Vencidos, indicando o vereador Fabiano Pinto (Democratas) para a relatoria, o vereador Igor Sandim (Podemos) ficou com o cargo de membro e o Professor Leonardo (PSDB) e Dondom (PRTB) ocupam a primeira e a segunda suplência. 

Lívia Guimarães afirmou que “a ideia da Comissão não é ser um palanque eleitoral. É preciso foco no que é o nosso objetivo: apurar o caso e evitar que episódios desse tipo se repitam”.

Todas as imagens de alimentos usados nesta reportagem foram cedidas pelo vereador Victor Manoel (PDT). 

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