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Santa Cruz de Minas: Mãe denuncia abusos e acusa prefeito de ignorar alerta sobre alimentos vencidos na escola municipal

A moradora usou a Tribuna Livre da Câmara na segunda (20), para denunciar a conduta do prefeito, além de maus tratos por parte de funcionários da instituição contra as crianças

23/06/2022 às 15h53 Atualizada em 23/06/2022 às 17h36
Por: João P. Sacramento
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Foto: Internet / Reprodução
Foto: Internet / Reprodução

Na Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Santa Cruz de Minas  desta segunda-feira (20), durante espaço dedicado à Tribuna Livre, a mãe de uma aluna da Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, usou o espaço para denunciar abusos cometidos dentro da instituição. Além de castigos e agressões, a mãe afirma que o prefeito Wagner Almeida (PL) já havia sido informado de crianças com intoxicação alimentar devido a merenda, e não tomou nenhuma providência.

A mãe, identificada apenas como Fabiana, contou durante depoimento que sua filha passou mal e saiu da escola vomitando no final do mês de maio. “Eu não estou aqui por politicagem. Levei ela a uma médica e ela disse que era intoxicação alimentar. Eu sei o que eu tenho em casa, e eu sei o que dou pra minha filha. O único lugar que ela foi é para a escola”, disse Fabiana aos vereadores.

Ainda segundo a responsável, ela e sua mãe, que cuida da criança durante o dia, avisaram o prefeito. “Eu liguei pro prefeito, ele ainda foi grosso comigo e com a minha mãe, e resumindo, ele disse que não era culpa da escola”, explicou a mãe, evidenciando que, antes mesmo dos vereadores realizarem a fiscalização na escola, o prefeito já tinha sido avisado sobre a situação da merenda da escola municipal.

Agressão e maus tratos

Fabiana, ainda na Tribuna Livre, denunciou outro caso ocorrido dentro da escola municipal. Segundo ela, na semana passada, uma funcionária da escola colocou algumas crianças “de castigo no sereno”, por volta das 9hs, no pátio da escola. De acordo com Fabiana, a prática é “recorrente”.

“Na semana passada aconteceu uma coisa que eu não gostei e que está sendo recorrente. Na hora do recreio, a minha mãe vai na porta da escola, pra ver se está tudo bem, e ela viu as crianças de castigo no sereno, às nove horas da manhã. Tinha neblina”, contou a mãe.

Fabiana revelou ainda que sua filha chora para não ir à aula, pois, segundo a mesma, a professora teria puxado ela pelo capuz do casaco. A mãe conta que “na volta do recreio, as crianças não estavam organizadas na fila, e um empurrou o outro. A professora, que não é a professora da minha filha, foi até a fila e puxou a minha filha pelo capuz. Ela não quer saber de ir pra escola”.

Questionada pelo presidente da Casa, o vereador Alex Batista da Silva (DEM), sobre quem teria colocado as crianças de castigo no sereno, Fabiana respondeu que teria sido Néia, identificada como responsável pela portaria. Sobre a professora que teria puxado a criança pelo capuz do casaco, a mãe afirmou como sendo uma professora chamada Patricia.

A mãe procurou a Escola Municipal Professora Luzia Ferreira

Diante dos fatos, a mãe da aluna da escola municipal contou que voltou a ligar para o prefeito, Wagner Almeida, e que teria marcado de encontrar com ela na escola, na segunda-feira (20), às 9hs, para uma reunião com a diretora. “Foi muito custoso, me deram um ‘chá de cadeira’, porque falaram que estava todo mundo em reunião”, contou.

“Eu me vi sozinha pra resolver esse problema, e, resumindo, minha filha não quer voltar pra escola. Uma criança que chegava no sábado e reclamava que não tinha aula”, contou a mãe, que só conseguiu ser ouvida após ameaçar “quebrar tudo”.

“O pessoal só atendeu porque eu ameacei quebrar tudo lá, porque é um absurdo não dar atenção para uma mãe. Antes de sair do portão da escola, ela já estava vomitando e a médica confirmou que era intoxicação alimentar. Você liga pra um e pra outro, e ninguém pode ajudar”, revelou a mãe.

“Eu vim aqui na Casa (Câmara) pra ver o que vocês (vereadores) podem fazer pra ajudar a gente, porque estamos de mãos e pés atados. Eu não sei o que fazer. Minha filha está em casa, faltando aula e, só de pensar em ir pra escola, ela está chorando”, concluiu Fabiana.

O que disseram os vereadores?

Em sua fala, durante a sessão, o vereador Victor Manoel (PDT), que participou da vistoria dos alimentos vencidos na Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, afirmou que "é importante frisar aqui, que a gente não está preocupado com a troca de alimentos agora não. A gente está preocupado com a saúde das crianças”. 

O vereador seguiu dizendo que, caso a responsabilidade seja do supermercado, que o mesmo deve arcar com a troca, “mas é que eu estou vendo muito a Secretaria desviando o foco, como se eles também fossem vítimas. Só que eles são os responsáveis dessa questão”.

“Sobre a Fabiana ter falado que a professora Patrícia puxou o capuz da filha dela. Ela foi lá, tentou conversar com a escola, e pelo o que a gente percebeu aqui, ela não ia ser ouvida se não ameaçasse quebrar tudo lá. Que ambiente é esse? As pessoas não estão tendo voz e precisam ameaçar pra serem ouvidas”, comentou sobre o relato.

O vereador disse que vai investigar todas as denúncias levantadas pela moradora na Tribuna, tanto da alimentação, intoxicação e dos maus-tratos. Procurado pelo Mais Vertentes, Victor Manoel disse que “estamos estudando a possibilidade de abrirmos uma CPI para melhor investigação desses fatos. Tanto dos alimentos vencidos, crianças com intoxicação alimentar e a mãe que foi à Tribuna Livre dizer que antes mesmo da fiscalização dos vereadores já havia comentado com o prefeito que sua filha passou mal.” 

Também em sua fala, o vereador Fellipe Augusto Margotti (PDT), parabenizou as mães presentes na sessão, sobre as denúncias. “Fico feliz que vocês tiveram a coragem de vir trazer esses problemas aqui. Eu tive muitas denúncias também, que eu posso mostrar, pra não dizerem que é politicagem”, apontou.

"O que mais me incomodou foi que a secretária frisou muito o fato dos pais não terem laudo de intoxicação alimentar. Uma vez que você tem um filho que está passando mal, vomitando e com febre, você não vai num pronto-socorro simplesmente pra pegar um laudo pra provar pra escola. Você está ali preocupado com a saúde do seu filho”, disse o vereador sobre uma entrevista dada pela secretária de Educação, Cristina Muffato, para uma página no Facebook.

Para finalizar, Victor Manoel levantou uma questão que chamou a atenção. Segundo o vereador, “quem se pronuncia contra o prefeito tem seus direitos negados ou cortados”. O vereador salientou que  “todo mundo paga impostos, todo mundo tem direitos, não é favor”.

“O problema é quando a gente encontra o político que faz parecer que está fazendo um favor pra você. Mas a situação vai ser averiguada”, concluiu o vereador.

Até o momento, a Prefeitura Municipal de Santa Cruz de Minas, assim como a Secretaria Municipal de Educação e a Escola Municipal Professora Luzia Ferreira, ainda não se pronunciaram sobre as denúncias. O Mais Vertentes está aberto às manifestações.

Entenda tudo sobre os alimentos que foram encontrados vencidos na Escola Municipal Professora Luzia Ferreira AQUI!

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