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Saúde Covid-19

Principais municípios do Campo das Vertentes declaram não haver leitos e respiradores suficientes se ocorrer crescimento do coronavírus

Em efeito cascata, Estados e municípios demoram para reagir à crise da saúde.

02/04/2020 15h01 Atualizada há 2 meses
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Por: Adriano Vianini
São João del-Rei. Foto: Beni Jr Fotografia
São João del-Rei. Foto: Beni Jr Fotografia

Em efeito cascata, assim como os governos federal e estaduais, prefeituras das cidades do Campo das Vertentes demoraram para reagir à crise da saúde. 

O Estado de Minas Gerais possui até esta quinta-feira (2), mais de 370 casos confirmados de coronavírus, com seis óbitos por causa da Covid-19. Destes seis, o Estado informou que foram identificados em quatro mortes a presença de comorbidade e fatores de risco. E outras 53 mortes seguem em investigação. 

Infelizmente, ainda nesta quinta-feira (2), a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou, no Boletim Epidemiológico, o primeiro óbito causado pelo novo coronavírus em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira.

No Campo das Vertentes já são cinco casos confirmados, sendo três em São João del-Rei, um em Barbacena e um em Lavras, além de mais de 450 pacientes em investigação.

São João del-Rei, com o maior número de casos confirmados até o momento, o Secretário de Saúde do município, José Marcos Ferreira de Andrade, reconheceu que a cidade está no mesmo nível de mobilização da maioria dos municípios brasileiros e, de certa forma, foi surpreendido pela força da pandemia. “Claro que já vinha sendo falado há muito tempo, mas chegar no pico que chegou agora a gente não estava pronto para isso não”, declarou ao portal Notícias Gerias.

As grandes preocupações de José Marcos contra o coronavírus são a quantidade de respiradores disponíveis na cidade (29 em SJDR e 43 considerando com outros municípios vizinhos); a falta de pessoal para atuar na prevenção e nos cuidados da população durante a pandemia; a dificuldade de comprar equipamentos de segurança para quem vai estar na linha de frente; a falta de materiais e EPIs para pronta entrega, e o aumento abusivo de preços dos produtos. "É insuficiente e o Estado e a União estão procurando suprir essa necessidade”, relatou.

E essas dificuldades não são exclusividades do município de São João del-Rei, mas do Estado e da Federação como já declarou o Ministro da Saúde, Luis Mandetta. Santas Casas de diversas partes do Brasil, incluindo São João del-Rei e Barbacena, também estão com dificuldades e pedem doações de materiais e ou de recursos para enfrentar essa pandemia.

“Nós estamos tendo dificuldade. Nós encomendamos um carregamento de material de proteção que iria chegar na sexta (20) e que parece que foi interceptado ou foi requisitado. Não sei ainda o que aconteceu, mas não chegou até agora”, disse José Marcos ao Portal.

Secretária Municipal de Saúde de Barbacena.Já em Barbacena, o primeiro caso confirmado da Covid-19 também deixou a população em alerta. O paciente é um homem, de 30 anos, que teve histórico de viagem ao município de Cabo Frio, Rio de Janeiro, no início de março. A Secretaria Municipal de Saúde de Barbacena, Marcilene Dornelas, disse que o paciente está em isolamento domiciliar, assim como sua família, e seu estado de saúde é estável. Porém, é crescente o número de casos suspeitos, que aguardam resultados de exames e acende o alerta para que a população respeite as recomendações da Organização Mundial de Saúde, seguidas por Estado e município. O município contabiliza hoje (2), 117 casos suspeitos, um caso confirmado e 143 suspeitas.

Assim como São João del-Rei e Lavras, Barbacena também é referência macrorregional, atendendo uma população de 800 mil pessoas aproximadamente. Em termos de microrregião, que depende de Barbacena, são cerca de 240 mil pessoas. Os 17 municípios vizinhos, grande parte deles, não têm estrutura hospitalar adequada para atender seus pacientes. Alguns já tem casos aguardando resultados de exames para o Covid-19.

Os quatro hospitais da cidade não possuem leitos suficientes para atender a demanda de pacientes acometidos pela Covid-19. Além da demanda que pode crescer, caso a curva de contaminação do coronavírus não seja achatada, as patologias como doenças do coração, câncer, acidentes, continuam com seu curso normal, sem condições de prevenção. “Nós não temos e não teremos leitos para atender as pessoas doentes se elas não se cuidarem, porque mesmo buscando todas as tratativas de enfrentamento nós não temos disponíveis no mercado respirador, monitor e profissionais de saúde para atuarem no monitoramento desses pacientes que vierem a sofrer a síndrome respiratória aguda grave causada pelo Covid-19”, afirmou a secretária.

O que temos acompanhado nos noticiários pode chegar à Barbacena, caso o isolamento social não seja respeitado e esse é o maior temor das autoridades de saúde. “Ninguém está fazendo terror. Estamos apenas tentando conscientizar as pessoas que antes da pandemia já tínhamos um quadro de saúde a oferecer com grandes dificuldades e agora a preocupação é como dar aos doentes o tratamento que eles precisam. Hoje já estamos em uma situação muito complicada”, afirmou Marcilene. O município também pode receber um hospital de campanha em parceria com o Governo do Estado, mas ainda não está aprovado, disse a Secretária.

José Cherem, prefeito de Lavras.Em Lavras, ainda com um número menor de casos confirmados e suspeitos, (apenas um caso confirmado, seis suspeitos e 30 pessoas em isolamento), o prefeito, José Cherem, que também é médico, confirmou estar preocupado com o crescimento de casos do Covid-19, e enviou ao presidente da Câmara Municipal de Lavras o projeto pronto para iniciar adaptações em uma das instalações do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras (UFLA), onde vai funcionar um hospital de campanha com leitos, respiradores e atendimento médico.

O prefeito, em vídeo divulgado na rede social, reconheceu que o município precisa se preparar rapidamente para o crescimento da pandemia e ressaltou que e "a intenção é a de prevenir quanto a um aumento de possíveis casos da Covid-19 no município”.

Isolamento social

Mesmo com decretos Estadual e Municipais determinando que não haja aglomerações a fim de evitar a disseminação do novo coronavírus, a circulação de pessoas ainda é grande na maioria das cidades do Campo das Vertentes, com grande parte dos comércios reabertos, especialmente bares nas periferias e setores do comércio que foram autorizados a funcionar. Os decretos municipais, alinhados às estratégias das autoridades federais e municipais, restringe a abertura de estabelecimentos comerciais considerados essenciais como mercados, padarias, açougues e farmácias.

Em São João del-Rei, a movimentação se tornou mais intensa na última semana com a reabertura de alguns comércios, a campanha de vacinação e de aposentados em agências bancárias e pontos lotéricos para resgatar benefícios sociais. Já em Barbacena, pequenos e médios comerciantes resistem ao fechamento com pessoas circulando dentro dos estabelecimentos.

As denúncias de estabelecimentos em funcionamento, bem como de festas particulares, devem ser encaminhadas à Vigilância Sanitária de Barbacena (32 3339-2092) que fará a fiscalização juntamente com a Guarda Civil Municipal e Polícia Militar. 

 

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