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Uma nova ordem mundial?

Por Fernando Chaves

08/04/2020 19h59 Atualizada há 2 meses
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Por: Adriano Vianini
Fernando Chaves, jornalista e mestre em Comunicação Política pela UFJF. Foto: Divulgação
Fernando Chaves, jornalista e mestre em Comunicação Política pela UFJF. Foto: Divulgação

A China está para assumir, de fato, a liderança econômica do mundo, o que já vem acontecendo ao longo de décadas, gradativamente. O Coronavirus surge não como a causa, mas como um catalisador e um marco de alterações políticas e econômicas globais em curso, um golpe de misericórdia na hegemonia americana. A produção científica de China, Rússia e Índia, em conjunto, rivaliza fortemente com a produção acadêmica ocidental há alguns anos. Países europeus estão com a economia fragilizada, a União Europeia sendo erodida. É o eurocentrismo e a hegemonia geopolítica ocidental ruindo. A pandemia põe em xeque o modelo econômico e político dos EUA, marcado pelo domínio e centralidade do capital financeiro.  Descortinam-se as fragilidades sociais do sistema americano: a maior potência econômica do mundo não tem um sistema de saúde eficiente. Longe disso. Estados nacionais estão assumindo mais protagonismo econômico nos países do ocidente. Já se fala em um novo Plano Marshall de dimensões globais, tamanho o estrago econômico previsto. Há um esgotamento do modelo das democracias liberais, que mantinha centralidade desde a queda do muro de Berlim. 

No início do século XX, havia uma disputa entre três modelos de sociedade no mundo: (1) a democracia liberal capitalista; (2) o capitalismo autoritário fascista; (3) o comunismo. A segunda guerra eliminou o fascismo. O fim da guerra-fria marcou a superação do comunismo no início da década de 1990. Desde então, a democracia liberal assumiu o status de melhor sistema a ser implementado para o desenvolvimento das nações.  

30 anos após o final da Guerra-fria, as democracias liberais demostram cansaço, o que ficou mais claro a partir da crise de 2008, desnudando um divórcio entre o ideal democrático e o liberalismo econômico, ou entre capitalismo e democracia. Ao longo do século XX, fomos levados a identificar o sistema democrático ao capitalismo. Mas essa identidade não se dá forma perfeita, muito pelo contrário. Democracia é um sistema político. Capitalismo é um modo de produção. Desde o início do século XX, o capitalismo liberal representado por países como EUA, França e Inglaterra, tomou para si a bandeira democrática em contraponto ao regime comunista de ditadura do proletariado e ao capitalismo autoritário fascista. Conceitualmente, a democracia está muito ligada ao império da lei e ao direito ao voto. Mas há concepções de democracia que pressupõem também maior igualdade econômica. 

Enquanto o capitalismo liberal rivalizava com o fascismo e o comunismo ao longo do século XX, houve espaço para a construção de um Estado de bem-estar nas democracias ocidentais, com concessão de direitos sociais muito além da igualdade perante a lei e do direito ao voto. Além de surgirem como um remédio que se impunha para frear as distorções e injustiças provenientes da acumulação e da exploração capitalista, esses direitos sociais foram também concedidos para rivalizar com as alternativas fascistas e comunistas de sociedade. Ao longo da década de 80, que coincide com a crise da União soviética e a consolidação da hegemonia capitalista, os regimes do capital foram tolhendo direitos sociais e o capitalismo ocidental viu o estabelecimento de um regime democrático cada vez mais formal e pouco efetivo quanto à garantia de direitos sociais e à inclusão econômica dos cidadãos. Foi a ascensão do neoliberalismo, acentuando o divórcio entre capitalismo e democracia, que se intensificou com o tempo e ficou mais evidente em 2008, quando a instabilidade econômica e social tomou conta de vários países “democráticos”, com episódios de repressão policial a protestos contrários à agenda liberal.  

Os países latino-americanos viveram essa onda liberalizante na década de 1990. Ela foi freada, no início do século XXI, por governos de centro-esquerda, em geral eleitos democraticamente e que desfrutaram de certa estabilidade econômica global, podendo implementar políticas sociais por cerca de uma década. Mas a partir de 2008, com um mundo cada vez mais instável, essa esquerda entrou em crise e passou a ser tensionada por grupos neoliberais, com pautas que acentuam a distância entre capitalismo e democracia, inclusive com ascensão de projetos populistas e com viés autoritário, como no Brasil atual.

A crise mundial trazida pela pandemia do novo Coronavirus em 2020 coloca novamente os limites da democracia liberal na ordem do dia. A pandemia desnuda as deficiências democráticas do capitalismo liberal e a ineficiência social do neoliberalismo. Novos arranjos de poder devem se impor globalmente. O Estado deve ganhar espaço como agente econômico nas sociedades ocidentais. Populismos de direita estão emergindo nesse cenário e pode haver uma escalada autoritária em alguns países, principalmente subdesenvolvidos, sendo justificada pela desordem que ameaça as sociedades. 

O jornalista Fernando Chaves é mestre em Comunicação Política pela UFJF, ex-assessor de imprensa da Câmara de São João del-Rei e ex-secretário municipal de Turismo e Cultura em Resende Costa-MG. 

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