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Opinião Análise

A saúde de São João del-Rei sempre foi caótica, mas para reabrir o comércio, empresários e governantes movem-se mundos e fundos

O falso dilema que ronda a população e os empresários do Campo das Vertentes que é

30/04/2020 20h12 Atualizada há 1 mês
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Por: Adriano Vianini
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Por Adriano Vianini

Há dias estamos noticiando que o Ministério Público, a Prefeitura de São João del-Rei, o CISVER, a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital N.S. das Mercês, os Sindicatos e Associações, e a Regional de Saúde estão na expectativa de “flexibilizar” a reabertura do comércio de São João del-Rei.

Assim como o nosso presidente, Jair Bolsonaro, que constantemente ignora a pandemia da Covid-19; na última quinta-feira (29), o representante dos comerciários e presidente da ACI del-Rei, José Egídio, também teve o infeliz discurso no qual tenta "rever ou reduzir" o número de leitos exigidos pelo Ministério da Saúde em São João del-Rei. Perdeu uma ótima oportunidade de demonstrar sensibilidade, empenho e preocupação dos comerciários em ajudar a melhorar a saúde pública do município que há anos está caótica (Leia mais aqui).

“Entrarei em contato com o governador, com a Secretaria de Saúde do Estado e vou pedir para que eles façam uma revisão porque esta resolução [do Ministério da Saúde] saiu dia 31 de março. O quadro era muito diferente e de lá para cá, e esses dados avançaram muito. Vou fazer um apelo ao governador para que diminua o número de leitos em SJDR”, disse em entrevista a Rádio Emboabas. 

O Ministério da Saúde exigiu que a microrregião de São João del-Rei, que também atende cidades vizinhas, tenha no mínimo 36 leitos para atendimento de emergência. Hoje, o município possui apenas 20. Os 16 faltantes seriam “providenciados" pelas entidades citadas acima. Vale ressaltar que o Ministério da Saúde estipulou o número de leitos cruzando informações como população atendida versus número de leitos disponíveis versus probabilidade de aumento ou contágio do Covid-19 até 31 de março de 2020.

Há um falso dilema que ronda a população e os empresários do Campo das Vertentes, especialmente em São João del-Rei, que é “flexibilizar" o comércio e “salvar" os empregos e os empresários. Contudo, a saúde no município sempre foi desastrosa (Leia mais aqui), mas para reabrir o comércio, empresários e governantes movem-se mundos e fundos. Sem contar a publicidade constante, quase que diária, dos deputados da região que dizem ter aprovado emendas parlamentares destinadas a saúde dos municípios. 

Por outro lado, infelizmente, a política de confinamento ou isolamento social poderá levar o país a uma profunda recessão, gerando aumento do desemprego, da pobreza e da fome. Ainda com o confinamento, vidas serão salvas “achatando-se a curva”, ou seja, reduzindo a velocidade do contágio entre a população e deixando de sobrecarregar o sistema de saúde. Felizmente, a tentativa inicial do isolamento social adiou o pico da COVID-19 em Minas e, consequentemente, achatou a curva de propagação em relação a outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Amazonas. 

Diante destes e outros dilemas, políticos e empresários de todo o Brasil se mostram analisando apenas três áreas - ou saídas - para a crise desta pandemia:

Social: Poupar vidas agora, mas as perderemos num futuro próximo devido aos efeitos causados com a crise financeira tais como desemprego em massa, redução abrupta na renda das famílias, baixo faturamento das empresas e na arrecadação de impostos do governo. Saúde física e mental parecem entrar no contexto social, como o crescimento da depressão e suicídios, mas sempre em segundo plano.

Econômica: Voltamos ao que supostamente entendemos como "rotina normal", em que a grande maioria volta ao trabalho usual, mas morrem outros tantos.

Política: Em ano eleitoral, prefeitos e governadores possuem a árdua decisão sobre qual área irão se enforcar nas urnas: social ou econômica? Sim, terão que escolher uma, pois salvar as duas serão praticamente impossível!

Desmistificando os falsos dilemas:

1 - Sabemos que os empresários estão preocupados - e com razão - com a reabertura dos seus negócios. Porém, vivemos em um cenário de incerteza nunca vivenciado por nenhum de nós e, por conta disso, a reabertura das empresas tendem para uma visão simplista e de curto prazo. A crise financeira já se instalou no Brasil e no mundo e, infelizmente, já se dão como certo o aumento do desemprego, a redução drástica da renda das famílias e, consequentemente, a redução do consumo. Além disso, a crise financeira vem se arrastando desde 2019, com uma expectativa de retomada em 2020, porém não aconteceu no primeiro trimestre do ano.

2 - Se apropriar do discurso "salvar e manter empregos" é uma falácia, pois gera ansiedade e induz, em tom de ameaça, que o trabalhador e governantes acreditem em falsa promessa. Infelizmente, faz parte do jogo dos negócios, “funcionário morto é funcionário reposto”. Também é fato que empresário não vai parar numa fila da UPA, mas empregado sim!

3 - A flexibilização do comércio em São João del-Rei e em algumas cidades da região já aconteceu. Indústria e comércio já trabalham de maneira formal (autorizadas pela prefeitura como “serviços essenciais"), e de maneira informal (autorizadas pela prefeitura como serviços não essenciais, além de micro e pequenos empresários que precisaram voltar às atividades, porém de portas fechadas e com horário marcado). Claro, que há exceções que ainda permanecem fechadas cumprindo o Decreto Municipal.

4 - Donos de bares, academias e serviços que geram aglomerações deverão repensar e reinventar seus negócios tendo em vista os itens citados acima e, sobretudo, o surgimento de novas alternativas de entretenimento, esporte e lazer mais baratos e seguros como lives e aulas pela internet. Além disso, especialistas prevêem a volta da "vida normal" apenas a partir de outubro, em um cenário mais otimista.

5 - Cidades que reabriram o comércio durante a pandemia tiveram um salto significativo no número de contágios com a Covid-19. Vejam os casos de Blumenau (SC) e Porto Velho (RO). Leia aqui.

6 - Especialistas afirmam que o Brasil deverá perder entre 44 mil e 1,1 milhão de vidas até outubro de 2020. Isso mesmo que está lendo! Na última semana, um estudo da Imperial College de Londres, instituição que vem fazendo quase em tempo real projeções matemáticas do crescimento da pandemia e avaliações das ações em andamento, havendo uma restrição mais ampla de isolamento no Brasil, e feita de modo rápido, poderiam ocorrer cerca de 44 mil mortes no País. Já em um cenário com regras menos rígidas de isolamento, a previsão é de cerca de 627 mil óbitos.

Exceto, claro, se adotarmos uma estratégia de quarentena rigorosíssima como em países desenvolvidos, que não é o caso do Brasil. Especialistas afirmam também que as capitais são as primeiras a sofrerem com a pandemia devido ao número de habitantes e rotatividade. Na sequência, cidades do interior tendem a importar o vírus e ser as mais afetadas. No Campo das Vertentes, cidades de médio porte como São João del-Rei, Barbacena e Lavras estão com dificuldades de conter o isolamento social.

7 - No ritmo que estamos, provavelmente as aulas não retornarão até julho ou agosto. Contudo, educadores também estarão receosos de retomarem as atividades com a insegurança e o risco de ampliar o contágio.

8 - Se conseguimos voltar à "normalidade", nossa rede hospitalar na região das Vertentes também entrará em colapso. Felizmente, até o momento, não houve vítimas fatais e nem superlotação dos leitos de internação. Porém, infelizmente, o vírus não faz distinção entre àqueles que se expõem e àqueles que seguem no isolamento social. Portanto, os que estão expostos, consequentemente, transmitirão o vírus para parentes, familiares e amigos, ampliando o contágio e, talvez, a taxa de mortalidade.

9 - Por falar de rede hospitalar, em São João del-Rei ainda é uma incógnita os milhões de reais enviados pelo Governo Federal e deputados aos municípios. Dinheiro parece não faltar, tendo em vista os recursos recebidos, mas saúde de qualidade ainda estamos distantes do ideal.

10 - Por último, e não menos importante, os políticos tendem a conciliar às exigências do Ministério Público, quem fiscaliza e faz cumprir a lei, com as expectativas dos empresários, que são os doadores e patrocinadores das campanhas. Só em São João del-Rei, quem mais apoiou a atual administração e, consequentemente, lucrou milhões - isso mesmo, milhões - são comerciários (mas isso será tema para outra pauta).

É certo que o desemprego e a perda da renda serão tão relevantes quanto a saúde da população. O lado que pesará será o da omissão dos nossos governantes e da falta de união e sinergia entre eles. Se não houver uma expansão da rede de proteção social, isenção de impostos, novas linhas de financiamento para micro e pequenas empresas, novos benefícios etc., não teremos atividade econômica. Para reabrir o comércio há união e fortalecimento de diversos atores sociais e empresariais, porém para melhorias estruturais que beneficiem a saúde e a educação da população tais como isenção de impostos, ampliação da rede de proteção e utilização de recursos destinados para eleições 2020 ainda são lendas urbanas.

 

Título por Alexandre Cardoso

Adriano Vianini
Sobre o Adriano Vianini
Reflexões sobre o cotidiano.
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