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Nossa Gente A Rita

Grupo de São João del-Rei faz sucesso com repertório que transita do samba, da bossa, do pop rock e com atitude política

Confira e ouça!

22/05/2020 15h50 Atualizada há 5 meses
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Por: Adriano Vianini
Foto: Divulgação Mais Vertentes
Foto: Divulgação Mais Vertentes

Nascida em Pará de Minas e estudante de psicologia na Universidade Federal de São João del-Rei, Rita Moreira, do grupo À RITA (com crase mesmo), encanta São João del-Rei e região há praticamente 10 anos com sua voz doce, seu jeito tímido e moleca, um estilo meio hipster, mas que cresce a cada tom de sua voz forte, presente e com uma pegada tropicalista, pop rock e repleto de simbolismo político.

Sempre acompanhada de seu fiel parceiro e sócio na fundação da banda, desde o início, Leonardo Avellar, estudante de Música da UFSJ, a Rita (sem crase) transborda carisma, emoção e dedicação em seus shows, que inclui grandes clássicos do samba, da bossa nova, do pop rock internacional e nacional.

Atualmente o grupo À RITA é formado por Leonardo Avellar, no violão e na guitarra, Guilherme Faria, na bateria, Rafael Wolbert, no baixo, e Rita, no vocal, marcando presença nos principais festivais da região com repertório e música de qualidade e com um público cativo.

Mais Vertentes conversou com Rita Moreira, vocalista da banda, que nos contou um pouco sua trajetória musical e planos para 2019.

Mais Vertentes: Conta pra gente um pouco da sua história e sua trajetória até aqui.

Rita Moreira:   Eu me envolvi com música e como cantora desde pequenininha, acho que a maioria das pessoas que trabalham nesse ramo se envolvem desde cedo, e eu tive a minha primeira banda com 15 anos, em Oliveira/MG. Era uma banda de rock adolescente da época, bem jovem mesmo. Eu fazia algumas interpretações como vocalista. Depois de um tempo acabei indo para uma banda que já existia, com um pessoal mais velho que eu, eles já eram músicos há muito tempo, um deles compositor, e eu participei durante um tempinho também em Oliveira. Nasci em Pará de Minas, mas minha mãe precisou se mudar por causa de trabalho para Oliveira, então cresci e me envolvi primeiramente com música por lá.  De Oliveira a gente se mudou para Itaúna, que é onde minha mãe mora até hoje, e foi onde eu comecei a me profissionalizar. Quando me mudei, eu estava no terceiro ano do ensino médio, e o que me fez pensar sobre a música como carreira foi quando participei do programa Raul Gil, um programa só, aquele de calouros mesmo, mas foi o que me deu um impulso para realmente querer trabalhar com isso e seguir como cantora.

Meu parceiro na época, o Rafael Lisboa, fazia faculdade de direito comigo em Itaúna e nos identificamos e resolvemos montar o trio "Esquina Brazil",  com um amigo nosso, o João Paulo Machado. Tocamos muita bossa nova, muito samba e um pouco de pop rock internacional. Ficamos um ano tocando muito na região de Itaúna e era muito legal, porque conseguimos um público muito bom e até gravamos um disco independente com três músicas autorais e três músicas que já estávamos acostumados a tocar.

Pouco tempo depois, passei em Psicologia na UFSJ de São João del-Rei e acabamos deixando o projeto parado. Quando me mudei pra cá sabia que teria que me virar um pouco por causa da situação financeira, então comecei a comentar com quem eu conhecia que eu tinha uma banda na minha cidade e que queria começar algo por aqui também. Acabei conhecendo o Leonardo Avellar, que é meu companheiro de música e de vida até hoje e nos conhecemos na primeira semana minha aqui na cidade. Resolvemos começar a tocar um repertório em comum juntos. Formamos então o primeiro nome que a gente teve, que também foi um trio, o “Transa Trio”, em homenagem ao disco do Caetano Veloso. Tinha acabado de conhecer e estava me adaptando à esse novo estilo musical.

Formamos a banda com um amigo nosso, o Pablo, e começamos fazer um show, logo no comecinho da faculdade, na Semana Acadêmica da Filosofia. O “Transa a Trio” virou o “Trio à Rita”, quando o Thales Pereira entrou, porque o Pablo precisou sair da banda. Quem deu o nome foi o Léo, ele que teve essa ideia. Começamos a tocar muito no bar Calêndula, que era um lugar que estava rolando muito movimento dos universitários, porque na época não existiam tantos bares em São João del-Rei e começamos a criar um público muito bom entre o pessoal da faculdade mesmo.  Depois fomos tocando em outros lugares, tocamos em Lavras, em toda região do Campo das Vertentes e começamos a nos firmar.

Em 2012 precisei trancar a faculdade por questão de saúde e voltei pra Itaúna pra ficar com a minha mãe. Acabei ficando lá durante todo o ano. Nesse meio tempo o Tales acabou saindo da banda e entrou o Nei Souza, que é um outro percussionista sensacional. O Nei trouxe umas novidades nos arranjos da banda e voltamos com um gás maior em 2013. A noite de São João começou a se desenvolver também, muitos bares abrindo, e acabamos aumentamos a banda colocando guitarra, baixo, bateria e tocamos no Inverno Cultural pela primeira vez.

Em 2015 tivemos outra mudança na banda, onde entrou o Guilherme Faria na bateria e o Rafael Wolbert no baixo, tivemos então um outro salto qualitativo pois eles trouxeram uma bagagem muito boa de experiência pra banda, mudando ainda mais a identidade, fazendo uma pegada mais rock brasileiro, uns novos arranjos.

E hoje em dia estamos com essa atual formação da banda À RITA. Começamos a tocar em diversos festivais pela região a fora e, principalmente, no Inverno Cultural da UFSJ, acho que participamos de 3 invernos culturais seguidos. Tocamos no Festival de Gastronomia de Tiradentes por muitos anos também. Estamos em São João há quase 10 anos, divididos entre a universidade e a carreira musical. Devo me formar ano que vem. Hoje sou casada com o Leonardo Avellar, que é meu maior parceiro ao longo dessa trajetória toda. Estamos cheios de projetos maravilhosos para esses próximos anos!

 

Mais Vertentes: Como funcionam as escolhas do repertório para os shows?

Rita Moreira: Desde sempre a gente prezou muito pelo que a gente gostava de ouvir e tocar, mas eu sempre fui muito aberta a novas músicas e novas influências. Quando comecei a tocar samba e bossa nova, me abriu um novo mundo musical e acrescentou muito na minha vida. A escolha sempre foi mesmo pelo nosso gosto em comum. No último show, por exemplo,  fomos bem além do nosso gosto musical e começamos a nos posicionar politicamente. A arte nos dá essa liberdade de expressão e esse show foi um resgate mesmo, um sentimento coletivo dos grupos progressistas que querem resgatar a nossa raiz latino americana e a raiz afro, porque nós descendemos dos negros escravizados e essa cultura negra está muito presente em nossas músicas e em nossa vida. Nosso show tem sido construído em cima desses preceitos, além de claro sempre focar no amor, que é essencial. Nossos repertórios são escolhidos sempre em primazia da música que traga uma emoção, um discurso, um posicionamento que toque as pessoas. A gente traz muito Caetano, que é um cara que mexe demais comigo, me inspira muito com tudo que ele faz e disse. A Gal Costa também, com as diversas versões que ela traz para músicas de outros artistas, é incrível. E no meio disso tudo a gente começou a escolher músicas inéditas para uma nova construção da nossa carreira e passamos a ouvir compositores daqui de São João del Rei  mesmo, o Eduardo Lara é um exemplo e também um grande amigo nosso, que é o Luiz Nascimento, que tem um repertório composto por ele incrível e queremos muito gravar um disco inteiro com músicas compostas por ele.

 

Mais Vertentes: Quais são suas maiores inspirações como cantora?

Rita Moreira:  Fui muito influenciada pelo pop rock estadunidense, porque eu ouvia muito Jovem Pan quando era mais nova, minha mãe gostava muito da rádio que tocava exatamente esse estilo de música. Eu acho que música pop abre muitas possibilidades, musicalmente falando, uma mistura boa de ritmos, de influências, de estilos. Ela tem essa possibilidade de fazer muitas coisas em uma música só.  Falando de cantoras que me influenciaram mais diretamente, tem a Céu, que é uma cantora da MPB contemporânea, que é muito boa. A Roberta Sá também foi muito importante pra mim, ela tem uma excelência vocal maravilhosa e me influenciou muito quando comecei a cantar samba.

 

Mais Vertentes: Quem são seus maiores parceiros nessa jornada musical?

Rita Moreira:  Meus maiores parceiros nessa jornada, há quem eu tenho muito a agradecer é essa galera que sempre me ajudou muito e que me incentivaram a me firmar como cantora coletivamente. Tenho que agradecer as duas bandas que tive em Oliveira, a banda do Waltinho e o Dirceu, os meninos da minha outra banda também, que hoje não tenho contato com eles, mas foram sensacionais.  Em Itaúna, o João Paulo Machado e o Rafael Lisboa que são meus amigos ainda, e foram grandes companheiros e essenciais para esse início meu. Até fiz a minha primeira música autoral em parceria com o Rafael. Aqui em São João del-Rei eu tenho que agradecer primeiramente e muito ao Leonardo Avellar que é meu maior parceiro na música e na minha vida, pois sempre esteve comigo. Ele foi muito importante para esse salto qualitativo que eu dei na minha carreira. Só tenho a agradecer. Meus parceiros de banda que estiveram em várias fases, cada um com sua influência e seu incentivo, o Pablo Araújo, o Thales Pereira, o Nei Souza, o Ricardo Lima, o Lucas Batista, os meninos que entraram, o Rafael Wolbert e o Guilherme Faria que deram outro salto qualitativo enorme na banda. Tenho muito a agradecer o Luiz Nascimento que tem músicas maravilhosas a serem interpretadas. Agradeço a cada uma das outras bandas de São João, a Ana Sartori, a Isís Pereira, a Amanda Ramos, as meninas que ainda não conheço mas que estão na cena musical e participam desse coletivo de cultura dentro da cidade. Agradeço de verdade à quem passou na minha vida individualmente e em coletivo, que só me acrescentaram e ajudaram a minha carreira e a mim como pessoa também.

 

Mais Vertentes: Como é pra você essa questão cultural em nossa região?

Rita Moreira: Falando especificamente de São João del-Rei, que eu considero uma cidade muito musical - independente da universidade -, pois temos bandas muito antigas por aqui, além de um ótimo conservatório com um conceito musical muito grande e muito presente. Um pouco misturado com a religiosidade, porque São João é uma cidade muito religiosa e música acaba se misturando um pouco com isso e tivemos a sorte de ter a Universidade Federal aqui com o curso de música que veio pra somar a cultura da cidade. É uma identidade muito forte que podemos ver enraizado na cidade. Até mesmo os movimentos populares é admirável de observar, como o congado, maracatu, folia de reis, é lindo de ver, de verdade.  Os bares também começaram a dar uma visibilidade grande para os músicos da região, que teve um grande estrondo de novos cantores por aqui que tocam na noite e isso foi muito bom. São João é uma cidade que produz muita música e respira muita música nas suas diversas manifestações.

 

Mais Vertentes: Muitos planos para 2019? Conta pra gente um pouquinho do que vem por aí

Rita Moreira: 2019 é um ano que está começando agora (em março), e tenho um projeto novo pra apresentar esse ano, que é o lançamento da minha última música autoral,o nome da música é "Let me" e minha parceira na composição é a querida cantautora Laura Cândida.  Realizamos a gravação com um produtor engenheiro de áudio de Belo Horizonte, o Anderson Guerra, que foi um projeto feito de maneira analógica, que traz uma pegada diferente e muito interessante. E o resultado ficou muito legal, tem um pouco do pop mais claramente. Vou lançar ela ainda no primeiro semestre, falta decidir data e tudo mais. Estamos vendo como vai funcionar tudo, mas será um trabalho sensacional e meu mesmo, um projeto individual, que tenho tido muito orgulho de fazer.

 

Contato Rita Moreira 

Intagram- @ritanajanela

Whatsapp - (32) 9 8467-0902


Por Nicole Duarte

Fotos: Thauana Gomes e Sofia Pacheco - Inverno Cultural 2018

 

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