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Revista Mais Vertentes Fotografia

Empoderamento feminino através da fotografia

Conheça o trabalho da fotógrafa Natália Chagas que transforma fotografia em poder feminino através do projeto Nativa Fotografia

22/05/2020 16h51 Atualizada há 2 meses
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Por: Adriano Vianini
Nativa Fotografia. Foto: Nátalia Chagas
Nativa Fotografia. Foto: Nátalia Chagas

Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância. 
​Simone de Beauvoir

Nascida e criada em Santa Rita do Ibitipoca, a fotógrafa Natália Chagas é também bióloga formada pela Universidade Federal de São João del-Rei. Seu amor pela fotografia caminha juntamente com seu amor pela biologia, pois como uma legítima amante da natureza, sempre deu preferência por fotografar belas paisagens. Seu primeiro contato com a fotografia foi graças à sua mãe, que apaixonada por registrar encontros familiares passou para a filha o amor pela arte. Aos 18 anos ganhou sua primeira câmera e começou a fotografar viagens pessoais, porém o hobby ganhou força durante a graduação, quando passou a registrar os trabalhos de campo feitos na Serra São José na região sanjoanense. 

Hoje em dia, a Natália mantém o projeto Nativa Fotografia, onde registra mulheres nos seus momentos mais delicados e íntimos, valorizando cada detalhe do poder feminino. É um projeto fotográfico que visa empoderar, exaltar a beleza da mulher e resgatar a essência e a auto estima que existe dentro de cada uma. De acordo com a fotógrafa ", a Nativa propõe-se dar visibilidade para mulheres, ampliando as visões de diversidades do que é ser “mulher” e mostrar que somos mais do que o padrão heteronormativo de feminilidade que a maioria dos fotógrafos e mídia propaga." explica Natália. 
Outro objetivo do projeto é trazer um autoconhecimento para cada mulher que por ele passa, além de desconectar por algumas horas do mundo exterior e fazê-las olhar para quem elas são hoje e para quem elas querem ser no futuro. 

Nesse mês de maio, a Natália esta com uma exposição incrível, denominada "Crua" que é uma viagem para dentro do universo feminino e busca resgatar a essência e a beleza real das mulheres. Foi inaugurada dia 10/05 e ficará até dia 31/05 no Bar Bartêlie, localizado na Rua da Cachaça, de quarta a sábado a partir das 19 hs. Vale muito a pena conferir! 

​Conversamos com a Natália que nos contou um pouco mais sobre o projeto Nativa Fotografia e sobre sua trajetória. 

Fotógrafa Natália Chagas

Mais Vertentes: Como aconteceu a criação da Nativa Fotografia? 

Nátalia Chagas: No início de 2017 passei por um término de relacionamento amoroso, foi um período muito difícil, mas encontrei na fotografia uma oportunidade para renascer e fazer todas as coisas que realmente sonhei para minha vida.  Assim, comecei a estudar fotografia em casa e decidi que fotografaria amigas que estivessem vivenciando situações delicadas. As mulheres que fotografei neste período, após o ensaio, mudaram de alguma forma, senti que elas ficaram mais felizes e percebi ali um trabalho com potencial. Em seguida busquei um curso introdutório com uma amiga e desde então, fotografar mulheres virou meu trabalho e minha maior paixão.

Mais Vertentes: Como a fotografia se conjuga com a natureza e com o feminino na Nativa? Que tipo de vivência seu trabalho proporciona as mulheres?

​Natália Chagas: Vivemos um período onde o corpo feminino é visto como mercadoria, este corpo é um esboço do corpo que precisamos ter para entrar nas normas do que a sociedade exige. Essa cobrança gera um caos interno dentro da mulher, pois atingir este padrão, eu diria, é uma utopia, porque biologicamente somos seres diversos, com estruturas e peculiaridades genéticas que não nos iguala. Essa não aceitação do próprio corpo gera transtornos de ansiedade, insegurança, infelicidade, levando assim, muitas mulheres a realizarem tratamentos estéticos invasivos e traumáticos.

A mulher possui um ciclo biológico influenciado por fatores ambientais, no entanto, com o avanço tecnológico estamos vivenciando um período de desconexão com a natureza, e a cada dia que passa, vamos restringindo mais o contato com ambientes e hábitos naturais. Meu amor pela Biologia e pela vida me proporciona um olhar mais orgânico do que é “ser mulher”, de fêmea, mamífera. Assim, vejo meu trabalho com uma vivência, um resgate da essência feminina no sentido de reconexão com a natureza onde busco extrair sua essência e qualidades que as torne única e naturalmente bela. Almejo quebrar padrões e desejo que elas se reconheçam e sintam-se felizes vendo sua própria imagem e, mais que isso, que elas reconheçam sua força e suas conquistas.

Mais Vertentes: Que tipo de resultados você busca com o projeto e como é o retorno?

​Natália Chagas: Os resultados tem sido cada vez melhores. O aprendizado técnico tem surgido gradativamente, e com o decorrer da minha experiência, tenho tido mais visibilidade e reconhecimento. Não busco a perfeição, mas busco retratar de forma original e simplicidade. O retorno tem sido incrível! As modelos sempre relatam suas experiências, como elas se sentiram bem, bonitas e confortáveis durante as fotos.

 

Mais Vertentes: Nudeza, erotismo e feminilidade sempre envolve tabus, como tem sido lidar com isso em São João del-Rei?

​Natália Chagas: Sou privilegiada pois iniciei a Nativa quando ainda estava na Universidade e esta condição me proporcionou conviver com pessoas desconstruídas que me incentivaram desde o início. Acredito que meu trabalho está começando a ter visibilidade para fora dos muros acadêmicos por agora, mas ainda não consigo visualizar a dimensão disso. Não encontrei nenhuma pessoa que criticasse negativamente o meu trabalho, mas acredito que é algo que terei que enfrentar no futuro, quando a Nativa tomar à proporção que almejo.

 

Mais Vertentes: Você possui algum projeto/sonho que deseja alcançar com a fotografia?

​Natália Chagas: Sim. Sonho em realizar trabalhos em diversas unidades de apoio e incentivo a mulher, como a ASAPAC (Associação de Amparo a Pacientes com Câncer), Albergue Santo Antônio e algumas comunidades periféricas aqui de São João. Também sonho em realizar exposições e quem sabe, uma foto livro.

Mais Vertentes: Como é trabalhar com empoderamento feminino?

​Natália Chagas: Fico imensamente feliz por realizar meu trabalho. Todas as minhas modelos eu vejo como um presente do universo pois no desenrolar das conversas que antecede o ensaio e durante as fotos, rola uma troca grandiosa de experiência de vida. Elas me contam suas vivências, eu conto as minhas e assim, sinto que saímos com uma carga bonita de aprendizado! Me empodero e me fortaleço com suas histórias e isso resulta em uma rede de mulheres.

Mais Vertentes: Como funciona seu olhar na fotografia? A escolha do cenário, da luz, melhores poses?

​Natália Chagas: Tudo dependerá do tipo de fotos que a modelo deseja. A partir do desejo dela, nós escolhemos em conjunto o local. As poses eu costumo deixar a modelo bem a vontade para fazer o que quiser, mas lógico que auxilio, dou palpites, mas sem interferir demais. 

Mais Vertentes: O que você faz para elas se sentirem seguras e confortáveis durante as fotos?

​Natália Chagas: O trabalho com as modelos começa bem antes do ensaio. Desde o momento em que as modelos me procuram a primeira vez, tento criar uma intimidade, as incentivo, dou sugestões. Durante as fotos, a maioria fica com vergonha no início, mas converso muito com elas, faço elas rirem, conto alguma piada! Alto astral é fundamental para o desenrolar de um bom trabalho!

Mais Vertentes: Qual foi o trabalho mais marcante?

Natália Chagas: Nossa! Todos! Todas as mulheres que fotografei são incríveis e me marcaram de alguma forma!

 

Mais Vertentes: Quais são suas maiores inspirações?

​Natália Chagas: Melissa Maurer e Helena Cooper são duas fotógrafas muito sensíveis que admiro enormemente, que inspiraram a criação da Nativa.

Mais Vertentes: Decisão de fazer fotos femininas veio de onde?

​Natália Chagas: Surgiu em um momento em que estava triste e me juntei a amigas que passavam por situações semelhantes e resolvi fotografá-las. Em seguida vi que a Nativa poderia ser uma ferramenta de luta contra o sistema que nos oprime todos os dias pelo simples fato de sermos mulher.

 

Manda um recado as mulheres!!

​Manas, você pode estar nesse momento triste, questionando sua beleza, sua força, questionando seus sonhos, mas queria dizer a vocês que somos todas incrivelmente lindas, incrivelmente fortes!! Descubra sua força, seja através da fotografia ou alguma outra ferramenta que ache viável...olhe para dentro de si mesma!!

Por Nicole Duarte

 

Contatos:

Intragram: @nativa_fotografia

Telefone: (32) 9 9166 - 0656

[email protected]​​

Confira na galeria abaixo fotografias belíssimas do projeto Nativa. 

 

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