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Comportamento Fake News

COVID-19: Fake News geram pânico e intolerância em cidades das Vertentes

Mensagens falsas circuladas na rede WhatsApp já levaram pânico e desinformação em municípios como Ritápolis, Dores de Campos e Barbacena.

28/05/2020 14h29 Atualizada há 1 mês
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Por: Adriano Vianini
Município de Ritápolis foi vítima de fake news que gerou pânico aos cidadãos. Foto: Ritápolis - Divulgação
Município de Ritápolis foi vítima de fake news que gerou pânico aos cidadãos. Foto: Ritápolis - Divulgação

Em meio ao surto de coronavírus e o crescimento do número de infectados em todo o mundo, uma onda de fake news tem contribuído para propagar ódio, preconceito e desinformação nas redes sociais. No Campo das Vertentes, centro-sul de Minas Gerais, não é diferente do restante do mundo. Nas últimas duas semanas, por causa do aumento no número de casos confirmados da COVID-19 na região, uma série de fake news está levando pânico em algumas cidades e gerando constrangimentos e preconceitos àqueles que foram infectados e estão curados, turistas ou parentes que visitam familiares, e até estudantes e soldados da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR).

No início da semana, quatro soldados que residem no município de Dores de Campos, e que servem na EPCAR, com sede em Barbacena, foram alvos de ataques e mentiras pelo aplicativo WhatsApp. Isso depois que a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou, na última terça-feira (26), que 204 exames deram positivo para coronavírus. Destes, segundo a EPCAR, 90 alunos estão em isolamento na própria instituição e os outros 114 já se recuperaram do Covid-19 e foram para casa. Em áudio divulgado pelo Portal Dores de Campos, um dos soldados revelou que, "estão falando que nós, que estamos trabalhando lá dentro, que estamos contaminados, sendo que não estamos. E com isso, nós e nossas famílias, namoradas etc. estão sendo discriminados. Ontem escutei alguém falando que estou com suspeita, e que estou de quarentena - sendo que não estou! Estou indo trabalhar normalmente. Falaram também que se me verem na rua irão me denunciar na EPCAR. Só queria falar que se quiser ligar, pode ligar e falar de mim. Porque não estou de quarentena e muito menos com suspeita. Se eu estivesse de quarentena estaria lá dentro da EPCAR ou dentro de casa. Temos consciência de que não estamos contaminados", informou o soldado. Além disso, em áudio ele também faz um apelo para que "antes de discriminar, procure entender a situação e não sair falando coisas que não sabem. Com isso, estamos sofrendo muitos preconceitos. Daqui um dia nem sair nas ruas nós vamos, sendo que nem com suspeita estamos", desabafou.

Ainda em Dores de Campos, há cerca de um mês, um visitante do Rio de Janeiro que estava na cidade em casa de parentes deu positivo para COVID-19 e teve que ser internado em São João del-Rei. Diversas informações também foram divulgadas pelas redes sociais e gerou pânico à população de ambas as cidades. Vale ressaltar que o município ainda não apresentou nenhum caso confirmado domiciliar.

Em Barbacena, um paciente recuperado pelo coronavírus, em entrevista exclusiva para o Portal Mais Vertentes, revelou que sofreu preconceito por todos os lados. O paciente, que não vamos revelar a identidade, ao retornar da quarentena domiciliar se viu obrigado a se afastar, temporariamente, do trabalho por causa do preconceito das pessoas. "Além da dor física que passei em casa, o pior é o psicológico e o preconceito. Via vizinhos atravessando à rua só para não passar na calçada da minha casa. Via gente discriminando minha mãe e familiares. No trabalho as pessoas me evitavam e fui "coagido" a pedir licença temporária para não deixar os colegas incomodados", informou.

Ainda em Barbacena, um colaborador do jornal Folha de Barbacena (FB), também foi vítima de fake news. Segundo o estagiário Iuri Fontora, ele recebeu no último sábado (23/05), alguns áudios, de diversos amigos, que circulavam pelo WhatsApp, que o acusavam de ter criado uma petição on-line contra a abertura do comércio da cidade. Ao final dos áudios também há uma ameaça de agressão.

No primeiro áudio um homem faz a acusação e a ameaça, usando uma expressão popular.  "Gente, boa noite! Eu já descobri quem está fazendo a petição para não abrir o comércio. É o que se acha jornalista do Canal Mantiqueira, um ‘faveladozinho’ ali do Santa Luzia. Pegar esse cara e dar um pau nele",  afirma o áudio. No segundo áudio novas acusações mentirosas são feitas. "Esse vulgo que se acha jornalista aí é aluno da UFSJ. Das campanhazinhas de esquerda. Tá morrendo de rir da cara da gente", completa. Como apurado pela FB, Iuri é nominalmente citado durante a conversa, o que confirma que o áudio vazado realmente se referia a ele. Formas pejorativas também são usadas, como "Zé Droguinha do Santa Luzia". 

Nesta semana, o município de Ritápolis também foi vítima de fake news que gerou pânico aos cidadãos devido a um casal do Rio de Janeiro que visitava um parente após uma cirurgia. Até o prefeito, Higino Zacarias de Sousa (PSDB), teve que vir a público para acalmar a população. Em nota divulgada pela internet, o prefeito informou que "o casal do Rio de Janeiro que esteve em Ritápolis para visitar um familiar pós cirurgia, passou por constrangimento e hostilidade por causa de divulgação infundada de que eles estavam positivos para Covid-19. O casal, seguiu todos os procedimentos da barreira sanitária e com sentimento de indignação, afirmaram que nunca testaram o positivo para Covid-19 e que não existe verdade na referida divulgação maldosa. Tais informações não procedem. Trata-se de fake news", informou.

Alem disso, o prefeito manifestou repúdio às pessoas que utilizam de má-fé para disseminar fake news e, segundo ele, "aproveitando-se desse momento em que as pessoas estão fragilizadas, para atirar a população contra a atual administração municipal principalmente por se tratar de ano eleitoral. O município está tomando providências legais e criminais contra a fonte inicial da disseminação dessa fake news e demais pessoas que fazem os compartilhamentos", informou.

Lei Penal é usada para prender quem espalhar fake news sobre Covid-19

Na ausência de uma legislação específica que defina como crime a produção e o compartilhamento de fake news no cenário de pandemia do novo coronavírus e de ameaças à saúde coletiva, autoridades passaram a enquadrar casos à Lei de Contravenções Penais, de 1941, numa tentativa de coibir a disseminação de notícias falsas relacionadas à covid-19. O dispositivo já foi utilizado em ao menos três capitais.
O texto estabelece pena de prisão de até seis meses para quem "provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto". Mas, na prática, a punição, se aplicada, é restrita à prestação de serviços comunitários ou multa.
Em Belo Horizonte, a polícia recorreu ao dispositivo ao investigar o homem que fez um vídeo na Ceasa denunciando um falso desabastecimento, em março. O conteúdo foi compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro, e depois apagado.

Desconstruindo o discurso ódio e a desinformação

Para Michele Marques Pereira, diretora de Assuntos Profissionais e Formação Continuada da Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEducom), esses episódios que envolvem discurso de ódio, quanto o compartilhamento de fake news são oportunidades de pensar conceitos como empatia e a importância da apuração. “A informação e o conhecimento são valiosos para quebrar preconceitos que assolam nossa sociedade”.

Segundo a diretora, é preciso educar as pessoas sobre a origem da informação e para sempre buscar fontes primárias. “A primeira regra é analisar de onde vem a informação. Se não é de um especialista no tema ou de um veículo de comunicação reconhecido, a recomendação é checar. É preciso recorrer a artigos e revistas acadêmicos, jornais e instituições de qualidade, além de não passar adiante informações não verificadas”, afirma. A especialista alerta que mídias locais são fundamentais no combate à desinformação. “Uma pessoa bem informada não cai em mentiras e não coloca sua saúde em risco”, acredita.

Em uma situação que envolve um novo vírus, há um estado de alerta entre autoridades médicas porque não se sabe exatamente como irá se comportar nas diferentes populações. Nesse cenário, para frear as informações falsas, Michele acredita que a melhor abordagem é usar a mesma mídia de disseminação das mensagens recebidas. “Se uma notícia falsa circula no WhatsApp, temos de circular a informação correta no mesmo meio. Não adianta escrever um texto lindo em um site que não dá para ser compartilhado de forma direta no grupo da família. A informação científica tem o mesmo poder de viralizar que a informação falsa, basta criá-la no formato e linguagem correta”, finaliza a doutora e pesquisadora.

 

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