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São João del Rei - MG

Opinião Damae

Damae quando voltarei a ter água limpa?

Simples: talvez quando você parar de eleger Nivaldo de Andrade e sua turma!

24/01/2020 às 11h22 Atualizada em 24/01/2020 às 11h54
Por: Adriano Vianini
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Por Adriano Vianini*

 

 

Após algumas semanas de água suja no Rio de Janeiro gerar notícias em todo no Brasil, muitos São-Joanenses - com razão - se agitaram com a tamanha mobilização da polícia, pesquisadores, políticos, Ministério Público, imprensa e outros agentes por lá. Já por aqui, "o Damae, órgão municipal de fornecimento de água e esgoto, há anos fornece água suja, sem tratamento, para a população. Isso quando tem água, pois é comum, em alguns locais ficar dias sem água nenhuma”, reclama um conterrâneo ao jornal Estado de Minas.

 

Primeiro vamos falar de São João del-Rei?

 

O problema de saneamento básico, especialmente da qualidade da água, é sistêmico no Brasil e, infelizmente, só tende a piorar. São mais de duas décadas que a agenda do saneamento básico no Brasil ficou parada, e não houve praticamente nenhum investimento significativo nos anos 80 e 90, o que acarretou um enorme déficit em praticamente todas as cidades brasileiras. Vale lembrar que saneamento básico, especialmente água de qualidade, é um direito essencial garantido constitucionalmente no Brasil.

Em São João del-Rei não foi diferente! Faz quase duas décadas que o atual prefeito Nivaldo de Andrade (PSL), entre um e outro que passou, olha com descaso o Damae. E repleto de denúncias de improbidade administrativa e até com ação criminal, Nivaldo vai levando a vida com recursos concedidos pelo TSE, apoiado pelo então deputado Aécio Neves, e sucateando a máquina pública e a autarquia (Damae), graças ao seu voto!

Meu voto? Isso mesmo! Ao observarmos as diversas reclamações veiculadas nas redes sociais, especialmente pelos moradores e pela única entidade sem fins lucrativos que defende o patrimônio público e social do município, a AMMASDEL-REI, é possível verificar que os bairros mais prejudicados e que mais reclamam do fornecimento e da cor da água são, na grande maioria, os locais onde o atual prefeito, Nivaldo, teve o maior número de votos.

 

Claro que não podemos generalizar que todos votaram no atual prefeito, mas há uma incoerência aí, certo? Como os bairros mais prejudicados - na grande maioria periféricos e com população mais humilde - elegeu, pela quarta vez, “o melhor prefeito do Brasil”, segundo ele próprio?

 

Simples: o populismo do atual prefeito ganhou seu voto! Além do carisma e dos discursos que apelam em nome do "povo" e de "Deus", origem humilde, estereótipo caricato e de “homem simples”, Nivaldo de Andrade apela e escora seu poder na rede de troca de favores, também conhecida como clientelismo. Vote em mim que te dou isso (vale cesta básica do Agostinho)!

 

Depois que deixou de agiotar para se dedicar à política, encarnou o populismo e as práticas políticas que se justificam num apelo ao "povo", geralmente contrapondo este grupo a uma “elite".

 

Como já dizia uma grande liderança petista que conheci quando cobria política, em Brasília, “o povo gosta é de homem do povo, discurso populista e obras. Já o rico só quer pegar uma boquinha”. Vejo que de fato isso funciona bem por aqui. O discurso do atual prefeito como “homem do povo", "prefeito dos pobres”, “melhor prefeito do Brasil”, entre outros jargões populistas têm gerados muitos votos.

O que o povo não lembra, na hora de votar, é que um prefeito nunca está sozinho: junto com ele existe centenas de funcionários comissionados pendurados, diversos secretários, advogados (muitos deles), deputados coligados, vereadores da base aliada, um vice-prefeito que também foi quem mais chefiou o Damae na história e, claro, uma pequena "elite" que adora "pegar uma boquinha".

E foi na gestão de Nivaldo de Andrade que o sucateamento do sistema de água e esgoto ganhou forças. Para se ter uma idéia da grave crise que vive a autarquia há décadas, o então vice-prefeito do Nivaldo, Jorge Hannas Salim, também foi o que mais presidiu o órgão de água e esgoto do município. Pediu exoneração do cargo em dezembro, pois não conseguiu um vultoso empréstimo no valor de R$ 26 milhões pela Prefeitura Municipal à Caixa Econômica Federal, sendo que, segundo ele, R$ 20 milhões seriam para investimentos em saneamento e modernização da rede de abastecimento de água da cidade e dos distritos. Chefiou por tanto tempo a autarquia e só lembrou do empréstimo às vésperas do ano eleitoral de 2020?

 

Outro ponto de muito debate e discussão em 2019, foi a possível abertura de uma CPI no Damae. Mas claro que os vereadores da base aliada do atual prefeito, Nivaldo Andrade, em grande maioria na Câmara, barraram a CPI. Onde estavam os eleitores destes vereadores no dia da votação?

Vale lembrar que enquanto você e eu estamos aqui indignados e reclamando da qualidade da água, há um vereador aliado ao prefeito que está ganhando dinheiro aqui e fazendo campanha política em Belo Horizonte e, portanto, não está nem aí com a água.

E para piorar, a turma do prefeito e muitos São-Joanenses adoram criticar a gestão anterior, do ex-prefeito Helvécio Reis (PT), com a frase pronta: “ele não fez nada!”. Ninguém faz muita coisa nessa cidade com os cofres públicos sucateados e com um Legislativo que só boicotava. Porém, vale lembrar que foi justamente o ex-prefeito quem conseguiu o financiamento de R$ 42 milhões para as obras de esgotamento sanitário, que tentará, ao menos, limpar o esgoto de parte da cidade.

 

Nem competência técnica para aprovação do projeto a equipe do Nivaldo teve (antes ainda do Helvécio) e coube a este refazer o projeto e aprovar o recurso. Infelizmente, por falta de sorte, o dinheiro só foi disponibilizado após a mudança Dilma-Temer. E como está a obra do esgotamento sanitário hoje? Parado!

O que adianta ter asfalto coberto duas ou três vezes na porta da sua casa se há cada três meses funcionários do Damae vão quebrar pois há água ou esgoto vazando?

Saneamento Básico, Saúde e Educação nunca renderam muitos votos, pois demandam investimentos de médio e longo prazo. A “elite”, quem mais valoriza esse tripé social, pode pagar para tê-los, enquanto o "povo" só sente na pele a ausência dos mesmos quando precisam de uma UPA, de um hospital, de uma água de qualidade ou de uma escola que não caia na cabeça dos seus filhos. E vão precisar!

 

Para as eleições deste ano, o discurso do atual prefeito terá que mudar: com ou sem recursos do TSE ou de algum juiz de BH, Nivaldo terá pouquíssimas ruas para asfaltar. Além disso, nem ele e nem um próximo prefeito terão recursos para consertar, a curto prazo, essas duas décadas perdidas.

Quanto ao Rio de Janeiro meu caro leitor São-Joanense, apesar do Estado estar mais sucateado que o nosso pequeno município, o populismo por lá vem perdendo forças e deu espaço para que a polícia, pesquisadores, políticos, Ministério Público, imprensa e principalmente, o próprio cidadão, saia do ostracismo e lute por direitos constitucionais mínimos. Quanto aqui, a população vai jogando a poeira para debaixo o asfalto!

 

* Adriano Vianini é São-Joanense, jornalista, publicitário, trabalhou com comunicação e marketing em diversas organizações nacionais e internacionais de SP, RJ e Brasília. É editor-chefe do site e revista Mais Vertente. Também não é de direita e nem de esquerda, mas direto ao ponto.

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