QUEIJOS MINEIROS

O QUEIJO É NOSSO!

Sabores de Minas

Conheça os benefícios do queijo mineiro, as regiões produtoras e reconhecidas nacionalmente e internacionalmente e um roteiro de degustação de encher os olhos e o paladar

Por: Elis Agostini.

O que não pode faltar na mesa de um mineiro é um bom e tradicional queijo. A fama do queijo minas o precede. Mesmo o mais desentendido no assunto sabe que Minas Gerais é conhecida como a terra do queijo, ou do pão de queijo. O mineiro está entre o que mais produz e consome o alimento em todo país. São mais de 70 mil toneladas por ano, segundo o site de Cultura de Minas Gerais.

O estado possui uma das tradições queijeiras mais antigas do país e, em 2008, a iguaria foi considerada Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Produtores de queijo de Minas Gerais conquistaram recentemente 50 medalhas no 4º concurso "Mondial du Fromage et des Produits Laitiers", realizado entre os dias 2 e 4 de junho, na cidade de Tours, na França. Segundo a organização, foram 952 inscritos de 15 países. Ao todo, Minas Gerais levou 50 medalhas das 56 conquistadas pelo Brasil. No último concurso, o estado havia obtido 11 medalhas. Neste ano foram:

  • 4 super ouros - 3 em MG;

  • 6 ouros - 5 em MG;

  • 23 pratas - 20 em MG ;

  • 23 bronzes - 22 em MG.

Entre as regiões que mais se destacaram, foram as da Serra da Canastra (Delfinópolis, Piumhi, Medereiros, Bambuí e São Roque de Minas, essa última com 17 medalhas ao todo), cidades que ficam no Centro-Oeste de Minas. Também foram reconhecidas as regiões do sul de Minas (Cruzília), e do Campo das Vertentes (Carrancas).

Queijos produzidos em Minas Gerais tornam-se referência mundial e movimentam boa parte economia do Campo das Vertentes e do País

Benefícios

Benefícios

O queijo mineiro possui diversos benefícios para a saúde por terem nutrientes essenciais para o fortalecimento dos ossos, proteção do coração e da saúde mental. No queijo pode-se encontrar vitaminas dos tipos A, B2, B12, D e K2, além de conter também muitas proteínas. O famoso queijo de Minas é o mais saudável, por conter menos gordura, colesterol e sódio. De acordo com o site “Turismo de Minas”, são mais de 30 mil pequenos produtores e 600 municípios do alimento no Estado, abaixo vamos abordar sobre alguns.

 

Canastra

Em São Roque de Minas, cidade que faz parte do circuito turístico da Canastra, a maior parte dos produtores fabricam o queijo que recebe o nome do Serra. O clima típico, altitude específica e os pastos nativos conferem à iguaria seu sabor forte, denso, encorpado e meio picante. É recomendada a consumação do queijo canastra curado ou meio curado, com aquela “casca” mais endurecida. Porém vale também experimentá-lo fresco, quando pode ser confundido com o tradicional queijo Minas. Em 2008, esse tipo foi considerado patrimônio cultural imaterial brasileiro, pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Salitre

Outro lugar famoso pelo seu queijo é a Serra do Salitre. O local possui características como grande concentração de nitrato de potássio (salitre) do solo, o excesso de água e o clima brando, que facilita a produção do petisco. O tipo produzido nesta serra é o Artesanal Imperial, ele tem uma consistência semidura e uma crosta fina com resina. Seu sabor carrega particularidades únicas do solo da região, como o paladar amanteigado e a textura encorpada. Essa categoria de queijo ganhou medalha de prata no 1º Prêmio Queijo Brasil.

Serro

A região do Serro, município conhecido como “Terra do Queijo”, produz um queijo macio e maturado, graças ao clima quente do lugar. No Cerrado, área do Alto Paranaíba, o queijo deve ser consumido mais cedo. Seu sabor amanteigado e sua consistência macia são as características principais para obter o selo “Queijo do Cerrado”, lançado em 2006. Entre os dez municípios que formam o Triângulo Mineiro, existem 1,3 mil produtores de queijo que possui casca semidura e tende ao macio.

Sul de Minas

Os produtores do Sul de Minas, especialmente dos municípios de Cruzília e Alagoa são destaques frequentes em concursos nacionais e internacionais. A empresa que leva o nome da cidade e tem na origem dinamarquesa uma de suas mais fortes características. Destaque para o queijo de massa prensada e de longa maturação, que o Cruzília 300, de 6. Como inovação na categoria de cremosos, a empresa ganhou a medalha de prata com um requeijão feito com queijo Gruyére. O terceiro prêmio de Cruzília foi a medalha de bronze para o queijo Dagano, conhecido como queijo dos "Vikings". A região garante  um terroir perfeito para a produção de queijos e da herança queijeira. Já em Alagoa, a Fazenda Bela Vista, é destaque com o queijos artesanais D'Alagoa.

Campo das Vertentes

Por último, e não menos importante, vem nosso Campo das Vertentes, que já foi destaque em diversas premiações nacionais e internacionais, incluindo em 2017, na França. A região é ideal para a fabricação do queijo, as condições climáticas são favoráveis e o ambiente é propício para o processo de maturação. Nas Vertentes, é possível (e recomendado!) percorrer a Rota dos Queijos. Esse roteiro é dividido pelos tipos de queijos:

 

O primeiro é do Queijo Minas Artesanal, que abrange 23 cidades do circuito. Outra rota é a do Queijo Rei, que percorre as cidades de Antônio Carlos, Barbacena e Alfredo Vasconcelos. E, por fim, a rota dos Queijos Finos que perpassa por Nazareno e Conceição da Barra.

 

Carrancas pela primeira vez entra no circuito de produtora de Queijo Minas Artesanal. O Queijo Bicas da Serra levou a medalha de bronze em 2018, na frança. Este é o primeiro prêmio internacional do produtor, José Orlando Ferreira Junior, que já foi medalha de ouro no concurso estadual de São Roque de Minas, em 2018, e no prêmio nacional de queijo artesanal, em 2017, realizado em São Paulo.

Circuito do queijo

A Mais Vertentes selecionou algumas fazendas do Campo das Vertentes para você saborear os melhores queijos artesanais de Minas Gerais, confira:

 

 

Sugerimos entrar em contato para verificar horários para visitas. Se você preferir fazer esse percurso com ajuda de guias especializados, contate agências de turismo das cidades. E bom apetite!


 

Confira alguns queijos bem famosos na região:


Queijaria Tarôco

Segundo a produtora Joelma Tarôco, da Queijaria Tarôco, o local existe há 5 anos e produz Queijo Minas Artesanal (meia cura/curado). O queijo é produzido com leite cru, ou seja, não passa pelo processo de pasteurização. Sua casca é lisa e firme, macia e amanteigada, sua acidez e picância são discretas. Harmoniza com vinhos, cervejas, cachaças e ainda é usado em vários pratos da culinária, como pão de queijo, risotos, massas em geral. A faixa de valor da especiaria vai de 40 à 60 reais.

 

De acordo com a produtora, as maiores dificuldades na elaboração do queijo, é o alto custo de produção. “Temos que fazer várias análises de leite, queijo, água, e todas são fora de São João del-Rei”, explicou. Outro obstáculo enfrentado está relacionado ao tempo de maturação, “temos que esperar 22 dias para depois comercializar os queijos. Aqui na região do Campo das Vertentes é esse o prazo", explicou. O Queijo Tarôco conquistou medalhas de bronze no Concurso Estadual 2017, 2018 e no III Prêmio Queijo Brasil.


 

Queijaria Catauá

De acordo com Mariana Resende, produtora do Queijo Catauá, “costumamos dizer que o Catauá é um queijo de 300 anos! Isso porque a receita já era uma tradição de família, e o tataravô do João Dutra já produzia em São Miguel do Cajuru, distrito de São João del-Rei". A queijaria produz aproximadamente 35 queijos por dia do tipo Queijo Minas Artesanal. Elaborado apenas com leite cru, coalho, pingo e sal. “Trabalhamos este queijo em fases diferentes de maturação – desde o meia cura até os de longa maturação, variando entre quatro e levando algumas peças a até um ano de cura”. O preço da iguaria varia entre R$75 à R$165 a peça de aproximadamente 1kg.

A maior dificuldade enfrentada na produção do queijo, segundo Mariana, diz respeito à legislação do Queijo Minas Artesanal. "Infelizmente as leis que se aplicam aos pequenos produtores são leis elaboradas para atender às grandes indústrias/laticínios, não se adequando à realidade de pequenas queijarias, como a nossa", explica. Quanto ao diferencial do seu queijo, Mariana explicou que “o tratamento é o mais natural possível do rebanho – um gado sem stress gera um leite melhor em todos os aspectos. Além disso, procuramos manter as técnicas tradicionais de fabricação, mantendo sempre a receita das antigas fazendas e levando ao consumidor do Catauá não apenas um queijo, mas uma memória da infância, dos tempos idos, em que a comida na fazenda tinha um gostinho especial", concluiu.

Para saber mais sobre essa queijaria, você pode entrar no site: http://www.cataua.com.br/.